A solidão dos moribundos

A solidão dos moribundos Norbert Elias




Resenhas - A solidão dos moribundos


9 encontrados | exibindo 1 a 9


thapark 10/11/2020

A natureza e o grau de recalcamento da morte nas sociedades dependem do seu estágio de desenvolvimento e da sua civilização. A forma com que as sociedades contemporâneas lidam com a morte, por exemplo, é muito diferente do que se dava antigamente. Antes os cadáveres eram tratados pelas mãos dos familiares, enquanto hoje, pelas mãos dos especialistas. Antes a morte era pública e discutida, hoje se impera o tabu em relação a expressão de sentimentos e a censura de assuntos relacionados à morte.
Para Norbert Elias, as características específicas que contribuem para que as sociedades contemporâneas tenham uma visão particular da morte que provoca o isolamento de seus moribundos são:
1. A extensão da vida, que fez com que a morte fosse adiada e sua ideia mantida à distância.
2. O progresso da ciencia médica, que cria a ideia de que a morte seria um processo controlável.
3. A compreensão da morte como um processo pacífico, não violento ou abrupto.
4. O processo de individualização, que impede com que o sujeito se identifique com outras pessoas.
Mas é importante deixar claro que o autor repudia a ideia nostálgica e parcial da boa morte do passado, e da má morte do presente e pretende apenas explicar “como e por que era assim, e por que se tornou diferente”.

site: @livros_e_dicas
comentários(0)comente



Tati 29/09/2020

Gostei muito
Li ele para a faculdade mas me diverti muito. Gostei das reflexões propostas e da apanhado histórico, minha única reclamação é o fato de que as vezes o autor repetia demais o mesmo assunto.
comentários(0)comente



Tiago Bessa 14/08/2020

Trecho da Obra
"A morte não tem segredos. Não abre portas. É o fim de uma pessoa. O que sobrevive é o que ela ou ele deram às outras pessoas, o que permanece nas memórias alheias. Se a humanidade desaparecer, tudo o que qualquer ser humano tenha feito, tudo aquilo pelo qual as pessoas viveram e lutaram, incluídos todos os sistemas de crenças seculares e sobrenaturais, torna-se sem sentido."
CLARA 15/08/2020minha estante
:)




Nic 13/06/2020

Sobre velhice, morte e solidão.
"A solidão dos moribundos", ensaio sociológico, filosófico rápido de 100 páginas mas incrivelmente profundo sobre a velhice, a morte, a solidão e a vida dos que ficam e dos que vão.
comentários(0)comente



Francisco.Assis 12/04/2020

A morte
Falar sobre a morte é sempre uma tarefa delicada para as ciências humanas, mas Nobert Elias consegue fazê-lo de forma magistral.
comentários(0)comente



Camila.Guntzel 25/03/2020

Livro sociológico, por isso é enxuto em tamanho porém bastante denso em conteúdo e reflexões. Leitura bastante interessante para compreendermos ou minimamente refletirmos sobre questões sociais como o envelhecimento, a doença e a morte, bem como a exclusão social e a discussão dos temas.
comentários(0)comente



Gabriel 06/06/2019

Norbert Elias deve ser louvado por trazer à lume questões tão negligenciadas e, ao mesmo tempo, universais. "A solidão dos moribundos" distancia-se de tratados filosóficos existencialistas e, de certa forma, também não corresponde exatamente a uma análise sociológica da morte. Nesse sentido, a versatilidade do autor contribuiu para que o tema fosse desenvolvido de acordo com a própria complexidade exigida do assunto.

Nos ensaios da primeira parte, Elias trata dos conceitos de morte, solidão e sentido da vida. A morte, segundo o autor, deve ser encarada como o fim de todas as coisas e parte natural do processo a que estamos submetidos. A solidão, por sua vez, adquire diversos significados, devendo se levar em consideração a postura cada vez mais individualizadora das sociedades. Por fim, o sentido da vida precisa ser buscado na função que cada indivíduo exerce em sua comunidade, sendo esta uma crítica fundamental que o autor faz às indagações filosóficas acerca da procura de um sentido da vida que não leva em conta a vida em sociedade.

A segunda parte trata de um problema não menos importante: o envelhecimento. Ao fim, este problema está interligado àquilo que é tratado na primeira parte, pois é de se destacar a postura de jovens, velhos e moribundos que mutuamente se isolam em seus próprios mundos, suas bolhas, criando solidões para si próprios por medo de enxergarem aquilo que um dia também serão.

A despeito dos bons apontamentos trazidos pelo autor, a visão estritamente materialista da morte não me agradou. Embora tenha justificado em diversos momentos a ausência de uma discussão no panorama da espiritualidade, classificada por ele como visão fantasiosa da morte, acredito que caberia um espaço para reflexão acerca das crenças e rituais de certas civilizações, mesmo que fosse com o fito de demonstrar como os conceitos elaborados se enquadram nessas comunidades.

Finalizo com um trecho: "(...) Na verdade não é a morte, mas o conhecimento da morte que cria problemas para os seres humanos. Não devemos nos enganar: a mosca presa entre os dedos de uma pessoa luta tão convulsivamente quanto um ser humano entre as garras de um assassino, como se soubesse do perigo que corre. Mas os movimentos defensivos da mosca quando em perigo mortal são um dom não aprendido de sua espécie. Uma mãe macaca pode carregar sua cria morta durante certo tempo antes de largá-la em algum lugar e perdê-la. Nada sabe da morte, da de sua cria ou de sua própria. Os seres humanos sabem, e assim a morte se torna um problema para eles.".
comentários(0)comente



Bekah Abreu 05/02/2017

"Somos parte uns dos outros."
O livro, voltado para a sociologia, foi um desafio para mim. Eu claramente sou aquela que adora romances e não livros técnicos. De uns tempos para cá resolvi introduzir na minha ‘dieta’ uns livros com mais ‘sustança’.

Nesse livro temos um foco no ‘morrer’. Não na morte em si, mas no processo que leva a ela, englobando tanto os ‘idosos’ quanto os ‘moribundos’.
Foi um livro difícil de se ler, mesmo sendo bem pequeno. Ao ler o livro, somos colocados de frente a um quadro comum e triste, onde os idosos e doentes são ‘mortos’ pelos seus parentes, ainda em vida. Eles são invisíveis para aqueles que no passado o amaram.

“Também dá uma indicação do que significa para os moribundos se sentirem — ainda em vida — excluídos da comunidade dos viventes.” - A Solidão dos Moribundos.

Além de retratar a questão fisiológica e emocional, temos contato com o retrato do ‘morrer’ no passado, ligando até a arte. Adorei o fato do livro não se ligar a nenhuma religião, também não descartando a possibilidade de um ‘além’. Na verdade, o livro se foca estritamente na parte da vida onde o ser humano se deteriora.

Talvez por isso, para mim foi tão difícil ler esse livro.
O estudo vem para conscientizar que mesmo que aquele parente, esteja morrendo e que é o FIM, você pode tornar tudo mais confortável. Mais humanizada.

Até porque, mesmo que aquele ser, morra, você vai ficar. E com a falta dele, vem as lembranças e a culpa. A morte (como diz no livro) só afeta os vivos, pois o mortos já nada o sabem.

Achei o livro bem tocante e talvez pelo autor seja idoso, conseguiu passar toda a dúvida e estranheza de passar pela fase onde tudo murcha e o fim está próximo.

““Morituri te salutant” (Os que vão morrer te saúdam)” - A Solidão dos Moribundos.
Bruna 23/04/2018minha estante
Linda e tocante sua resenha. Já li um livro autor, ele é excelente. Obrigada pela resenha que me instigou a ler mais um livro dele. :)


Bekah Abreu 15/05/2018minha estante
nossa, muito obrigada. Fico honrada, viu? amo o jeito que ele escreve e esse livro me tirou muitas lagrimas.




9 encontrados | exibindo 1 a 9