Meia-noite e vinte

Meia-noite e vinte Daniel Galera




Resenhas - Meia noite e vinte


46 encontrados | exibindo 16 a 31
1 | 2 | 3 | 4


Jo Netto 09/03/2018

Amargo, ácido e suave
O livro trata basicamente do modo como os personagens lidam com as frustrações e amarguras da vida adulta, desde escolhas feitas na juventude até às consequências de seus atos recentes ou antigos.
O amargor dos personagens e a forma que o autor trata da dicotomia entre as relações de amizade vs a privacidade de cada um torna a leitura um eterno jogo de gato e rato, onde o leitor é surpreendido por saber para onde a história caminha, sem necessariamente saber como ou a motivação real.

Uma obra que retrata muito bem a amargura da geração dos Milleniuns que chegam agora a vida adulta.
comentários(0)comente



Bruno Cortez 08/03/2018

História rasa, mas a leitura é um deleite
A história do livro é bem rasa e simples, nada misterioso e envolvente como "Barba ensopada de sangue". Os 3 personagens narradores do livro são interessantes e bem desenvolvidos. As tramas paralelas transitam por temas contemporâneos, de forma realista e suave ao mesmo tempo, fazendo com que não desgrudemos do livro. Não é o melhor romance do Galera (na minha opinião), mas o mais saboroso de ler.
comentários(0)comente



Camila.Dias 24/02/2018

Não leva a lugar nenhum
O livro trata do rencontro de três amigos, após a morte de um outro amigo. Esse reencontro reaviva lembranças de cada um deles e das histórias que viveram juntos na adolescência/juventude.
O livro é narrado em primeira pessoa e cada capítulo é feito sob o olhar de cada um dos personagens vivos, muitas vezes tratando sobre a relação de cada um deles com o amigo morto.
Achei que o livro começa no meio do nada e não leva a lugar nenhum no final, não senti conexão com nenhum dos personagens durante a trama, mas confesso que li até o final pra saber aonde a história ia dar.
É o primeiro livro do autor que leio, e confesso que não foi um bom começo.
comentários(0)comente



zoni 31/01/2018

Horrível?
Eu comecei a ler esse livro em setembro de 2017, porém, só tive disposição para terminar o mesmo agora esse ano. E que livro chato, hein? Não me lembro de muita coisa quando comecei esse livro, mas tenho certeza que quando o comecei já me bateu a decepção. Galera, nos da uma história tão lenta, chata e sem propósito que fica difícil de entender.

Durante toda a leitura eu senti que não fazia sentido, nada na história me atraiu, a escrita é genérica e não tem nada de novo ou marcante. Os personagens são distantes, vazios e não nos deixam conhecer. A coisa mais chata do livro são as mudanças abruptas de narração e personagens, isso me deixava perdido e confuso.

Já tinha visto outras pessoas falarem mal de outros livros do Daniel Galera, mas ainda assim dei uma chance para esse livro, e bem, não rolou. É um livro péssimo.

site: instagram.com/nomeiodatravessia
comentários(0)comente



Ivandro Menezes 07/10/2017

UM LIVRO SOBRE OS PRIMEIROS QUINZE ANOS DA INTERNET
Tenho este livro desde dezembro de 2016, porém só agora fiz sua leitura. Aguardado com alguma expectativa pelos fãs do autor, o sucessor de Barba Ensopada de Sangue passa-se em Porto Alegre e narra a história de um grupo de amigos que se reencontram para o enterro de um deles, o Duque, em 2014, em meio ao clima das manifestações do ano anterior, uma greve de ônibus e uma onda de calor que invade a capital gaúcha.

Cada capítulo é narrado por um dos amigos (Aurora, Emiliano, Andrei), trazendo seus dramas e a memória de sua relação (encontros e desencontros). Para mim, a verdadeira história não é a desses amigos, mas da primeira geração da internet. Os amigos que formavam um e-zine no fim dos anos 1990, passaram por todas as redes sociais (desde o antigo chat do UOL, passando por redes de encontros, até chagar ao Skype e WhatsApp). Nesse aspecto, soa ambicioso e torna-o lento em muitas de seus trechos.

Confesso que não conseguia largar o livro em uma boa parte dele. Há momentos em que o autor estica demais os capítulos, mas cria contextos em que as lembranças vão sendo inseridas com bastante sagacidade, ou seja, as lembranças não são lançadas ao nada, como um amontoado de fatos passados.

Os personagens são densos (um jornalista freelancer com problemas para assumir seus afetos e relacionamentos, uma bióloga que perdeu a esperança é busca desesperadamente uma conexão verdadeira com outro ser humano e um publicitário bem sucedido que insiste em não crescer) e mergulham numa gama de situações e memórias de um tempo que foi, mas não continua bom.

A escrita do Galera é impressionante, o domínio da linguagem e técnicas narrativas são impressionantes. O uso do vernáculo é rebuscado, mas sem cair no pedantismo ou artificialidade. O enredo é lento. Fica a sensação de que algo está para acontecer o tempo todo e não acontece. Não existe viradas sensacionais ou coisas do tipo. Para alguns leitores, isso pode incomodar.

Um bom retrato da geração nascida na década de 1980, que não nasceu na internet, mas desbravou-a em seu primórdios.

Um bom livro!
comentários(0)comente



Zeka.Sixx 05/09/2017

Um brilhante retrato de uma fugaz época
Entendo quem não tenha achado o livro grande coisa, parece-me realmente que não é uma leitura que desperta o interesse de todos. Para mim, foi algo viciante, até mesmo pela minha familiaridade com o universo do livro: a cidade de Porto Alegre - e sua assustadora decadência, aqui brilhantemente retratada -, a "midlife crisis" antecipada da minha geração - a única a abraçar o mundo pré e pós-internet com a mesma intensidade -, as lembranças dos sonhos dos jovens e da vibrante vida noturna da cidade no final dos anos 90 e início dos anos 2000, as referências ao mítico e-zine Cardosonline...
Galera talvez tenha mirado em um grupo seleto, mas ao acertá-lo, acertou em cheio, criando uma narrativa fantástica.
Sim, os personagens são um tanto clichês. Mas não somos todos nós, no fim das contas, clichês ambulantes, de certa forma?
Meu único porém ao livro é que ele poderia ser melhor desenvolvido: parece que acaba quando a história vai engrenar de vez, deixando um gosto de "quero mais" após tantas páginas desenvolvendo tão bem os personagens e o cenário. Senti que havia história para mais umas 50 ou 100 páginas, tranquilamente.
Um dos melhores livros nacionais que li nos últimos tempos.
comentários(0)comente



Tsutsui Takaji 21/07/2017

O cotidiano de alguns minutos
A premissa do livro inicia-se com a morte de Andrei, o único de uma turma de "Comunicação" da década de 90 que seguiu a carreira de escritor. Junto com Aurora, Emiliano e Antero fundou uma fanzine no alvorecer da Era da Internet. Anos depois do projeto fadado ao fim, é morto em assalto e essa notícia é recebida com surpresa pelos três colegas. Uma narrativa em poucos capítulos, com pontos de vista alternando entre alguns que já foram próximos do escritor morto, povoada por técnicas sofisticadas, detalhes e um fluxo de consciência contínuo, explorando temas como sexismo, pornografia, alienação e amadurecimento (ou não), o quinto livro de Daniel Galera explora a própria geração, percorrendo as entranhas e fetiches de seus personagens.

Nos dois livros anteriores, Cordilheira e Barba Ensopada de Sangue - um romance que veio para agitar o cenário literário brasileiro, com marcas de regionalidade e pós-modernismo -, as principais características são uma firmeza literária ajuntada de temas não tão comuns, adicionados à um personagem "inadequado" e carismático. Embora os personagens desempenhassem grande parte do teatro desses dois, havia a presença de um roteiro que percorria toda a história. Em Meia-noite e vinte, esse roteiro é substituído por uma prolixidade experimental do escritor, que relatou que o projeto foi realizado em "explosões de criatividade" durante intervalos de outros projetos.

Talvez este simbolize uma mudança na trajetória do escritor, ou talvez seja só um relapso de liberdade entre romances mais densos. Invés de um arco de personagem mais bem construído, temos um relato quase do cotidiano, um ode ao próprio talvez. Dado certo momento, uma personagem diz que todos as reflexões filosóficas do mundo retornam para Mito de Sísifo, de Camus, o maior representante do absurdismo - onde temos Sísifo, o mito, erguendo sua pedra todo dia e sorrindo para o absurdo (resumindo quase ofensivamente). O principal instrumento literário, o fluxo de consciência, provém de outro romance que preza o herói do cotidiano; Ulisses.

As questões abordadas pelo livro são tipicamente pós-modernas; há solidão, há tédio, há metalinguagem. No entanto, o principal tema é uma juventude perdida, uma crueldade clássica, e também a relação dos personagens com essa perdição, com uma ansiedade quase infantil por um fim do mundo. Anos depois de terem atingido o ápice de suas vidas, os protagonistas ruminam memórias dos anos de e-zine e tentam vivenciar novamente o fim do milênio, seja com sexo, biografias ou exercícios físicos.

Os personagens de Emiliano e Aurora (que ecoa um pouco de Molly Bloom) são muito bem explorados, enquanto Antero é um poço de superficialidade (talvez proposital?), mas são todos ecos de uma geração que agora degrada-se no próprio anseio e fetiches, em conflito com a nova era. Antero, por exemplo, não corta seu cabelo curto desde a juventude, também é capaz de participar de uma manifestação ou fazer uma palestra sobre 120 dias em Sodoma - e o leitor é levado a questionar, se esse personagem que entramos em contato é ele mesmo ou um reflexo do que ele quer ser.

Temos também o deleite de aproveitar um Porto Alegre do passado e um Porto Alegre intermediário, junto com as manifestações de 2013, o que não deixa de ser uma satisfação, pois ainda há uma fantasia de que os grandes romances se passam fora do Brasil.

Embora empalideça um pouco ao lado de Barba ou Cordilheira e a prolixidade às vezes o prejudique, o novo romance de Daniel Galera é uma possível mudança para a escrita deste, mais experimental, mais estilosa, e é essencial para os seus fãs, nem que seja por pouco mais que vinte minutos.

site: http://uselesslyhysterical.blogspot.com.br/2017/07/meia-noite-e-vinte-resenha.html
comentários(0)comente



Felipe.Tavares 19/07/2017

Que sono zZzZz
Criticar é sempre mais fácil que elogiar, então vamos lá.
O autor mistura vários temas considerados "polêmicos" (?!) e espera que assim tudo vai dar certo, não dá. Tem homossexualismo, masturbação, alcoolismo, fim do milênio, passeatas de 2013, apocalipse e por aí vai. No fim das contas ele cria uma teia que não chega a lugar nenhum e pior, deixa uma série de buracos na trama porque gastou as páginas e páginas se mostrando intelectual demais citando autores e seus livros, aromas de whisky e especificidades da cana de açúcar.
Primeiro (e último) livro que vou ler deste autor e nem adianta tentar me convencer do contrário.
Diego Lops 04/01/2018minha estante
Há livros bons e ruins. Mas há também leitores bons e ruins, estes bem mais numerosos.


Felipe.Tavares 22/02/2018minha estante
Ainda bem que vivemos num mundo em que cada um pode ter sua opinião, né? #paz


() 07/07/2020minha estante
É como dizem: criticar é fácil, difícil é fazer melhor.




Aline T.K.M. | @aline_tkm 30/06/2017

Geração ICQ
Meia-Noite e Vinte é o sétimo livro do autor do incrível Barba Ensopada de Sangue. Aqui, ele traz a juventude desiludida dos anos 1990 enfrentando as questões da vida adulta, em meio às memórias de um tempo que não volta mais.

Três amigos se reencontram, após anos sem se verem, para o enterro do quarto integrante do grupo que eles um dia foram quando jovens. Entre o luto e os dilemas da vida atual, eles rememoram a juventude, vivida numa época marcada pelo boom da internet e por uma espécie de desesperança – de certa maneira, um presságio de tudo aquilo em que o mundo se tornaria nos anos que se seguiram.

Duque, ou Andrei Dukelsky é morto em um assalto nas ruas de Porto Alegre em janeiro de 2014. Escritor famoso, mas um tanto discreto, ele foi ao longo dos anos saindo do mundo online, deixando de atualizar algumas redes sociais, deletando seu perfil em outras, enfim, borrando seus rastros na web.

Sua morte prematura deixa inconformada uma legião de fãs e também uma esposa que não sabe muito bem lidar com o papel que agora esperam dela. Ela apenas trata de cumprir as orientações que o marido lhe havia deixado caso um dia acontecesse algo com ele: destruir seus manuscritos e apagar completamente todos os seus perfis online.

A tragédia também é responsável pelo reencontro de Aurora, Emiliano e Antero. Junto com Duque, quando jovens eles mantinham o e-zine Orangotango, que bombou lá no começo da popularização da internet, no final da década de 90. Deles, apenas Duque continuou no ramo da escrita. Emiliano foi para o jornalismo e, logo após a morte do amigo, acaba recebendo a difícil proposta de escrever a biografia de Duque.

Aurora seguiu a área de biológicas e vive uma estressante batalha acadêmica na universidade. Ela é apaixonada pelo que faz, mas sente certo vazio dentro de si e sofre para encontrar a medida entre a maturidade e a inocência dos tempos de garota.

Já Antero é um publicitário de sucesso que, na juventude, fez um vídeo que viralizou na web, garantindo a ele certo sucesso e moral com as garotas. Atualmente bem-sucedido, casado e com um filho pequeno, Antero tenta digerir o fato de que as coisas – e ele mesmo – já não são como nos tempos passados.

A narrativa sempre deliciosa do Galera aparece aqui repleta de referências aos anos 90 – quem foi jovem nessa época vai se identificar horrores!

A gente mergulha no mundo particular de cada um dos amigos e em suas lembranças com Duque. E também seguimos o início do processo de pesquisa de Emiliano para a biografia do amigo escritor, pesquisa que o levará a descortinar alguns fatos sobre Duque que o deixarão um tanto perturbado.

Um mundo em pedaços com um fim já profetizado, um bug que afetaria todos os computadores na virada do milênio, um presente sem muita margem para grandes perspectivas sobre o futuro. Quinze anos depois, a constatação de uma vida tão diferente e, ao mesmo tempo, tão ligada àqueles dias do passado. Dias de desilusão, mas dias de ouro.

Meia-Noite e Vinte traz, sim, um pessimismo em suas entranhas. Mas, no fim das contas, mostra que o que restou daquele mundo não são apenas cinzas e coisas mortas. Talvez haja, ainda, uma luzinha de esperança escondida nos lugares menos prováveis, especialmente dentro de cada um.

LEIA PORQUE
Escrita cativante + trama envolvente sobre pessoas, sobre uma época, sobre uma geração + referências que levam o leitor de volta à infância e juventude = livro arrasador, na certa! Taí a fórmula perfeita para uma leitura que vai te deixar tudo, menos indiferente.

DA EXPERIÊNCIA
Eu quis muito um Pense Bem, passei noites no ICQ, baixei músicas no SoulSeek... Isso é só para vocês terem uma ideia de como esse livro dialogou comigo. Leitura excelente!

FEZ PENSAR
O também sensacional A Maçã Envenenada, de Michel Laub, traz os anos 90 com uma pitada singular de pessimismo, mas com um quê de luz no fim do túnel. Um livro sobre memórias dolorosas, escolhas e extremos.

site: http://www.livrolab.com.br
comentários(0)comente



Marker 29/05/2017

Ainda é uma memória bem clara pra mim o período, ali pelos idos de dois mil e sete, que topei com Até o dia em que o cão morreu, romance de estreia do Daniel Galera. Era por volta das três da tarde e eu fazia minha ronda semanal na Pernambooks, agora falecida livraria que ficava na Rua Barão de São Borja, coração do bairro da Boa Vista, no Recife. Eu devia ter em torno de quinze anos, e estava na fase mais leitora da minha vida até então. Os anos de Harry Potter haviam passado num flerte discreto, e eu me dedicava a uma investigação feroz da então contemporânea prosa brasileira. Foram anos de Joca Terron, João Paulo Cuenca, Cecília Giannetti, Daniel Pellizzari, Antonio Prata, Chico Mattoso, e nenhum deles fazia comigo o que Galera conseguia fazer. Livro de um fôlego só, Cão era repleto de temas que eu ainda não compreendia muito bem em sua complexidade: estavam lá a inadequação, a incerteza, o ódio, o amor, e tantas outras coisas que eu conhecia, só não sabia nomear. Faço essa introdução só para explicitar os motivos pelos quais a leve decepção com a leitura de Meia-noite e Vinte me foi tão desagradável.

Se colocadas lado a lado, as vozes do Galera neste e naquele livro poderiam até passar por escritores diferentes, e eu não falo isso num tom totalmente congratulatório de felicitação a um escritor que amadureceu e encontrou sua forma e estilo. Se Cão tinha uma espontaneidade quase adolescente -quase, porque o rigor formal estava todo lá-, Meia-noite soa como um livro forjado pelo estereótipo do escritor: auto-consciente, apaixonado por si mesmo, perdido numa pretensa batalha entre criador e criatura. Galera já havia flertado com um texto mais pretensioso quando escreveu Cordilheira, curiosamente o único de seus outros romances a ter uma voz feminina, mas o foco empregado ali levava o livro para um lugar mais sóbrio, o que não acontece desta vez. As três vozes presentes nesse novo romance tentar abarcar tantos estereótipos e questões contemporâneas quanto as duzentas páginas permitem, o que termina por sufocar qualquer resquício de profundidade.

Para melhor contextualizar; Galera trata aqui da reunião de três amigos porto-alegrenses quando do falecimento do quarto componente de seu antigo grupo. Criadores de um fanzine literário virtual nos idos de noventa e nove (muito como aquele que o próprio autor editava com amigos), os quatro experimentaram breve sucesso nos círculos culturais da cidade, e a ideia se desmantelou meteoricamente. Aurora tomou o caminho da biologia, Antero se transformou num publicitário capitalista voraz, e Emiliano, o mais velho de todos, seguiu como jornalista freelancer. Duque, o quarto e mais talentoso de todos, se manteve na literatura e acabou conseguindo fama e status de grande nome da cena contemporânea brasileira, trajetória ceifada por um latrocínio. É um grupo de personagens curiosas mas, excetuando Aurora, acabam sendo tratados com uma unidimensionalidade bastante sofrível. Antero se transforma numa caricatura de workaholic e pai de família pouco dedicado, Emiliano é sempre tratado como uma pessoa pragmática e bruta, o que pessoalmente me incomoda quando avalio que a homossexualidade do personagem é colocada em perspectiva à partir da maneira como ele não "cede" aos estereótipos que recaem sobre esse grupo, e Duque é sempre representado como o clichê do escritor misterioso e ranzinza.

De novo, quando se colocam essas vidas ao lado daquela existência medíocre porém sempre atenta ao caminho de um pretensa prosperidade que era o protagonista de Cão, os de cá perdem bastante. Não vou fabular em cima do que Galera esperava ou não esperava alcançar com Meia-noite, mas muito me parece um registro levemente biográfico e pessimista de um mundo que existiu e se apresentou como cheio de possibilidades mas agora está quase morto, com apenas uma pontinha de esperança acesa ao longe. A abertura da internet foi, de muitas maneiras, o desvelar de um projeto de mundo e vida mais justos e igualitários, o que anos depois se mostrou apenas ingenuidade. Pode ser uma sátira, no fim das contas, e eu falei um monte de bobagem, mas acho que não. O fato é que aquele Galera, mais próximo das expectativas ingênuas, escreve melhor que o pessimista.

site: http://www.pipoescreve.com/2017/05/meianoite.html
comentários(0)comente



mardem michael 02/05/2017

As angústias e incertezas de uma geração
Que grata surpresa conhecer o trabalho de Daniel Galera! Em meia-noite e vinte, acompanhamos as memórias, frustrações e angústias de personagens de meia idade. Uma bióloga em busca de seu título de doutorado. Um publicitário de sucesso. Um jornalista sexualmente confuso e um escritor supostamente assassinado no auge de sua carreira. Daniel Galera nos expões a contradições de vidas que se entrelaçam. A vida de quem viu nascer a era da internet. A vida de uma geração. Muito bem ambientada, exemplificada e escrita, essa história mexeu muito comigo!
comentários(0)comente



Nidia.Machado 17/04/2017

Meia noite e vinte
História narrada em primeira pessoa por 3 personagens. Eram amigos na década de 90 logo quando a internet começa a chegar na casa das pessoas. Um deles é gay, um homem e uma mulher que se encontram no velório do quarto integrante do Orongotango (site de artigos). O gay é convidado a escrever uma biografia do falecido e assim descobre coisas incríveis sobre o quarteto.
Bom livro, razo como todos do Galera mas bem contado.
comentários(0)comente



criscat 22/03/2017

Meia-noite e vinte
Como eu já havia constatado ao ler Barba ensopada de sangue, Daniel Galera é um bom contador de causos, sabe como laçar e enlaçar o leitor com sua narrativa. Apesar de narrado em primeira pessoa pelos três amigos "sobreviventes", com cada voz narrativa perceptivelmente diferente das demais, há uma unicidade motivada não só pelo passado em comum e o tom saudosista que todos adotam, mas também pelo fato de cada um deles estar mergulhado - ou mergulhando - em situações-limite, seja na vida profissional, seja na pessoal, ou ambas.


site: http://www.cafeinaliteraria.com.br/2017/01/06/meia-noite-e-vinte/
comentários(0)comente



Ju 14/03/2017

Super contemporâneo, realista e cheio de referência dos anos 2000. Gostei muito talvez por saber falar a língua dos narradores, por me sentir parte e por me confundir com a história dos personagens. Eu lia o orangotango mesmo sem saber que ele existia. Gostei muito da escrita do Galera e quero ler mais livros escritos por ele.
comentários(0)comente



avdantas 06/03/2017

O que sobrou dos nossos sonhos
No limiar do ano 2000, o mundo tinha dois possíveis destinos: sofrer com o bug do milênio toda a desgraça que o avanço tecnológico traria, ou gozar das vantagens que esse super desenvolvimento tecnológico proporcionaria a nossas vidas. O mais irônico é perceber que as duas alternativas na verdade não eram alternativas, nem opostas, apenas dois fatores de um mesmo fenômeno: a nossa evolução tecnológica; e que vivemos exatamente na linha divisória, com os braços abertos tentando nos equilibrar, um no caos e outro na evolução.

Os personagens de “Meia-noite e vinte” eram jovens em 1999. Antero, Aurora, Emiliano e Andrei curtiam uma espécie de fama na Internet graças a um fanzine virtual chamado Orangotango, que fazia sucesso online com textos literários, manifestos e experiências artísticas. Envoltos em festas, popularidade, juventude, sexo e drogas, os quatro amigos publicam o e-zine em um curto período de tempo, logo quando a vida os chama a se integrar à sociedade, sempre maior e nem sempre melhor que nós.

O livro começa com Aurora lendo no Twitter a notícia da morte de Andrei, apelidado de Duque pelos amigos, em um roubo de celular, com um tiro na cabeça. Isso impacta Aurora de uma forma profunda, fortalecendo nela a sensação de que o mundo está acabando (não em um sentido catastrófico, mas como se os dias fizessem parte de um lento processo de degradação da humanidade), representando aquela primeira postura que comentei no primeiro parágrafo desta resenha.

Ela encontra os outros amigos no enterro. Emiliano, um homem gay, jornalista free-lancer, que tem um fetiche envolvendo sexo e violência. Antero, o espírito-livre do grupo na época do fanzine, que se tornou um publicitário de sucesso, trabalhando para as grandes empresas e metido em um casamento ao qual ele não faz questão de manter fidelidade. E por último a própria Aurora, que decidiu seguir carreira acadêmica, mas esbarrou em um professor que lhe nutre um desafeto e a reprovou no exame de qualificação para a tese.

Todos se sentem chocados com a morte de Andrei, o único que seguiu carreira literária e manteve sua vida o mais privada possível. Cai nas mãos de Emiliano a tarefa de escrever uma biografia sobre o jovem misterioso e talentoso escritor.

O livro retrata de quatro pontos de vista diferentes o futuro da chamada geração Y, aquela que cresceu com a Internet, a revolucionária. Mostra como a vida exige de nós tanta energia que quase não sobra nada para os nossos desejos. E ainda por cima explora as facetas da nossa nova vida online, questionando a relação entre memória e digital. Quando morremos, o que sobra de nós na Internet faz parte da nossa vida? Quando morremos, o que se faz com nossos dados e rastros que ficam na rede? De certa forma, a Internet permite que nossa memória e presença permaneçam ativas em contas de usuários e fotos de perfil. No livro de Galera, isso é fundamental para o desenlace da trama.


Sou leitor ávido de literatura contemporânea e nunca vi um livro refletir sobre nossa época e nossas subjetividades com tanta fidelidade. Já li outros livros de Daniel Galera e sempre gostei, mas fiquei com a impressão de que precisava de algo mais. Eu precisava de “Meia-noite e vinte”.

site: http://cheirodesombra.blogspot.com.br/
comentários(0)comente



46 encontrados | exibindo 16 a 31
1 | 2 | 3 | 4