História universal da infâmia

História universal da infâmia Jorge Luis Borges




Resenhas - História Universal da Infâmia


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Biblioteca Álvaro Guerra 17/05/2019

Antes de escrever 'Ficções' e 'O Aleph', Borges trabalhou como jornalista e publicou as 'biografias infames' nas páginas do jornal 'Crítica', de Buenos Aires, que introduziu um jornalismo moderno na Argentina, aberto ao sensacionalismo do Cidadão Kane e à participação dos grandes escritores do momento. Dividindo suas histórias com manchetes, entregando-se ao prazer intenso de imaginar crimes violentos, Borges inventa novas versões de casos de infâmia, alguns famosos, outros desconhecidos. Cria um estilo, de enumerações heterogêneas e tom sensacionalista. Borges, já conhecido nos anos 20 como grande poeta e ensaísta, descobre sua vocação de contista. 'História universal da infâmia', publicado em 1935, foi durante anos um livro quase secreto, embora um dos contos, 'Homens da esquina rosada', ficasse famoso pela evocação dos compadritos, os criminosos pitorescos dos bairros de Buenos Aires.

Livro disponível para empréstimo nas Bibliotecas Municipais de São Paulo. De graça!

site: http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/isbn/8525004352
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Paulo Sousa 28/02/2019

História universal da infâmia
Título: História universal da infâmia
Título original: História universal de la infamia
Autor: Jorge Luís Borges (ARG)
Tradução: Davi Arrigucci Júnior
Editora: Companhia das Letras
Ano de lançamento: 1935
Ano desta edição: 2008
Páginas: 96
Classificação: ??????
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"A história sabe os diversos momentos daquele pesadelo tão lúcido: a descida arriscada e pendular pelas escadas de corda, o tambor do ataque, a precipitação dos defensores, os arqueiros postados no terraço, o reto destino das flechas rumo a órgãos vitais do homem, as porcelanas infames, a morte ardente que depois é glacial" (Posição no Kindle 537/51%).
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Eu precisava ler alguma coisa do escritor argentino Jorge Luís Borges, para muitos um dos maiores escritores do século XX.
Acabei topando com este curto "História Universal da Infâmia", um livro difícil de ser classificado, já que, uma vez contada pelo escritor, atravessa séculos, oceanos e dimensões físicas e espirituais para descortinar a vida de criminosos, piratas, canalhas, falsários e profetas, todos tendo deixado em sua passagem por este plano seus nomes marcados nos registros infortunados da humanidade. Borges, nesses curtos contos (acho que podem ser assim classificados) se utilizou de uma bibliografia pré-existente, apropriando-se do que outros autores e historiadores escreveram acerca dos personagens que povoam o livro.
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No final se encontra o melhor conto, sobre o homem da esquina rosada. Fala. Sobre covardia e coragem, sobre modalidade duvidosa, o que facilmente leva o leitor a pensar que na verdade ninguém está isento de, um dia, habitar as páginas da infâmia. Na verdade todo o livro, revisitando existências marcadas não por heroísmo, patriotismo e outros "ismos", mas por existências que se confundem com o próprio ato de errar. Vale!
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jota 29/08/2018

É tudo uma questão de...
Penso que ainda me faltam mais paciência e inteligência literária para apreciar com profundidade as narrativas de Jorge Luis Borges. Mesmo quando elas se apresentam através de textos curtos como os desse volume, que não exigem tanto empenho do leitor em termos de leitura, compreensão e apreciação. Mas gostei de O Assasssino Desinteressado Bill Harrigan (sobre Billy the Kid) e de alguns textos de Et Caetera.

O restante das histórias não me disse lá muita coisa, não achei nenhuma delas especialmente curiosa, engraçada, comovente ou interessante a ponto de sair da leitura bastante satisfeito, como ocorreu com outros leitores. Mas isso parece ser um problema meu, claro: em termos de criação digamos que Borges sempre esteve ligado no 220v (altamente cerebral) enquanto eu como leitor me viro melhor no 110v (55% cérebro + 55% coração). Deve ser isso. Ou, quem sabe, algo mais complicado...

Lido entre 25 e 28/08/2018.
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Paulo 09/11/2014

desonrados
Costuma-se escrever sobre heróis e histórias com finais felizes. Esta pelo menos é a regra. Jorge Luis Borges neste livro, resolveu percorrer o caminho oposto. Escolheu como protagonistas de seus contos, vilões, facínoras e pessoas que tem características opostas aos heróis. Estes são das mais variadas origens. Uma de cada continente. Talvez a intenção de Borges seja mostrar que a existência de tais "más qualidades" não se restringe a um povo ou uma cultura. Mas, mesmo sendo de tão variadas origens e tendo praticado as mais baixas crueldades, ainda assim existe algo que os unem: a infâmia! A falta de honra, ou mesmo o desejo de se ter esta, em cada um dos seus atos desumanos.
Parece ser, desejo do autor, mostrar que esse infames existem em cada um de nós, mas que são, felizmente, dominados pelos "heróis" ocultos no mesmo lugar. Vezes sim, outras, não!
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Peterson Boll 28/08/2011

Borges e sua maestria única em transformar em poesia metafísica todos os seus escritos. Aqui, baseado em verdadeiras histórias, ele narra os personagens dando-lhes a sua tinta de apaixonante interesse pelas coisas humanas.
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Coruja 29/06/2011

Esse mês no Clube do Livro, continuando com nossa viagem de volta ao mundo, paramos na América Latina, mas especificamente na Argentina do incomparável Jorge Luís Borges.

Adoro Borges. Dos contistas, ele é um dos meus favoritos – Borges consegue conjugar cotidiano e absurdo e fazer daquilo que temos no dia-a-dia algo a ser visto sempre com novos olhos. É também um autor estilo Barsa, que nos espanta com sua cultura e nos deixa curiosos em buscar suas fontes – o que me faz pensar em Eco e Manguel, dois outros autores que sempre me dão enorme prazer e me forçam a estudar e pesquisar.

O História Universal da Infâmia segue essa tradição – embora esteja aquém das obras mais consistentes de Borges. Não é, exatamente, um livro de contos, mas uma coletânea de perfis curiosos e me fez pensar constantemente em um álbum de figurinhas.

Meus infames favoritos: Lazarus Morell, que aparece em Life on the Mississippi (que ganhei do Dé no amigo secreto do ano passado), Bogle e o mestre-de-cerimônias Kotsuké no Suké.

Lazarus Morell era um empresário de visão. Nos tempos da escravidão nos Estados Unidos, ele e seu bando prometiam liberdade e dinheiro para os escravos dentro de um esquema muito simples: os escravos fugiam de sua fazenda original, se deixavam vender pelo bando de Lazarus que, posteriormente, entregaria o dinheiro dessa venda ao escravo uma vez que ele voltasse a fugir.

O mesmo escravo poderia ser vendido e revendido várias vezes até pensar com seus botões que já tinha feito um bom dinheiro, ir atrás de Lazarus para acertar as contas e amanhecer no fundo do rio – o que proporcionava uma excelente campanha de marketing já que vendo que seus companheiros fugidos não voltavam, outros escravos acreditariam na farsa e também se deixariam vender após fugir.

Bogle, o companheiro de Tom Castro, é, para mim, o verdadeiro infame do segundo conto, uma vez que grande mentor da troca de identidades. Tom Castro, contudo, merece o prêmio óleo de peroba, porque, vou te contar, pense numa cara de pau você sair por aí depois de preso por identidade falsa a contar todo o esquema, mudando o final a cada vez...

A história do mestre-de-cerimônias, por sua vez, é bem pitoresca: por uma falha de protocolo, um grande senhor é morto e seus samurais a princípio, comportam-se como se não se importassem, atraindo assim a desonra. Na verdade, tudo não passava de um estratagema para fazer com que o tal mestre-de-cerimônias culpado baixasse a guarda, de forma que os samurais podem vingar seu senhor e em seguida cometer suicídio ritual para poder segui-lo.

Borges viaja por todo o mundo com sua galeria de infames – dos rincões da América Latina aos mares da China, colorindo cada uma dessas passagens com tintas tão fortes que nos sentimos também transportados a cada virada de página.

E pensar que está é considerada uma obra menor do gênio argentino... aí você imagina o que é ler uma de suas obras-primas...
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Cacá 22/06/2011

Borges é Borges! Podem chamá-lo de radical, reacionário, oq ue for. Mas ele é um autor que sabia manejar a pena e a língua.
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Gley 11/01/2010

Leitura rápida de qualidade.
Os contos deste livro servem como um bom aperitivo à obra de Borges, podendo ser considerados pequenas cápsulas de seu realismo fantástico característico.

Embora inferiores às histórias de "O Aleph", em "História Universal da Infâmia" o autor argentino utiliza seu estilo original para contar episódios de crimes reais em formato ficcional, o que gerou um livro curto porém divertido.

Para quem gosta de contos, inclusive, Jorge Luís Borges é um dos essenciais, junto com Anton Tchekov e Ernest Hemmingway.
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Sudan 30/05/2009

História Universal da Infâmia
Já matei 12 homens, sem contar mexicanos. A frase, atribuída pelo autor ao bandido Billy the Kid, é uma demonstração da ironia e do humor que perpassam essa coletânea de curtas biografias romanceadas dos maiores malfeitores da humanidade. Borges faz desse livro uma enciclopédia da crueldade.
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Aribra 05/05/2009


Várias narrativas curtas e que contam a vida de personagens de diversas nacionalidades. Sempre achei fantástica a capacidade de síntese de Jorge Luis Borges, ele consegue num parágrafo pequeno de poucas linhas expor com clareza e sensibilidade a vida de uma pessoa. É como ele mesmo diz no prólogo, reduz a vida de pessoas a duas ou três cenas. É claro, trata-se como tema central a infâmia e então temos uma gama de infames.
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Ronnie K. 27/04/2009

Borges antes de ser "Borges"
No ínicio da carreira de escritor, bem antes aliás de escrever os contos que o celebrizaram, Borges foi convidado, junto com outros colegas argentinos, a escrever uma coluna semanal de um jornal popular da época. Era o início dos anos 30. Em sua coluna, Borges escreveu as pequenas narrativas coligidas nesse volume. Mas do que tratam? São espécies de contos, mas não chegam a tanto. São pequenos relatos de fatos hitóricos, episódios da vida de criminosos como Billy the Kid, Monk Eastman, Lazarus Morell "transfigurados" pela pena irônica, erudita e (aqui) insuspeitadamente debochada do jovem Borges. São episódios da vida de personagens cruéis e inescrupulosos. Gente real e gente inventada pelo escritor. Tudo com o intuito de dar vazão a esse irresistível delírio criativo do senhor Jorge Luis. E o leitor sente que ele deve ter se divertido às pampas escrevendo essas linhas. O humor não é escancarado. Não, senão não seria Borges. É, antes, velado pela sutil erudição de sua pena, por uma discrição solene, visto o tratamento "respeitoso" de que ele reveste as bárbaras ações descritas. São rápidos relatos; as ações se sucedem ao ritmo de um video-clip. Evidentemente não há profundidade psicológica; muito menos tempo de algum personagem se fixar de fato na mente do leitor. Exigências do meio para os quais foram escritos. Mas é fundamental para os fãs de Borges conhecerem essa importante fase da formação do brilhante e maduro Borges de "Ficções" e "O Aleph". E também para quem quer ler narrativas escritas em um estilo original, incomum, de sutil humor. Histórias de viés sensacionalista, para diversão do autor e do leitor, escritas em uma linguagem ironicamente formal e carregadas de gratuitos e generosos adjetivos.
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