A História dos Judeus

A História dos Judeus Simon Schama




Resenhas - A História dos Judeus


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Aguinaldo 26/07/2016

A história dos judeus: À procura das palavras (1000 a.C. - 1492 d.C.)
A experiência de ler um livro de Simon Schama sempre é muito mais que satisfatória. Lembro-me do assombro provocado pela leitura de "Cidadãos" e da miríade de informações que encontrei no "Paisagem e memória". Esse seu "A história dos Judeus" é o primeiro de dois volumes de um projeto ambicioso, que envolve também um documentário, uma série educativa em cinco episódios (de aproximadamente quinze horas), produzida para a televisão numa parceira entre a americana PBS e a inglesa BBC, série infelizmente não disponível no Brasil, mas que um leitor curioso pode apreciar em parte através da boa entrevista dele com Adam Hochschild, disponíveis no Youtube. Trata-se de um projeto em que ele se envolveu há quarenta anos, quando foi convidado para completar um trabalho iniciado por um grande especialista no tema, o historiador britânico Cecil Roth, que dedicara toda a vida ao assunto e morrera sem finalizá-lo. Schama nunca sentiu que estava preparado para enfrentar o tema até 2009, quando convidado a produzir uma série educativa para televisão sobre o judaísmo começou de fato a trabalhar no velho livro, sempre imaginado como uma ponte de comunicação e informação entre o público judeu e o público não judeu. A ambição é tremenda. Claro, trata-se de um projeto que envolve centenas de pesquisadores e colaboradores. Schama empresta sua reconhecida facilidade de expressão e síntese para organizar o livro (sua prosa é uma maravilha de ler, por mais árido que seja o assunto ou terrível que seja a descrição dos muitos desastres e sofrimentos de que padeceu o povo judeu). Ele sempre é sobretudo um narrador, que recolhe nas histórias particulares de indivíduos aquilo que é exemplar para toda a comunidade, de todo o povo. Ele fala do soldado que de uma fronteira remota escreve uma carta para a mãe; do poeta que canta sua fé; do sujeito anônimo que constrói uma sinagoga e deixa algo dele fixado nela; da mulher que faz negócios, empresta dinheiro; do vizir que era judeu; do cientista que constrói bússolas e escreve almanaques astronômicos; do doutor da lei que interpreta a Torá. Ele preserva a historicidade, na medida que um historiador do início do século XXI alcança ser fiel à um história que remonta 30 séculos, mas sabe povoar seu livro com associações e metáforas que talvez só a fé corrobore ou possa validar, como numa justaposição entre a memória e a razão, entre o menino que aprende na yeshivá e o cientista que orienta na academia. Sua história brota do papiro, dos cacos de cerâmica, do velino, dos pergaminhos, dos mosaicos, dos pergaminhos, dos incunábulos e do papel. Sendo assim é também a história da escrita, do livro, talvez a maior das aventuras do homem. Neste primeiro volume ele discute 2500 anos, percorrendo a geografia dos muitos êxodos, exílios, desterros, banimentos. A cada capítulo o leitor viaja milhares de quilômetros, centenas de anos: de Elefantina (no Egito) à Jerusalém, de Khirbet Qeiyafa e da Palestina à Roma, de Dusa-Europos à Bizâncio, das areias da Arábia Saudita à Guenizá do Cairo, de Trípoli à Fez, da Índia ao Báltico; de Mainz à York, da Europa do leste à península Ibérica. O volume termina num crescendo, com a descrição dos grandes massacres e expulsões em massa dos séculos XIII, XIV e XV. Quando ele conseguirá produzir o prometido segundo volume? O livro incluí uma série de mimos: dezenas ilustrações (de peças de arte, quadros, moedas, vestuário, livros, esculturas, frisos, espaços arquitetônicos), alguns mapas, detalhadas referências bibliográficas, notas e uma breve cronologia. Não há como um sujeito não aprender um bocado com Simon Schama. Vale.
[início: 22/04/2016 - fim: 15/05/2016]
"A história dos judeus: À procura das palavras (1000 a.C. - 1492 d.C.)", Simon Schama, tradução de Donaldson M. Garschagen, São Paulo: editora Scharwcz (Companhia das Letras), 1a. edição (2015), brochura 16x23 cm., 534 págs., ISBN: 978-85-359-2630-9 [edição original: The Story of the Jews: Finding the Words - 1000 BCE - 1492 CE (London: The Bodley Head / Penguin Random House Group) 2013]

site: http://guinamedici.blogspot.com.br/2016/05/a-historia-dos-judeus.html
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Felipe Novaes 22/09/2016

O judaísmo sempre foi uma incógnita. Eram os caras barbudos vestidos de preto e com costeletas em formato de cachos, com as mãos sempre cheias de livros. Era a fama de serem ricos, sovinas, mercenários. Como esquecer também das inúmeras perseguições pelas quais já passaram, sendo a do período nazista só o estopim da última delas, que vinha sendo construída desde o anti-semitismo cristão até o Protocolo dos Sábios de Sião (que acusava os judeus de uma grande conspiração para dominar a Europa).

Mano, eles também tem a melhor agência de espionagem do mundo, o Mossad. E tem o krav magá.

São muitos elementos soltos, mas ainda assim, vagos, sem coesão. O que prega o judaísmo? Um povo? Só uma crença?

Depois fui descobrindo muito mais. O fato curioso e mais descarado está óbvio na própria cultura ocidental. Jesus de Nazaré, hoje chamado de Cristo, era um judeu. O que hoje se tornou uma religião mundial começou como as pregações de um judeu humilde, sobre um judaísmo autoral. E isso pululava na Palestina daquela época. Jesus não foi o único pregador itinerante.

Séculos depois, quando adquiriu o status de religião imperial, o Cristianismo herdaria o status de "religião do livro". Sim, porque a crença judaica era basicamente abstrata, imaterial. A divindade única não era personificada materialmente. Talvez tenha sido esse caráter etéreo que fez a fé judaica não balançar ao longo da história. Não era imagens que eram destruídas, eram papiros cheios de palavras, que também já estavam gravadas pela leitura ou pela oralidade das mensagens. Aliás, talvez seja por isso a boa quantidade de intelectuais de ascendência judaica. Alguns dos mais famosos vc conhece: Einstein, Freud, o psicólogo Nobel de economia Daniel Kahneman.

Aliás, falando em monoteísmo...Assim como em sua gênese não podemos falar de um cristianismo único, também não se fala num judaísmo único. O Antigo Testamento guarda algumas das cicatrizes de um judaísmo plural lutando para se tornar singular. Um judaísmo que se confundia com a adoração iavita, eloíta, juntamente com as divindades do deserto, e do Egito -- afinal, existia um grande e suntuoso templo judaico em Elefantina, onde sacrifícios de animais eram feitos diariamente como um bom culto a YHWH.

Enfim, falar do judaísmo é falar sobre um povo que começou plural, lutou pela união ideológica, se dissipou e assim por diante. No meio disso, assimilou e foi assimilado pela cultura egípcia, helênica (as mesquitas surgiram no período helênico e guardavam muito da arquitetura grega) e islâmica (principalmente em Andaluzia, na Espanha, nos tempos de ocupação muçulmana).

Conseguiram se destacar em todos esses mundos, seja cedendo seus exércitos mercenários altamente treinados (para os egípcios, em Elefantina), realizando empréstimos para a igreja ou para a nobreza (o capital judaico financiou muitas das principais catedrais europeias) ou como elite intelectual (como Halevi e Maimônides, judeus de referência em poesia árabe).
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Eduardo 18/12/2016

Um excelente estudo sobre a formação do povo judeu, seu desenvolvimento e seu êxodo pelo mundo. Mostra-nos a adaptação do povo judeu entre todos os naturais de todos os países do mundo, mas sempre mantendo sua fé, seus costumes, seu ritos e rituais. Leitura extremamente importante para quem gosta de história!
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KADU-BASS 23/08/2017

Uma breve história , porém bem detalhada
O enredo comeca com o surgimento da comunidade judaica em elefantina no egito , marcada por diversos conflitos com o judeus ortodoxos de jerusalem . De como algumas praticas deveriam ser praticadas no judaismo .
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@APassional 10/12/2015

* Resenha por: Rosem Ferr * Arquivo Passional
Resenha disponível no blog Arquivo Passional, no link abaixo.

site: http://www.arquivopassional.com/2015/11/resenha-historia-dos-judeus.html
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