A Rainha Ginga

A Rainha Ginga José Eduardo Agualusa




Resenhas - A Rainha Ginga


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regifreitas 20/08/2020

A RAINHA GINGA, E DE COMO OS AFRICANOS INVENTARAM O MUNDO (2015), de José Eduardo Agualusa.

Ana de Souza (1583-1663) foi o nome cristão adotado pela rainha Ginga ou Jinga (Nzinga Mbande, no idioma quimbundo), que governou os Reinos do Dongo e de Matamba, na costa ocidental da África - regiões que hoje fazem parte da atual Angola. É a trajetória dessa mulher que o autor, também angolano, José Eduardo Agualusa, tenta reconstruir neste romance histórico.

Na verdade, embora leve o nome da rainha até no título, Ginga ocupa uma posição de fundo na narrativa, o que pode ser bem decepcionante. O personagem principal é o padre pernambucano Francisco José da Santa Cruz, e é a sua vida que acompanhamos, desde sua saída do Recife até sua chegada em Angola, onde se tornará secretário particular de Ginga.

A decepção citada acima vem do fato de Ana de Souza ser realmente uma personagem bem mais interessante que o próprio narrador. Uma mulher que governava com inteligência e sagacidade um pequeno reino africano, em pleno século XVI, é algo que certamente chamaria a atenção na época. Ginga parecia ter uma capacidade ímpar de governar e de fazer política. Aliou-se aos holandeses na guerra contra os portugueses, e se casou com vários chefes africanos da região, para forjar alianças militares e aumentar seu exército - conforme alguns relatos, ela mesma comandava seus homens nos campos de batalha. Ginga também apresentava algumas idiossincrasias inusitadas: como o fato de preferir ser chamada de rei, além de exigir que seus diversos maridos usassem trajes femininos, formando uma espécie de harém pessoal.

Existem outros livros que tratam mais especificamente sobre a vida e aprofundam mais a história da rainha africana. Com certeza quero ler mais sobre ela. Ao romance de Agualusa coube tão somente despertar esse interesse.

Leitura do mês de agosto para o Desafio Livros & Sabores: Angola.

site: vialittera.blogspot.com
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Fabiana.Amorim 17/01/2019

God save the Queen
Voltei aos escritores africanos seduzida pela história da Rainha Ginga, contada pelo talentoso Agualusa. Nessa história, o narrador é um padre pernambucano em crise de fé. Enviado à África para ser secretário da Rainha, virou inimigo dos portugueses e da própria igreja. Agualusa cria uma narrativa envolvente sobre personagens reais e ficcionais que circulam por Luanda, Angola e Pernambuco. A rainha foi grande combatente, estrategista e símbolo da resistência angolana no combate ao envio de escravos para as Américas pelos holandeses e portugueses.

Para quem é pernambucano o interesse é redobrado, pois há passagens do livro por aqui na época de Maurício de Nassau.

O livro é sobre a Ginga, mas como não é a narradora, não vira personagem principal. A nossa visão da história é a do padre.

Agualusa nos prende do começo ao fim. Amei.
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Emanuel 02/09/2017

Uma lição.
Tenho Angola na conta da África mais brasileira. Agualusa é um caminho sem erro na rememoração desta história tão cúmplice e que deste lado do Atlântico foi esmaecida ao longo do século XXI.
Este livro nos põe no ruidoso época e no impressionante mundo desta presença poderosa que é esta Ginga, rainha dos anbundos.
Aqui somos brindados com uma narrativa de vai e vem entre Brasil e África que ajuda a vislumbrar o quanto Angola foi cenário dos jogos volúveis da geopolítica européia, já projetada sobre as águas de muito além do Mediterrâneo e do Mar do Norte.
O balanço incerto dos dados que decidem o destino das nações, porém, não é tudo. É especialmente o esforço de acomodação de indivíduos ao engaste entre culturas diversas que representa o melhor deste livro, que, aliás, bem melhor nomeado seria se se apresentasse como sendo "No tempo da Rainha Ginga".
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Juliana 09/04/2017

Rainha rei Ginga
A cada frase, Agualusa nos presenteia com relatos impressionantes das grandes navegações, do Santo Ofício, da escravidão e de amor. Uma rainha que marcou a história: Ginga, que se declarava rainha-rei e que possuía a perspicácia de um diplomata, e em batalha a destreza de um soldado. Não se curvava a ninguém e seu poder ultrapassava o
reino. Autoridades reconheciam a sua grandeza, e vestiam-na de púrpura. A história do Brasil, se mistura com a da rainha. Somos ensinados na escola que os escravos e índios eram passivos, esqueçam isso! Esse livro traz um povo destemido, que não reconhecia a "soberania européia", que não aceitava ser subestimado. Texto permeado pela sabedoria africana, que as escolas (infelizmente) não ensinam mas que deveriam fazer parte dos nossos estudos.
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Sabrina 20/01/2016

Agualusa um autêntico pan africano!
A Rainha Ginga - Nzinga em ambundo ( língua de grupos étnicos bantus na região da Angola) ou Ana de Souza (nome dado após o batismo cristão) - é uma ficção angolana do angolano José Eduardo Agualusa, que dentre episódios históricos das guerras entre portugueses, holandeses e o povo de Luanda no século XVII, nos mostra as tradições africanas, suas crenças, apresentando-nos um pouco sobre a região como os rios férteis e também sobre o clima, além de questões escravistas tanto dentro do reino, onde era comum haver escravos de guerra e/ou por dívidas e o sistema escravista português e holandês que era a principal queixa da Rainha, denunciando, na visão dos africanos a ganância europeia por ouro, prata, homens e terras e a imposição religiosa da igreja católica.
Tudo isso é relatado dentro de um romance que permeia a vida de um padre Pernambucano, Francisco José da Santa Cruz (que é o narrador contando suas lembranças) nascido em Olinda e a luandense Muxima que tem início quando a Rainha Ginga o chama para prestar serviço de secretário ao seu reino.
Seu contato com a rainha o fez traçar seu perfil, ressaltando seus adjetivos que a fizeram permanecer por muito tempo no poder. Esta cassara-se com militares, vivia rodeada de homens que vestiam-se de mulher servindo-lhes de escravos, batizou-se no cristianismo, traçava junto aos seus, estratégias de guerra para manutenção e aumento do seu reino.
O primeiro contato entre portugueses e a região do Ndongo deu-se no século XV, com o navegador Diogo Cão que também levou para a região a figura do Diabo, inexistente naqueles sertões até então- como nos mostra uma conversa do padre Francisco com um quimbanda.
Não só sua história, mas também a de muitos personagens dessas guerras são contadas no livro, como a de padres Luso brasileiros, índios trazidos para guerrear (os jagas), etc.
Um livro extremamente rico aos que se interessam pela história africana. Pretendo ler outros livros do autor que me encantou com uma escrita leve que prende o leitor à trama.


site: www.gemeasporumacaso.com
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Ana Clara 16/09/2015

Achei o livro bastante interessante especialmente pela ambientação histórica e pela proposta de fazer uma história focada em uma rainha africana vizinha de Angola em meados do século XVII. Muito boa a ambientação na Africa e depois no Pernambuco recém-invadido pela Holanda. Quanto à Rainha Ginga em si, imagino que até por ser uma personagem histórica verídica, ela por vezes apenas faz parte do cenário da vida do narrador, um padre pernambucano. No entanto, impressionante a força dessa mulher de habilidades principescas inegáveis. Maquiavel ficaria encantado com a inteligencia estratégica, eloquência e personalidade magnética da Ginga, que chegou a fazer uma aliança com os holandeses para tirar Angola dos portugueses. Um detalhe engraçado e que chama atenção ainda o harém de esposas (homens vestidos de mulher) do Rei Ginga, como ela fazia questão de ser chamada.
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Ingrid 04/06/2015

"Rainha-rei"
Fiquei apaixonada pela escrita do Agualusa. Ele narra com muita leveza e faz comentários em primeira pessoa sempre relevantes e poéticos. A rainha Ginga é outro show a parte,uma figura histórica realmente interessante, uma pena somente a história não ter sido narrada por ela, e a rainha em alguns trechos ficar apenas nos bastidores, no entanto recomendo demais a leitura
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30/05/2015

Nesse romance de autoria do escritor angolano José Eduardo Agualusa, o padre pernambucano Francisco José de Santa Cruz conta a história de D. Ana de Sousa, nome cristão de Ngola Nzinga Mbande, a Rainha Ginga, que comandou os reinos de Ndongo e Matamba, na África, no século XVII, e lutou contra os portugueses.
Embora o livro leve o título de A Rainha Ginga, a história discorre mais sobre a vida e o trabalho do sacerdote pernambucano, que teria vivenciado as guerras entre Angola e Portugal ao trabalhar como secretário de Ginga.
O livro, apesar de misturar personagens reais e fictícios, possui muitas referências históricas sobre o Brasil, Portugal e a África.
Uma leitura bastante interessante.
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