Terras do Sem Fim

Terras do Sem Fim Jorge Amado




Resenhas - Terras do Sem Fim


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Franciely 09/05/2013

Surpresa
Eu nunca havia lido nada de Jorge Amado e esse livro me surpreendeu pelo contexto histórico que tem e por conseguir levar uma narrativa adiante com tantas personagens diferentes, visões diferentes baseadas nas personagens (pois cada um deles ganha seu devido destaque no livro e quando se fala da personagem as coisas são colocadas da maneira que ela vê).
Um livro muito recomendado pra quem gosta de história do Brasil e literatura de qualidade que gere uma reflexão e não somente entretenimento.
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Mirzão 10/02/2016

Terras do sem-fim: uma literatura brasileira de excelência
Esta obra-prima (Terras do sem-fim 1943) – de Jorge Amado, um grande escritor baiano, que tem sido traduzido em vários idiomas – tem como tema a exploração do latifúndio do cacau em Ilhéus – Bahia. Por isso, Jorge Amado visou registrar uma sociedade violenta; construiu personagens “aventureiros e gananciosos”. Dessa forma, o enredo, amiúde, nesse lugar, apresenta ao leitor traições, batalhas, mortes... A lei existia lá?
Sim ela existia, no entanto, estava em beneficio do mais forte financeiramente. Outro ponto de observação é que o Brasil, na época, passava por “alterações” políticas e econômicas, principalmente, por influências estrangeiras.
A narrativa, que, no mínimo, é de um lirismo admirável; apresenta, devido à ganância quão desumanizada, a grande maioria das pessoas tem estado. Levando em consideração tal assertiva, isso fica comprovado conforme a história progride sobre a questão do meio ambiente – em prol do progresso, ou em prol da liberdade para um suposto progresso.
Amado soube fazer uma narratividade de excelência, pois o uso dos incisos, as escolhas da ordem discursiva, o narrador (que sabe intervir) quanto os personagens (e o grau linguístico destes) estão bem coesos e coerentes com cada situação/contexto, devidamente abordados. Só mesmo um mestre da escrita sabe fazer isso muito bem.
As personagens têm inúmeros predicativos. Ester (educada); Horácio (calculista determinado); Dr. Virgílio (letrado); Dona Ana (valente); S. Badaró (cuidadoso); Margot (prostituta)...
Foi a primeira vez que li Jorge Amado, logo, posso afirmar que me arrependo de não ter o lido antes (Vou ler, indubitavelmente, outras obras dele). Um escritor da Casa, isto, brasileiro; que fala do seu povo, do seu país. Infelizmente percebo a literatura de J. Amado sendo mais prestigiada lá fora do que dentro do seu país. É isso né. Viva SÓ a literatura dos gringos! KKK... , pois a literatura brasileira é “chata”. Claro que não, tal pensamento, acerca da nossa literatura, não pode ser de um verdadeiro leitor.
O texto do escritor baiano foi construído para ser apreciado, analisado, refletido cuidadosamente, devido à grande narrativa que possui. Não é como certa “literatura-pipoca”, (ou qualquer outro nome do mesmo teor semântico) que tem aos montes por aí. Limitar-se tão-só a esse último tipo de leitura, creio que não seja bom.
Diante tudo, é preciso amadurecimento literário, saber da importância da contextualização histórica para “ler” um texto de J. Amado. Caso contrário, pode ser que a leitura não seja, por assim dizer, interessante, pois não é uma leitura “mastigável” com outras. Porém é recomendadíssima!
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Amanda 22/12/2014

Terras do sem fim é um romance estilo 'bang bang' americano, onde seus personagens são motivados pela ganância, poder e amor, sendo fielmente retratados de acordo com sua realidade, como a literatura naturalista deve ser.

A cultura do cultivo do cacau é o maior assunto no sul da Bahia, e em todo o estado só se ouve as histórias dos cabras que se aventuram nas matas

e lutam contra onças, cobras e uma misteriosa febre, para em dois anos voltarem mais ricos do que nunca. O cacau tem cor de ouro, dizem.

Aos redores de Tabocas, município de Itabuna, o representante político é o Sinhô Badaró, grande proprietário de terras, que, junto com seu irmão, Juca, anseia em aumentar sua propriedade ao anexar a grande região denominada Sequeiro Grande, que dizem possuir o melhor solo do mundo para o plantio de cacau. Mas ele não é o único. Da oposição política há Horácio, latifundiário rico que tem como ajuda um novo advogado, Virgílio, recém vindo de Salvador.

O que impede os Badarós de desbravarem a mata de Sequeiro é um pequeno fazendeiro, que apoia Horácio, recusando-se a vender suas terras que fazem divisa com o solo virgem. Após uma falha tentativa de assassinato do mesmo, uma guerra está para se iniciar, assim como grandes amores, doenças e traições. As beatas da igreja nunca tiverem tanta coisa para comentar.

Jorge Amado tem o dom de prender a sua atenção no texto, apesar de ele ser ‘antigo’ e ter aquela característica linguística do início do século passado. Muitas vezes desisto de alguns clássicos devido à dificuldade de compreensão, mas isso não acontece em seus livros. Além de que você aprende novas palavras: eu nunca saberia o que um parabellum é se não tivesse lido esta obra.

Outra coisa que me impressionou foi a forma de retratar a realidade dos personagens. Damião, o negro jagunço contratado para matar o fazendeiro, nunca se importou de matar. Mas assim que a semente de dúvida sobre o certo e o errado é posta em sua mente, o homem hesita e reflete sobre suas ações. Durante quatro páginas vemos como Damião processa o que lhe foi dito e vemos o conflito que se passa em sua mente. E não é muita gente que consegue retratar algo assim.

Não é nenhum ‘Capitães da areia’ da vida, e eu só li o livro por causa de um vestibular que pretendia fazer, mas não deixou de ser uma leitura construtiva para aumentar meu vocabulário ‘das antigas’, além de ser uma baita aula de escrita - ainda mais sobre a realidade humana, e como descrever afundo o pensamento de um personagem.

site: http://escritoseestorias.blogspot.com.br/2014/12/resenha-42-terras-do-sem-fim.html
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Luiza 23/12/2012

Ester vai na garupa do cavalo, de onde veio ela? Virgílio solta a rédea, deixa que o cavalo corra. O vento corta seu rosto. Ester vai segura na sua cintura. Uma história de espantar. Irão para o fim do mundo, os pés livres do visgo de cacau mole que os prende ali... esse cavalo tem asas, irão para muito longe das cobras, das rãs assassinadas, para muito longe das roças de cacau, dos homens mortos na estrada, das cruzes iluminadas por velas nas noites de saudade. Pelos ares vai o cavalo negro sobre as roças, sobre as matas, sobre as queimadas e clareiras. Ester vai com Virgílio, gemerão de amor na noite de luar. Vão pelos ares, é desenfreado o galope do cavalo...
(...)
Nunca ninguém saberá que o último verso daquela história seria escrito nessa noite... Que importa a morte, um tiro no peito, uma cruz na estrada, se Ester vai com ele na garupa do seu cavalo negro para outras terras que não sejam essas terras do cacau? A música o acompanha como uma marcha nupcial. Uma história de espantar.
"Terras do Sem Fim", Jorge Amado
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Mais um delicioso livro de Jorge Amado que acabei de concluir! (o trecho acima foi, para mim, o momento mais belo do livro, com que mais me emocionei...)
A obra é inspirada na vida do pai do autor, que participou das lutas pela conquista e posse das terras cacaueiras no sul da Bahia e plantou a fazenda Auricina, onde nasceu o escritor. Quando menino, Jorge Amado testemunhou uma tocaia em que seu pai foi ferido gravemente.
O livro faz parte das obras que tratam do CICLO DO CACAU. Terras do Sem Fim é uma espécie de bangue-bangue à brasileira: dois poderosos proprietários rurais - os Badarós e Horácio Silveira - disputam a última reserva de mata nativa onde estão as terras mais férteis para o plantio de cacau.
A história tem a estrutura de folhetim - amores, sofrimentos, doenças, a dificuldade de sobrevivência em uma terra liderada à bala. Jorge Amado nos faz questionar sobre o certo e o errado, a verdade e a mentira, o amor e a traição. É fácil se afeiçoar às personagens...
É uma história bem contada, uma narrativa envolvente e talvez aquilo que fosse o objetivo do comunista Jorge Amado: a denúncia das condições de vida na região do cacau. O romance é poderoso.
Por fim, os enormes cocos de cacau que as lavouras do Sequeiro Grande produzem, um ano antes do normal, são explicados pelo adubo extra de sangue humano ali derramado em abundância como vaticinava o feiticeiro Jeremias...
Luhhh ^___^ 05/07/2015minha estante
Não sabia que foi inspirada na história do pai de Jorge Amado, esse livro é ótimo mesmo! O Jorge Amado escreve muito bem.




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Nélio 26/11/2017

Mais um ótimo livro deste autor que tive o prazer de descobrir só neste ano. Já separei uns tantos dele para o próximo!
Senti uma diferença eu relação aos outros que li: não vai no início dos capítulos algo como uma “apresentação” do que viria a frente. Aqui Jorge já vai narrando de cara. E isso deu um quê de “o que vai acontecer agora?”... Uma narrativa mais dinâmica do que em outros livros. Fui lendo e ficando curioso ao que viria. Muito bom, mesmo! Não que nos outros isso tenha sido problema, mas, aqui, por ser uma narrativa mais de ação e luta, ficou perfeito!
Ação, emoção, mortes, lutas, história dos coronéis brasileiros que desbravam matas e matas para plantar cacau.
E que narrativa forte e de qualidade! Eis um trechinho:
“E a angústia aumenta, ele veste a roupa quase correndo, sente uma necessidade de deixar que a chuva caia sobre ele sobre sua cabeça ardente, lave suas mãos sujas de sangue, lave seu coração manchado. Se esquece de descer em passos cuidadosos para não acordar as empregadas. E sai pelo quintal, no leito da estrada de ferro arranca o chapéu e deixa que a chuva escorra sobre o seu rosto, como se fossem as lágrimas que ele não chorou.”
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Túlio 08/12/2015

Um agradecimento a esse magnífico autor
Terras do Sem Fim é o primeiro livro do autor que marca os seus romances do "ciclo do cacau". A história, como sempre, é cativante, prende o leitor desde suas primeiras páginas. Outro ponto forte são as personagens; marcantes, inesquecíveis e bem desenvolvidas.
O enredo, em si, trata-se das disputas pelas terras de Sequeira Grande entre os latifundiários da região: de um lado, o poderoso Coronel Horácio; do outro, os irmãos Badaró. Na trama, são apresentados outros personagens, como o esperto Capitão João Magalhães, a doce Ester e o ganancioso Virgílio.
Munido de críticas sociais, representadas por personagens sofridos e miseráveis, Jorge Amado consegue denunciar o tão aclamado "progresso" que ocorre nas terras do cacau. Progresso esse que ocorre, como o próprio autor afirma, graças à fértil terra cacaueira, "a terra adubada com sangue".
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Dayara 14/06/2015

Terras do sem fim.
O livro foi escrito por Jorge Amado, a historia tem inicio em um navio chegando em Ilhéus trazendo pessoas ambiciosas e obcecadas, com promessas de enriquecer fácil naquela região.
Naquela cidade os advogados eram bem-vindo a região de ilhéus, os coronéis constatavam os advogados para poder fazer documentos falsos que atestavam a posse de determinado pedaço de terra ate que pertencesse a algum lavrador. Quando empunha alguma residencia a expulsão, o compones em geral era perseguido e morto por jagunços atocaiados nas estradas solitárias.
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Quel Ratajczyk 19/04/2016

Nada de clichês
No começo demorei a entrar na realidade do livro, pelo fato de ser narrado de vários pontos de vista, exemplo: uma hora você é o peão pago para assassinar, e logo você é o alvo. Depois de certa altura do livro, essas trocas são de grande ajuda, você está ciente do que acontece nos dois lados da briga.
Um outro ponto positivo do livro é a reflexão pessoal que cada personagem faz, desse modo tem sempre uma característica marcante dele que te chama atenção ou um fato inacabado que te faz esperar que logo venha outro capitulo com a visão do mesmo. A característica do livro de não apresentar a temática clichê que sempre vejo, onde há um casal apaixonado separado por causa da disputa, também soma pontos favoráveis.
O livro apresenta um palavreado de época que ajuda a assimilar a cultura e notar as diferenças entre o modo de se comunicar de antigamente com o nosso atual.
Mesmo que o livro tenha sido escrito em 1942, encontrei elementos que lembram os dias atuais, como o fato de que em Ilheus e em Tabocas tudo estar dividido entre os leais a um fazendeiro ou a outro, isso é atual, ainda há quem pense que não existe um meio termo. A politicagem no livro segue influencias e hoje ainda é assim, infelizmente.
No geral, é um bom livro para ler, e como toda literatura (principalmente a brasileira) a base é insistir um pouco, até que você se sinta um personagem do livro e esteja envolvido com a trama, a partir daí, largar o livro é um desafio. Portanto, recomendo-o.
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Fimbrethil Call 21/08/2018

Gostei!
Impressionante, como Jorge Amado diz, é impressionante a crueldade daquelas terras do cacau.
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Kymhy 31/03/2018

Terras do Sem Fim - Jorge Amado
Sabe aquele chocolate gostoso que você consome todos os dias? Acredite, ele vem com resquícios de sangue. Veja como produtores de cacau são capazes de tudo para lucrar nessa mina de ouro deliciosa.

site: https://gatoletrado.com.br/site/resenha-terras-do-sem-fim-jorge-amado/
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Luhhh ^___^ 05/07/2015

Os grandes coronéis
Além de ser um romance bem escrito, nota-se a questão dos latifúndios comandados pelos poderosos coronéis os quais controlavam os jornais e a política na região. O que não mudou muito =P

"E o rico de hoje poderia ser o pobre de amanhã se um mais rico, junto com um advogado, fizesse um "caxixe" bem feito e tomasse sua terra. E todos os vivos de hoje poderiam amanhã estar mortos na rua, com uma bala no peito. Por cima da justiça, do juiz e do promotor, do júri de cidadãos, estava a lei do gatilho, última instância da justiça em ilhéus".

Ainda há lugares no Brasil que a liderança à bala, infelizmente, predomina.
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Priih | Blog Infinitas Vidas 28/05/2014

Muito bom!
O mais interessante em Terras do Sem-Fim é o desenvolvimento dos personagens. O livro tem uma abordagem Naturalista, utilizando-se do Determinismo – ou seja, o meio influenciando o sujeito – ao definir o comportamento de vários personagens. [...] A crítica social é excelente e a história é muito envolvente, já que existem muitas relações a serem abordadas graças ao conflito gerado pela posse de Sequeiro Grande. A quem tem interesse em clássicos nacionais, eis uma boa pedida.

Resenha na íntegra no blog!
Vamos conferir? =)

site: http://infinitasvidas.wordpress.com/2014/05/08/resenha-terras-do-sem-fim-jorge-amado/
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Mario Miranda 02/12/2018

O Cacau como forma de Poder
Terras do Sem-Fim, sétimo romance publicado por Jorge Amado, definitivamente necessita de uma continuação, e Jorge Amado sabia disto, tanto que escreveu e publicou São Jorge de Ilhéus no ano seguinte.
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Terras do Sem-Fim é um livro que tem começo em Cacau, com a visão do homem-comum da lavoura cacaueira, passando pelo homem-herói Jubiabá, culminando com a visão da alta sociedade do Cacau, finalmente em Terras do Sem-Fim. É um livro que aborda as disputas e construções da aristocracia da região de Ilhéus, com base em crimes, subterfúgios, assassinatos, emboscadas e demais sortilégios. Centrado nas brigas envolvendo a família de Juca Badaró e Horácio, e como os órgãos legalmente constituídos trabalham - não para conter! - por amplificar estas disputas. Terras do Sem-Fim representa uma versão nossa de uma briga entre Montecchios e Capuletos - sem espaço para Romantismos - ou nas desavenças das famílias mafiosas apresentado em "O Poderoso Chefão".
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Terras do Sem-Fim é um ponto de inflexão na obra de Amado, não por destoar da sua visão crítica da alta-sociedade cacaueira, mas por pela primeira vez a obra centrar na visão dos homens ricos - as duas famílias - e não exatamente do homem oprimido. Não que ele não aborde a opressão e a miséria, mas os personagens principais são constituídos por aqueles que se tornarão os próximos "senhores de engenho".
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Talvez por sua influência marxista, Jorge Amado sempre trata determinados objetos como Fetiches, como se fossem objetos-animados que influenciam de certa maneira as atitudes humanas, e não o homem dando um significado ao objeto: em "Cacau", o próprio Cacau o é; em "Suor", sem dúvida o cortiço; finalmente, em"Terras do Sem-Fim", novamente o Cacau e a Terra. Amado sempre trata o fruto como se ele impregnasse nos pés do agricultor, impedindo-o de ir embora dali (exceção feita ao Cearense que, no início da obra, imigra de navio para a região).
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O livro, por diversas vezes, fica muito circular nos preparativos para a disputa entre as famílias, deixando pouco espaço para o desenvolvimento da obra - a briga em si -. Quando, finalmente, inicia a disputa final pelas terras, parece-me que Amado dispunha de pouco espaço - ou tempo! - para melhor desenvolver a história.

site: https://www.instagram.com/marioacmiranda/
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Lista de Livros 23/12/2013

Lista de Livros: Terras do Sem Fim - Jorge Amado
“Nenhum tempo é melhor que o de escola; tempo em que o sonho é possível.”
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“... a melhor terra do mundo para o plantio do cacau, aquela terra adubada com sangue.”
*
Mais em:

site: http://listadelivros-doney.blogspot.com.br/2008/08/terras-do-sem-fim-jorge-amado.html
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