Grito

Grito Godofredo de Oliveira Neto




Resenhas - Grito


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vortexcultural 10/08/2016

Por Thiago Augusto Corrêa
A tradição teatral fundamentada em grandes obras através dos séculos e em definições teóricas postuladas são a base primordial para o desenvolvimento de Grito, nova obra de Godofredo de Oliveira Neto – doutor em Letras pela UFRJ e vencedor do 48º Prêmio Jabuti em segundo lugar pela obra Menino Oculto em 2005. Situado em um Rio de Janeiro contemporâneo a obra contrasta a relação de dois personagens de idades distintas cuja ligação explícita é amarrada pelo teatro.

Narrada pela octogenária Eugênia, uma fictícia dama do teatro brasileiro, a obra acompanha o cotidiano ao lado de Fausto, um jovem talento artístico, morador do mesmo prédio que ela, que se torna uma espécie de personagem platônico para a senhora, dando limites ao real e seu imaginário. A estrutura teatral invade a obra dividida em pequenos atos. Motivação que centraliza a ação – fator fundamental no drama – e a paixão que compartilham pelo teatro, bem como certa projeção da velha dama pela juventude desejada do garoto.

A narrativa se aprofunda no fluxo de consciência da octogenária, deixando o leitor na margem da dúvida sobre quem é, de fato, o ouvinte da história. Se são memórias relatadas para um amigo íntimo ou uma consciência própria, uma solidão que a desloca da realidade. Ou ainda um costume devido aos anos de profissão, acostumada a viver em voz alta devido as interpretações teatrais. A solidão e a nostalgia do sucesso se ressaltam nas lembranças da personagem e, ao lado do jovem Fausto, transformam o cotidiano em pequenos atos teatrais. Reinterpretando fatos cotidianos como se estivessem em cena e observando a própria vida como projeção ou possível material bruto para uma obra dramática.

Leia a crítica completa no Vortex Cultural.

site: http://www.vortexcultural.com.br/literatura/resenha-grito-godofredo-de-oliveira-neto/
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Valnikson 29/04/2016

1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer: Grito
O escritor catarinense Godofredo de Oliveira Neto é radicado no Rio de Janeiro, onde é professor universitário. Com trabalhos consagrados pela crítica nacional e internacionalmente, ele demonstra-se detentor de uma sólida base literária aliada a um engenho criterioso e de agudo cuidado estético, conseguindo, ainda, abranger um público bastante diverso. Seu romance Grito utiliza-se de elementos ligados ao universo do teatro para tratar das fronteiras entre a realidade e a fantasia, apresentando o relato de uma atriz aposentada e sua intensa relação com um jovem que almeja o sucesso nos palcos. (Leia mais no link)

site: https://1001livrosbrasileirosparalerantesdemorrer.wordpress.com/2016/04/29/59-grito/
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ricardo_22 06/06/2016

Resenha para o blog Over Shock
Grito, Godofredo de Oliveira Neto, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Record, 2016, 160 páginas.

Por mais que tenha tentado escrever essa resenha pouco depois de concluir a leitura de Grito, foram necessárias pelo menos duas horas e ainda assim elas foram insuficientes para que encontrasse as palavras que melhor descrevessem o novo trabalho de Godofredo de Oliveira Neto, escritor ganhador do Prêmio Jabuti. Geralmente isso acontece com as melhores leituras, mas dessa vez o motivo é bem diferente: apenas não consegui formar uma opinião convincente.

Narrado pela octogenária e ex-atriz Eugênia, Grito conduz o leitor a uma série de experiências vivenciadas por sua protagonista ao lado do jovem Fausto. Em uma espécie de conversa com o leitor, que aparentemente não é o seu único interlocutor, a ex-atriz apresenta o íntimo da relação entre as duas personagens e cria dúvidas sobre os verdadeiros sentimentos que foram despertados através dessa intensa relação de amizade. Como história essa poderia ser apenas mais uma, entre tantas outras, que narram casos semelhantes; como narrativa, o autor surpreende pela maneira como a conduziu.

O primeiro ponto que me fez ficar interessado por essa história foi o fato de ela ser desenvolvida no meio teatral, afinal, cada dia que passa, me vejo mais interessado por tudo o que envolve a segunda arte. Mas tão logo iniciei a leitura, percebi que o teatro não é apenas um mero detalhe na obra em questão. Ele é como o melhor amigo do protagonista, que pode estar sempre em segundo plano, mas que no geral é de extrema importância para todo o contexto e fundamental para o desfecho. O teatro é o que dá vida ao que é lido ao longo dos 21 atos em que a história é dividida; sem ele nada seria possível.

O que prova as minhas palavras é a narrativa escolhida pelo autor. Além de apresentar a narração de sua protagonista, com a simplicidade de uma senhora contando sobre seus medos e anseios, Godofredo de Oliveira Neto optou também por intercalar sua escrita com textos teatrais, alguns inclusive criados pelas duas protagonistas. E isso deu um gás a mais ao enredo, como se fosse o impulso necessário para que a verdadeira essência da obra ficasse clara aos olhos do leitor. E essa essência nada mais é do que a dúvida sobre o que é real ou não nos relatos de Eugênia.

site: http://www.overshockblog.com.br/2016/06/resenha-389-grito.html
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Carolina DC 23/10/2016

Conforme a sinopse explica, o livro é escrito no formato de uma peça teatral, composta por 21 atos.
A protagonista é Eugênia, uma senhora de idade conhecida no teatro que tem como vizinho Fausto, um jovem talento. Apesar de estar aposentada do teatro, Eugênia respira e vive a interpretação e coloca sob suas asas Fausto, o jovem de 19 anos de idade.
Em uma narrativa que alterna entre a admiração platônica e um sentimento de posse que Eugênia sente por Fausto, o leitor mergulha nesse drama intenso.
"- A senhora se arrepende?
Se me arrependo? Claro que sim. Mas o Fausto, de uma certa maneira, é o culpado. Devia ter me consultado antes. Eu sempre fui a plateia e a atriz exclusiva dele. Por que mudar as regras do jogo?" (p. 155)

A narrativa é construída de tal forma que ficamos na dúvida se é um delírio, um relato do passado ou realmente um acontecimento.
Godofredo de Oliveira Neto possui uma escrita rica e complexa, capaz de envolver o leitor do começo ao fim do livro.
Eugênia é uma protagonista fascinante. Seus anos de atuação a tornam uma figura altiva, determinada e sem medo de expressar-se.
O livro é uma expressão visceral dos desejos mais íntimos do ser humano, de suas necessidades e de seus sonhos. Através desse cenário mais teatral, o autor coloca em pauta temas importantes para debate que são atemporais em nossa sociedade.
"A voz do amor. O desejo trazido pela linguagem, a linguagem que exprime o desejo. Amor e paz. É o que aprendi na minha religião. E você é só violência". (p. 128)
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Malucas Por Romances 26/01/2017

Grito
O Grito é um livro do autor Godofredo de Oliveira Neto, escritor ganhador do Prêmio Jabuti e escreve obras do gênero ficção. É a primeira vez que leio algo desse autor, realmente fiquei muito surpresa com a escrita dele e a forma que ele conduziu todo o livro. Quando comecei esse livro fiquei mais perdida que cego em tiroteio, achei que permaneceria assim durante toda a leitura. Sim, teve momentos que me perdi, mas em outros eu estava bem ciente do que tava acontecendo. Será uma resenha breve simplesmente porque de alguma forma preciso me expressar e não quero dar spoiler, então se preparem pra confusão da minha mente kkkkk.

"- A senhora se arrepende?Se me arrependo? Claro que sim. Mas o Fausto, de uma certa maneira, é o culpado. Devia ter me consultado antes. Eu sempre fui a plateia e a atriz exclusiva dele. Por que mudar as regras do jogo?"

O livro é uma espécie de roteiro de teatro e foi divido em 21 atos. Grito conta a história da senhora Eugenia de 80 e poucos anos e do Fausto um jovem negro de 19 anos. Eugenia é uma senhora que na juventude era atriz e hoje em dia ajuda Fausto a escrever e interpretar. Com essa convivência a dona Eugenia começa a ter por Fausto um sentimento de posse, sentindo inclusive ciúmes das mulheres que ele vê ou convive. Eles fazem da sala de Fausto o palco deles e é lá que tudo acontece, desde as idéias pra novos roteiros, até mesmo breve encenações e é nesse apartamento que tudo acontece.

"Fausto traz alegria diariamente para este apartamentozinho pequeno onde vivo com os meus personagens passados e presentes, imaginados e recriados todas as noites depois de um cálice de vinho por recomendação do médico."

O livro é contado todo pelo ponto de vista da Senhora Eugenia, ela muitas vezes parece que tá conversando com o leitor, nos conduzindo pra dentro de suas memórias e pensamentos. Enquanto eu fui lendo entrava em sua mente e muitas vezes confundia o real com o que seria mais um dos seus pensamentos teatrais. Traz a tona clássicos como de William Shakespeare, Goethe, mas sempre com uma pitada de debate pra tudo.

Resenha completa no blog

site: https://malucaspor-romances.blogspot.com.br/2017/01/resenha-grito.html#more
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Aguinaldo 28/02/2017

grito
De Godofredo de Oliveira Neto só conhecia os dois machadianos e curiosos contos reunidos em "Ilusão e mentira", de 2014. "Grito" é seu romance mais recente. Foi publicado no outono do ano passado. Trata-se de uma proposta também curiosa, que usa admiravelmente bem a linguagem para descrever o que se passa na cabeça de uma idosa atriz, Eugênia, mulher solitária, já aposentada e encerrada em um apartamento de Copacabana. Nos vinte e um "atos" em que é dividido o romance acompanhamos vinte e um "esquetes" teatrais que brotam da imaginação e fantasia de "dona" Eugênia. Alguns flertam com a realidade, mas a maioria deles são apenas sonhos, fragmentos de romances antigos, memórias em curto-circuito, ideias amalucadas para montagens teatrais. A consciência dela parece tentar entender a si mesma e os sucessos da vida de um vizinho, Fausto, rapaz que aparentemente afeiçoou-se a ela, pode ter planos de tornar-se ator e esporadicamente a recebe em seu apartamento. O que Godofredo de Oliveira mais acertadamente registra em seu livro são as dificuldades, quando não a impossibilidade, de comunicação. O entendimento que fazemos dos outros nunca é preciso. E na vida, sempre somos mais inventivos e criativos que na ficção. Isso é irrelevante, mas lembrei-me imediatamente de um filme antigo de Peter Yates, "O fiel camareiro" (The Dresser, no original) no qual acompanhamos os últimos atos de um ator senil (dois grandes atores, Albert Finney e Edward Fox, interpretam os protagonistas do filme, respectivamente, o velho ator e seu "fiel" camareiro). Assim como Yates, Godofredo de Oliveira Neto soube contar uma bela história. Vale.
[início: 05/01/2017 - fim: 06/01/2017]
"Grito", Godofredo de Oliveira Neto, Rio de Janeiro: editora Record, 1a. edição (2016) brochura 14x21 cm., 158 págs., ISBN: 978-85-01-10701-5

site: http://guinamedici.blogspot.com.br/2017/02/grito.html
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Maria - Blog Pétalas de Liberdade 04/03/2017

Resenha para o blog Pétalas de Liberdade
“Liberdade e o mal não combinam.” (página 36)

Em “Grito”, conheceremos Eugênia, uma senhora de oitenta e dois anos, que mora num apartamento no mesmo prédio de Fausto, um jovem de dezenove anos. Eugênia trabalhou como atriz de teatro por aproximadamente seis décadas, agora, aposentada, tem como diversão criar, ensaiar e apresentar peças teatrais com Fausto, já que o jovem tem vontade de ser ator de teatro. Eles sempre se reúnem no apartamento dela ou no dele, para discutir suas ideias, escrever roteiros e encenar as histórias.

Eugênia já se acostumou com as esquisitices de Fausto, ele não para em emprego nenhum, é sempre a mesma rotina: consegue um emprego, fica eufórico e grita, é despedido poucos dias depois, mas não sem antes fazer um novo amigo no trabalho. A preocupação de Eugênia é com essas amizades que Fausto arruma. Ciúmes? Ela diz que não, mas é que pelas informações que ela reúne sobre esses amigos, seja através do porteiro ou vasculhando as redes sociais, nenhum parece ser boa pessoa, e pode complicar a vida do rapaz.

“A Adelita, pelo que vi na internet, já esteve enrolada em negócio de droga. Não exatamente ela, mas o sujeito com quem andava. (...) E você não vai acreditar: ela tem onze irmãos, são doze filhos com ela. Uma escadinha, vi uma foto no Facebook. (...) E bem verdade que tem muita mentira nas redes sociais. Perfis falso, identidade trocada e por aí afora. (...) As redes sociais, de certa maneira, acabam por fazer algo parecido com a catarse provocada pelo teatro. Dá para purgar um pouco as paixões.” (página 64)

E assim transcorre a amizade de Eugênia e Fausto, até um desfecho imprevisível, chocante e digno da dramaturgia.

“Grito” é uma leitura rápida, não só pelo reduzido número de páginas, mas por ter trechos dos roteiros criados por Eugênia e Fausto. É uma obra que pode ser analisada em diversas partes: no conhecimento de Eugênia sobre o teatro, na relação dela com um rapaz bem mais jovem, no uso das redes sociais para se informar sobre a vida dos conhecidos de Fausto... Ainda que terminemos a leitura sem todas as respostas, sem conhecer a fundo quem realmente era o Fausto, é uma obra interessante de se ler, especialmente pelo desfecho inesperado (ou não) e pela forma diferente de contar a histórias, mesclando roteiro e depoimento.

“As minhas ponderações acabaram por ter algum resultado. Fausto aceitou que o espaço fosse o Mahagonny, do Brecht, de que ele nunca tinha ouvido falar. Sua cultura é ainda bastante rala, mas como é jovem e com ganas de aprender, tem grandes possibilidades de crescimento. Abandonou um deserto mortífero e optou por um deserto à beira-mar, onde os problemas e o verdadeiro perigo e a real ameaça são os seres humanos. São eles que avinagram o amor e o prazer.” (página 63)

A edição tem uma capa interessante, eu gostei da combinação de cores, do vermelho e do branco. As páginas são amareladas e porosas, a diagramação tem margens, letras e espaçamento de bom tamanho, e a obra está bem revisada.

Fica a sugestão para quem gosta de teatro, ou procura uma leitura rápida e com um desfecho impactante.

site: http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/2017/03/resenha-livro-grito-godofredo-de.html
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