A Criança No Tempo

A Criança No Tempo Ian McEwan




Resenhas - A Criança no Tempo


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marília carla 27/07/2009

Foi a primeira obra que conheci de Ian McEwan, gostei muito. o autor mostrou como o ser humano é incapaz, pequeno, dependendo sempre de um apoio para lidar com as perdas e com as barreiras inevitáveis a aparecer na vida de todos nós. Me surpreendi ao decorrer da leitura pela forma como a trama é contada, parecia que estava vendo um filme; me surpreendi também pelo fato de que o título, a criança no tempo, se refere ao próprio stephen e não a filha desaparecida dele como pensei que seria. O autor quis mostrar como somos incapazes de enfrentar a vida sozinhos, como já disse, mesmo que o mundo adulto exiga isso, no fundo todos somos eternamente crianças.
'Stephen ficou olhando fixamente para a treliça de alumínio do alto-falante e admirou-se de sua própria inocência. Esta era uma das ocasiões em que ele achava que não havia crescido totalmente, sabia tão pouco como as coisa realmente funcionavam...(p.206)" Pensamento de Stephen ao perceber uma armação política em que ele ajudou a desvendar à imprensa.
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Nessa Gagliardi 29/11/2010

"Amor Para Sempre" foi meu debut em McEwan, e me deixou sem fôlego Entrou direto para a categoria dos favoritos. "A Criança no Tempo" tinha o difícil trabalho de me manter neste fôlego apaixonado ao estilo do McEwan e não conseguiu.
O tema, criança perdida, é doloroso, e me chamou a atenção desde o começo. Juntando à bela escrita do autor, seria difícil não me agradar, mas foi o que aconteceu. Achei a história totalmente arrastada, nada acontecia.
O último capítulo é lindo, quase salvou o livro. Pois é, quase.
Não gostei do balanço final.
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Aione 09/01/2019

A Criança no Tempo foi originalmente publicado em 1987 e recebeu sua primeira tradução para o português brasileiro em 1997 pela editora Rocco. Em 2018, ano em que Ian McEwan completou 70 anos, a editora Companhia das Letras publicou uma nova edição da obra.

Em A Criança no Tempo conhecemos a história de Stephen Lewis, escritor de livros infantis que tem sua vida modificada após o súbito desaparecimento de sua filha de três anos em uma ida rotineira ao supermercado. Entre os conflitos que a perda gera no casamento, o livro discorre sobre luto, culpa e, especialmente, sobre a passagem do tempo.

"O crescimento de Kate tinha se transformado na própria essência do tempo. Seu crescimento espectral, o produto de uma tristeza obsessiva, era não apenas inevitável — nada era capaz de fazer parar o relógio fibroso — mas necessário. Sem a fantasia de sua continuada existência, ele estava perdido, o tempo pararia. Era o pai de uma criança invisível."
página 9

A escrita de Ian McEwan pode ser considerada uma mescla de sensibilidade e esmero. Com uma narrativa bem-construída, o enredo se desenvolve quase que sem diálogos e de maneira não-linear, combinando acontecimentos presentes com lembranças e digressões, o que faz da leitura mais lenta, já que exige certa atenção do leitor.

Tal narrativa, porém, exerce função fundamental na exploração de uma das temáticas da obra: a passagem do tempo e sua relatividade. Ao contrapor passado e presente, é possível não apenas apurar todas as modificações ocorridas entre um e outro, mas também como a sensação sobre o tempo é subjetiva. Enquanto alguns eventos quase não são captados por Stephen — como sua participação nas reuniões do subcomitê governamental de leitura e escrita — outros têm duração extendida — como sua constante rememoração sobre Kate e seu esmiuçamento dos eventos que levaram a seu desaparecimento. A não-linearidade, também, permite uma maior construção das personagens, uma vez que eventos passados são apresentados em ordem de demonstrar tudo aquilo que as constitui, sejam acontecimentos em si, sejam as formas de como tais acontecimentos foram experienciados por quem os viveu.

"O dia em que ele agora se encontrava não era o dia em que acordara. Permanecia lúcido, decidido a avançar. Estava em outro tempo, porém não se sentia confuso. Era um sonhador que sabe que está sonhando e, embora receoso, permite que o sonho se desdobre por pura curiosidade."
página 75

O que, sem sombra de dúvidas, se destacou na leitura para mim foi a forma sensível de como impressões e sentimentos foram retratados. A ausência de Kate é uma presença constante na vida tanto de Stephen quanto de Julie, sua esposa, e a maneira de como ambos lidam com a dor é tanto comovente por si só quanto angustiante pelo que causa na relação entre eles. Ainda, ao longo da leitura nos é permitido refletir sobre tudo o que perdemos ou deixamos para trás, bem como naquilo em que nos transformamos, conforme o tempo passa. O tempo é agente de mudanças, assim como expõe muitas vezes fragilidades internas e nas relações humanas.

Embora A Criança no Tempo proporcione em muitos momentos uma leitura melancólica, não é esse o tom do final da leitura. E, ainda que o livro não tenha entrado para meus favoritos do autor, mais uma vez demonstrou o talento narrativo de Ian McEwan e seu olhar sensível ao retratar as dificuldades e anseios existentes em cada um de nós.

site: https://www.minhavidaliteraria.com.br/2019/01/09/livros-na-telona-a-crianca-no-tempo-ian-mcewan/
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Mariana Dal Chico 16/10/2018

“A criança no tempo” de Ian McEwan foi lançado pela primeira vez em 1987, recentemente ganhou nova edição pela @companhiadasletras .

Stephen Lewis é escritor de livros infantis e sua filha de três anos desaparece em um supermercado.
Acompanhamos um período difícil na vida de Stephen, que precisa lidar com a dor da culpa, a dificuldade no relacionamento com a esposa e a excentricidade de um grande amigo.

O ritmo de leitura desse livro é lento, há bastante digressão com flashbacks para o passado em meio a um pensamento do presente. É preciso estar sempre atento aos acontecimentos para não se perder.
Tempo e infância são os temas centrais.

Confesso que esperava mais, o final me decepcionou por ser um pouco forçado.
A escrita do autor é encantadora e a forma como ele aborda a contenção de sentimentos pelos adultos foi um dos pontos altos.

No geral é um bom livro, mas está longe de ser o melhor do autor - na minha opinião.

Instagram @maridalchico

site: https://www.instagram.com/p/Bl-3r-9n4hw/
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GETTUB 10/09/2018

http://gettub.com.br/2018/09/10/a-crianca-no-tempo/
Acredito que perder um filho seja a dor mais intensa, persistente e incurável que uma pessoa pode sentir. Não consigo imaginar como superar um sentimento desses. Alguns anos atrás, assisti a um filme que se chamava O TURISTA ACIDENTAL. Nele, o personagem principal, vivido por William Hurt, perde o filho em um acidente de trânsito. A história gira em torna da depressão que toma conta dele após a tragédia, da tristeza profunda pela falta do filho, do abandono da vida por não ter mais interesse, mas também pela conscientização de que ele continuava vivo e que, por isso, ele precisava se erguer e continuar. É um filme emocionante, triste, para ser visto com muitos lenços nas mãos.

A CRIANÇA NO TEMPO, obra de Ian McEwan, um dos maiores escritores de língua inglesa da atualidade, trata do mesmo assunto de uma forma completamente diferente, mas nem por isso, menos emocionante e marcante. Na história, Stephen, um bem sucedido escritor de livros infantis, está com sua filha, Kate, de 3 anos de idade, na fila do supermercado. Ele passa as compras para a moça do caixa, enquanto Kate está logo atrás dele. Ele olha para conferir a filha, e ela olha para ele, distraída. Ele passa mais um produto para a moça do caixa. Ele olha para trás de novo, mas Kate não está mais lá. Simples assim. Em questão de segundos, a filha desaparece. E é isso o que acontece com a maioria das crianças que se perdem em locais públicos. Basta uma olhada para o lado, uma conferida no celular, uma distração com algo exposto na vitrine de uma loja. Bastam segundos, pouquíssimos segundos.

A narrativa de McEwan, ao contrário do que eu esperava, e esse é o ponto que o diferencia do filme que mencionei no primeiro parágrafo, não se concentra no que acontece logo após o desaparecimento de Kate. Há apenas uma breve descrição das buscas, do período de depressão de Stephen e esposa, que culmina na separação de ambos, e pronto. Acontece um pulo grande de tempo, vários anos, e já acompanhamos Stephen na vida que ele consegue ter. Aliás, o tempo não é contínuo na história, uma vez que as memórias de Stephen são sempre trazidas para permitir ao leitor compreender quem ele é.

Acompanhamos, principalmente, sua participação em uma comissão do Parlamento para a saúde e educação das crianças, onde acontecem trechos carregados de ironia e com aquele humor discreto dos ingleses. Além dessas partes, também conhecemos o relacionamento de Stephen com seu amigo mais próximo, Charles Drake, que apesar de ser casado com uma física conhecida, desperta um interesse romântico no Primeiro Ministro, em uma pequena participação ao final do livro. Mas tudo isso só agrega um saber ao leitor de como Stephen leva sua vida. As partes que realmente entregam quem ele é, são as que narram sua infância com os pais, no período pós-guerra, onde as relações não eram tão compreensíveis e tranquilas quanto nos dias atuais.

Todas essas memórias, e situações do dia-a-dia, são intercaladas com pensamentos sobre Kate, sobre como ela estaria após tantos anos desaparecida, se algum dia ele a encontraria. Partes onde Stephen interage com uma garota sem teto, apenas porque ela lembra a filha se fosse mais velha, ou quando ele confunde a filha com uma criança que vê numa escola, são tristes e demonstram o quanto o personagem está afetado psicologicamente. Por mais que ele mantenha sua vida, no fundo, ela se mantém apenas por necessidade.

O relacionamento de Stephen com sua esposa, aos poucos, consegue ser retomado, e embora ele não faça parte da trama central, é com ele que o livro termina, de uma forma que pode doer mais o coração, porque demonstra que, quando se perde um filho, apesar da vida continuar, apesar do sorriso, apesar dos planos de novos filhos, apesar de tudo que demonstra que você está bem, no fundo, na verdade, você nunca esquecerá, você nunca estará bem de novo, porque um filho é a única coisa que nunca deixa você.

A CRIANÇA NO TEMPO é um livro inteligente, profundo, com nuances em cada parágrafo que exigem raciocínio do leitor, com uma carga emocional e psicológica imensa. Uma leitura que deixará você pensando por muito tempo. E se você for pai ou mãe, ao fim da história, com toda a certeza, irá abraçar seu filho bem forte, durante muito tempo, e agradecer pela benção.

site: http://gettub.com.br/2018/09/10/a-crianca-no-tempo/
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PorEssasPáginas 21/01/2019

(...) esta edição é de 2018, mas o livro foi originalmente escrito em 1987. E apesar de falar de coisas como máquinas de escrever e centrais telefônicas (daquelas antigas, com fios), o assunto em si é atemporal, pois trata de sentimentos humanos profundos: perda, tristeza, esperança.

O livro não traz o tempo só no nome, mas faz uma brincadeira com o tempo, indo e vindo entre passado e presente; entre as lembranças que Stephen tem de Kate e de Julie, e seu momento atual na narrativa. E também “brinca” o tempo todo com a infância (criança), relembrando a infância de Stephen, com Charles trazendo à tona a criança que existe nele.

Achei que com esse tema o livro todo giraria em torno somente da busca pela menina e os sentimentos dos pais. Mas, se fosse, seria apenas mais um livro. Mas a cabeça de Ian McEwan vai muito além e cria uma história totalmente inesperada, e exatamente como disse Benedict Cumberbatch: “Somente Ian McEwan poderia escrever sobre a perda com tamanha honestidade.” Foi isso mesmo que senti. Sem escorregar para o dramalhão, e de uma forma bem realista.
(...)
***Resenha completa no blog!***

site: http://poressaspaginas.com/resenha-a-crianca-no-tempo
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