Alquimia da Tempestade

Alquimia da Tempestade D.G. Ducci




Resenhas - Alquimia da Tempestade


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Naty 30/04/2017

Poesias de um coração para outro coração
Vocês já devem estar cansados de saber o quanto gosto de poesia. Quando recebi o convite para ler A Alquimia da tempestade, não pensei duas vezes e resolvi conhecer a escrita do autor.

Neste livro não estamos diante de uma obra de ficção, segundo o autor, trata-se de uma quase-biografia poética. Contemplamos desde o Romantismo até o clássico Árcade. Ainda somos brindados com uma homenagem aos dois amores do soneto 144 de Shakespeare.

O autor nos mostra que conhece do que escreve, apresenta-nos de forma pura e toca-nos com as palavras bem encaixadas, ora com rimas, ora sem elas. Porém, sempre primando para nos carregar em suas emoções veementes.

Como diz o autor, o princípio exala ingenuidade, com o erotismo pueril de se comparar os cabelos da musa com “ondas negras”, ele ainda trata como “rosa mais formosa”. Temos em sua obra amor, paixão sem limites, dor, tristeza e diversos sentimentos, e a solução apresentada por Ducci parece inusitada: desistir do amor mundano, e buscar ser o “anjo em vida” de sua amada. Pode parecer um pouco estranho, por isso o “inusitado”. Há quem defenda, há quem discorde e há quem fique neutro no assunto.

Não há muito o que falar e nem se aprofundar, as poesias por si só já dão conta do recado. Não conhecia o autor e confesso que me surpreendi.

O que me incomodou um pouco foi a capa, achei bem simples e nada chamativa. A diagramação segue um padrão simples e sem adereços. Para quem curte o gênero, certamente vai adentrar num tipo de poesia diferente do habitual, mas bem escrito.

Quotes:
“Nessa corrente de tolos,
grilhões não me prendem;
só afetam gente fútil.
Eu poderia ser um deles,
mas prefiro ser um pária.” (p. 26)

“Mas nem ela
nem ninguém
leem a gente

[...]

Mas só dois ou três
(de nós) ainda
leem poesia” (p. 32)
Lana Wesley 06/05/2017minha estante
Realmente um livro de poesia como esse deveria ter recebido uma capa bem mais chamativa, para conquistar um publico maior que costuma ver a capa e se interessar pela leitura. Pelo quote citado acima da para notar que a escrita por si só consegue expressar de forma extraordinário o que o autor quer nos passar.


Marlene C. 08/06/2017minha estante
Oi Naty.
Eu ao contrário de você não sou muito fã de poesia não, o que é uma pena realmente porque acho poesia tão linda
Eu adorei a ideia do livro, a homenagem ao trabalho do Shakespeare é incrível, enfim adorei mas não acho que seja um livro para mim.
Bjs.


Isabela | @sentencaliteraria 12/06/2017minha estante
Olá Naty ;)
Não sou acostumada a ler poesia, mas estou me habituando a ler, e adorei sua indicação.
Adorei os diferentes sentimentos contidos na obra, e vou ler com certeza!
Também não gostei muito da capa, infelizmente.
Bjos


Marta 25/06/2017minha estante
Gostei bastante da indicação mesmo não sendo o meu tipo ideal de leitura.
Bjoss


Marta 25/06/2017minha estante
Gostei bastante da indicação mesmo não sendo o meu tipo ideal de leitura.
Bjoss


Antonia Isadora 05/07/2017minha estante
Olá!!!
Acho que peguei um trauma sério de poesias ou algo que envolve isso. É o meu gênero menos preferido e mesmo fazendo a facul não me interesso por esse lado mais poético.
Mesmo assim acho que pra quem curte é boa pedida.

lereliterario.blogspot.com


Deise.Kiefer 24/03/2020minha estante

Oi
Eu ao contrário de você não sou muito fã de poesia não, o que é uma pena realmente porque acho poesia tão linda
Eu adorei a ideia do livro, a homenagem ao trabalho do Shakespeare é incrível, enfim adorei mas não acho que seja um livro para mim
Beijoa




Maria Ferreira / @impressoesdemaria 04/08/2017

Poemas com influências clássicas
Este é o primeiro livro autor, lançado pela pela editora 7Letras. O mesmo é separado por duas partes. A primeira é “Outros Poemas” e a segunda é “Alquimia da Tempestade”, que possui uma divisão própria. Vou começar de modo inverso, falando primeiro de “Alquimia da Tempestade”.

Em um primeiro momento, tive a impressão de que “Alquimia da Tempestade” era um grande poema épico, só que dividido em vários outros poemas menores, separados por partes que juntas compõem uma tempestade: A brisa, o vento, a chuva, o furacão. Sensação reforçada pelo fato dessa parte ter início com um “Prólogo e Invocação”. Mas a semelhança com o gênero acaba aí, pois ao longo da leitura se percebe que os poemas se aproximam mais do arcadismo, do que de uma poesia épica propriamente dita, uma vez que é recorrente a exaltação da figura feminina e o uso de sonetos.

Dos quatro grandes grupos citados anteriormente, que fazem a divisão do poema, em “A Brisa”, destaco o poema “Romantismo Árcade”, em que, por meio da emulação, o autor compõe versos com base na Lira I, de Marília de Dirceu, grande poema de árcade de autoria de Tomás Antônio Gonzaga:

“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’expressão grosseiro,
Dos frios gelos e dos sóis queimados”.

“Eu, querida, não sou aventureiro
que busque um novo amor a cada prado,
que pelos campos ande meio faceiro
E que por todos seja idolatrado”.

Os demais poemas vão retratar uma mulher idealizada, um amor incondicional, irrealizado e um poeta que sempre se dirige a uma musa, o que demonstra uma forte influência do Ultrarromantismo de Álvares de Azevedo.

Em “O Vento”, tem-se um eu-lírico que se mostra mais determinado a conquistar sua amada, que nunca deixa de fantasiar a concretização de seus desejos, mas ao mesmo tempo caminhando para uma desilusão que só é afastada nos poemas finais, quando finalmente consegue realizar suas vontades.
A forma de sonetos deixa de ser usada em “A Chuva”, mas a nova forma usada ainda é composta por quatorze versos, com os dois últimos destacados dos demais.

“O Furacão”, que particularmente foi a parte que mais gostei porque é onde se sai um pouco do engessamento da forma e se tem uma estrutura mais livre, ainda que sempre rimada. Dessa parte, destaco os poemas “Ritornello”, em que cada verso das suas estrofes de treze versos cada, se iniciam com um verbo no imperativo, seguido de um ponto de exclamação, que enfatiza a ordem. “Vês”, que tem uma sonoridade provocada pelo uso de palavras iniciadas com a letra “v”:
“Vago por aí como falso vigia/ vácuo vacilante na vaidade que havia./ Dispo essa verdade, visto fantasia,/ como velho veludo, velharia.
Outro que faz com que o leitor preste atenção em sua sonoridade é “Ponto”:
“O ponto preto preso ao teto/ apaga a paz que aqui me passa/ em pontos principais/ do afeto.

“Outros Poemas” começa com “Poesia-gangrena”, um poema que faz uma crítica bem feroz à escrita que se pretende poética, mas que não aparenta ter nenhuma base de estudo em sua composição:

“Esboce aqui um poema-sucesso
superdiferente
alternativo, mas nada maldito
sem tanto trabalho
porque sentir é bom mas pensar doí”.

Nesses “Outros poemas” há uma variedade na forma e nos assuntos, mas é uma constante um certo mau-humor, certa crítica do eu-lírico às pessoas que preferem uma poesia mais fácil de ser consumida, tanto pelo autor, quanto pelo leitor.
É verdade que os poemas são de fácil entendimento, com uma linguagem bastante acessível, mas chega uma hora que a estrutura se torna repetitiva. Para um leitor menos familiarizado com os movimentos literários e as métricas clássicas, talvez não seja uma leitura tão proveitosa, mesmo eu, que estudei Poesia na faculdade, fiquei com o sentimento de que deixei alguma coisa passar, alguma referência que desconheço.
Ainda assim, é inegável o valor da obra e sua importância em uma realidade na qual não se fazem mais poemas como antigamente. O que transforma o livro é uma relíquia.

site: http://www.impressoesdemaria.com.br/2017/08/a-alquimia-da-tempestade-dg-gucci.html
meriam lazaro 07/08/2017minha estante
Gostei muito da resenha e fiquei interessada no livro.


Maria Ferreira / @impressoesdemaria 08/08/2017minha estante
Obrigada, Meriam. Se um dia lê-lo, me fala o que achou ;)




Maria - Blog Pétalas de Liberdade 16/05/2017

Resenha para o blog Pétalas de Liberdade
É um livro de cerca de 100 páginas, que pode ser lido rapidamente. Traz poemas que, em sua maioria, tem apenas uma ou duas páginas. São poemas de diversos tipos e estilos, com rimas, sem rimas, sonetos, poemas mais longos, poemas que não são divididos em estrofes, somente em versos. E há até um poema em inglês. Alguns parecem ser respostas ou continuações de outros, temas reaparecem páginas na frente.

A obra é divida em duas partes: "Os outros poemas" e "A alquimia da tempestade". A segunda parte se divide em "A Brisa", "O vento", "A chuva" e "O furação".

Eu não sei muito sobre poesia, mas como digo sempre: admiro quem consegue escrevê-las. Acredito ter pego o livro em um período não muito propício para ler uma obra do gênero, mas mesmo assim consegui encontrar poemas que me agradaram bastante.

Sobre os textos que mais gostei: "Morrerei", na página 78, é o meu preferido, com sua temática referente à morte, até me lembrou dos escritos do Edgar Allan Poe. "Prólogo e invocação", na página 35, me ganhou com a expressão "Poesia é redenção". "Poesia-gangrena", poema que abre o livro, traz uma espécie de crítica à poesia feita sem cuidado e sem técnica, e me arrancou uma risada logo de cara, tanto que postei parte dele lá no Instagram (@marijleite, clique para ler). "Pária" fala sobre alguém que prefere não ser como todo mundo. E "Não soneta" fala sobre a cultura que temos à mão, na forma da poesia, mas que não apreciamos.

"Agora eu os peço
para me deixarem em paz.
Minha vida prefere a calma
mesmo que a calma seja muito forte."
(Pária, página 26)

Sobre a edição: a capa é simples e bonita, as páginas são amareladas e porosas, a diagramação tem letras, margens e espaçamento de bom tamanho, e não me lembro de ter encontrado erros de revisão.

site: http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/2017/05/resenha-livro-alquimia-da-tempestade-e.html
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Blog De Bem Com a Leitura 22/05/2017

Com poemas bem elaborados, o autor escreve sobre temas variados e nos apresenta textos que se mostram agradáveis ao olhos do leitor. A diversidade não está só nos temas abordados, mas também nos sentimentos que o autor expressa em cada página dessa obra.

Algo muito interessante é perceber que os poemas fazem parte de épocas diferentes de uma vida, mostram o amadurecimento e a percepção de novas sensações, se intensificam.

Segundo o autor, "Alquimia da tempestade e outros poemas" não é uma obra de ficção, e lendo o livro pode-se ter uma ideia disso, se é verdade ou não... vai saber, mas é totalmente possível! São poemas que falam sobre situações que podem ser reais para qualquer um e são intensos em seus sentimentos.

Uma característica bem marcante que eu percebi é que a poesia de D. G. Ducci é muito expressiva, não importa o tema, não importa sobre o que ele fala, os seus textos são fortes e despertam pensamentos reflexivos no leitor.

É um livro que eu recomendo, os amantes da poesia podem (e acredito que vão) gostar facilmente, mas quem ainda não está acostumado pode ter uma certa dificuldade com a escrita do autor mas logo se acostuma.
Leia mais no link> http://vocedebemcomaleitura.blogspot.com.br/2017/05/resenha-alquimia-da-tempestade.html

site: www.vocedebemcomaleitura.blogspot.com.br
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RUDY 04/06/2017

Resumo Sinóptico/Análise técnica
RESUMO SINÓPTICO:


Como o próprio autor diz, o livro não é de ficção, é mais uma autobiografia poética, onde expõem sentimentos íntimos, pensamentos que vagam, mostrando a jornada intrínseca dentro do estudo poético, utilizando-se de vários artifícios e alguns gêneros distintos na confecção de seus poemas, uns com rimas, outros sem ela, porém todos bem definidos e bem escritos.

Passa dos desejos pessoais ao amor, as conversas viscerais à homenagem lírica para alguns personagens, até chegar ao ponto de mais nada dizer...

São versos expressivos e contundentes, focados e simbolizados por expressões naturais, baseados na força incontrolável da natureza.

ANÁLISE CRÍTICA E DO AUTOR:


Fazer análise de poesias/poemas não é algo fácil, porque cada escritor demonstra seus sentimentos de forma diversificada e totalmente pessoal, portanto, quem sou eu para julgar?
Poesias são mais para serem sentidas, algo quase osmótico, como se fossem absorvidas pela pele, chegando diretamente ao coração.
Aqui pude sentir a ebulição interior do autor, transbordar através das palavras transformadas em sonoridade em alguns instantes, em crítica em outros momentos, pormenorizando um processo evolutivo em vários níveis: físico, psicológico, político, social e amadurecimento pessoal .
Uma verdadeira explosão sem controle emocional; a passionalidade e fragilidade do amor em todas suas variações e sem limites; a expressão intuitiva do sentido da vida, voltado para seus versos.
O livro mostra um simbolismo atenuado através das forças da natureza que quando vem, arrasam de maneira inesperada, destruindo tudo que veem pela frente, para depois, trazer o caos, a desolação, a calmaria para apaziguar a fúria interna, a revolta e ao final, a evolução e aprendizado, a plenitude de sentimentos intensos.
Para quem como eu aprecia bons versos, bem escritos e carregados de sentimentos, o livro é mais que recomendado. Um verdadeiro turbilhão de sentimentos.

site: http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/2017/05/resenha-35-alquimia-da-tempestade-e.html
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Evandro.Atraentemente 06/06/2017

A Alquimia da Tempestade
Convido você a passear comigo pelos versos de D.G. Ducci, em seu livro A Alquimia da Tempestade e outros poemas, publicado pela Editora 7 Letras em 2016. As poesias exploram momentos da vida do poeta que nos revela que seus versos não são obras de ficção. Ele desnuda ideias e amores, expondo sem pudor cada fase de sua vida. Da mesma forma que nos surpreende de forma intensa como as tempestades, em outras, se apresenta suave como a brisa. É assim que nos sentimos ao ler a obra de Ducci, um turbilhão de sentimentos a cada palavra.

"Ao mundo eu revelo pelos olhos
de estranho e encantador olhar poeta."
(Trecho de Arquitetura)

O excelente texto de apresentação, escrito por Gabriel Cappanori, nos ajuda a entender um pouco a forma como Ducci moldou milimetricamente cada uma das 69 poesias que dançam sobre as páginas de A Alquimia da Tempestade. O poeta transita facilmente por estilos diversos, mostrando seu domínio em encantar com arte as palavras. Encontramos características do Romantismo, do Arcadismo ou mesmo linhas mais soltas que buscam alcançar a alquimia perfeita.

"De que adianta essa atenção total
em cada verso, a métrica perfeita,
se minha dor é fúria incontrolável
na solidão que me atravessa o peito?
(...)"
(Trecho de Solilóquio)

O livro divide-se em 6 partes em suas 104 páginas: Os outros poemas, A Alquimia da Tempestade, A Brisa, O Vento, A Chuva e O Furacão. Os versos carregam a intensidade das forças da natureza, aqui simbolizadas, demonstrando, em suas sutilezas ou intensidades, os anos vividos em cada fase da vida do poeta.

"(...)
...solene que se espera de quem ama:
- sofrer a cada hora sem notícias,
querer de forma imensa e soberana,

saber que enamorar é ser bendito,
ser sábio e muitas vezes ser insano;
pra transformar o amado em próprio vício."
(Trecho de Agonia)

Percebemos em cada página a junção de elementos que constroem sua história e dão forma à sua vida. Amor, paixão, protesto e erotismo são alguns dos ingredientes que se destacam. O poeta, entre outras estruturas literárias, explora com frequência os sonetos. Ducci mostra como lidar com as aventuras e desventuras da vida, transformando suas experiências de forma que resplandeçam como ouro em sua trajetória.

"(...)
Não me faça perguntas
que não desejei
pois fico cansado só de pensar
em tudo que fiz
mas deixei para trás.

Sou sempre assim
tão esforçado...
pronto, mas inacabado
como um tecido
de branco algodão.
(...)"
(Trecho de Tratado antropocêntrico de caráter nada acadêmico)

É preciso se envolver para compartilhar dos segredos do poeta e captar a alma presente em cada linha. Nem sempre a essência é encontrada em uma primeira leitura. Ducci nos presenteou com um trabalho cuidadoso e amadurecido e, sem dúvida alguma, muito bem elaborado. É um livro para os apaixonados por poesias.

"D.G.Ducci É brasiliense. Bibliotecário por formação, diplomata por profissão e escritor por vocação. A Alquimia da Tempestade é seu primeiro livro. Ducci foi Chefe do Setor Cultural da Embaixada do Brasil em Helsinque, posto que serviu de 2010 a 2013. De volta à Brasília, atualmente trabalha no Departamento Cultural do Itamaraty. É cofundador do blog "Razão de Aspecto", de críticas de cinema, e assina a coluna "O Livreiro", que trata de livros sobre livros, na Revista Eletrônica da Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal."

site: http://www.atraentemente.com.br
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Minha Velha Estante 10/05/2018

Resenha da Ilmara Fonseca
Poesia é um dos meus gêneros favoritos. Acho que vocês já sabem disto. Gosto de ler poemas, pois eles trazem à tona um pouco das emoções mais intrínsecas de cada autor. É como um aperto de mão, um registro delicado de quem é você através dos versos. Quando surgiu a oportunidade de resenhar este livro, em parceria com a Oasys Cultural, não hesitei. Seria uma oportunidade de conhecer mais um autor e de deixar-me levar em seus versos e em suas emoções.

A escrita de Ducci é o que podemos chamar de “classuda”. Ele escreve com elegância e utiliza ricamente os sonetos e construções que remetem ao Romantismo e Classicismo. Em particular à sua segunda fase romântica, a chamada geração do Mal do Século. Sua linguagem é rebuscada, fincada nos sentimentos e na figura amorosa, mas também carregada de um torpor, uma certa descrença na felicidade e na realização deste amor.

Os sonetos, que aparecem em sua maioria, podem ser lidos isoladamente ou em sequência. Além deles há também a presença de outros poemas, sem forma fixa e até mesmo metapoemas. Os temas são os mais variados, mas em geral falam-nos de sentimentos intensos, idealização, egocentrismo, sensação de não-pertencimento… tudo o que caracteriza os ultrarromânticos, em especial Álvares de Azevedo, poeta em que o autor é declaradamente inspirado.

O livro está dividido em cinco partes, onde existe uma ligação estrutural que une os poemas uns aos outros, numa sequência que faz o amálgama entre forma e conteúdo. Com exceção da primeira parte, onde o autor expõe os seus poemas mais variados, cada seção do livro faz uma alusão a uma das partes da tempestade, como: brisa, vento, chuva e furacão. E cada poema apresentado nestas partes traz a intensidade devida, como numa cadência de sentimentos que culmina na explosão de uma tempestade.

Por exemplo, em Brisa temos os poemas que trazem um amor suave, leve e imerso em idealizações. O sentimento é pleno, intenso e tem como cúmplices os elementos da natureza. Já em Chuva, os poemas são mais fortes, traduzem a rejeição e o negativismo advindo dela, como nos versos do poema “Morrerei: “Se a vida me foi drástica morada, / que a Morte seja fuga desejada!”. Estas partes do livro também se mesclam com a autobiografia do autor e as diversas fases de sua vida. Por isto Ducci também nomeia seu livro de “uma autobiografia poética”.

Gostei muito da forma como o autor construiu a sua narrativa em versos e expressou seus sentires, trazendo o soneto como pedra basilar para a construção de sua obra. Embora eu prefira versos brancos e uma poesia mais solta, o soneto não conseguiu “prender” os sentimentos. As emoções foram condensadas na forma e não o contrário. O próprio autor traz essa discussão em seu poema Solilóquio, que fala dessa necessidade de escapar da forma única.
“De que adianta essa atenção totalem cada verso, a métrica perfeita,se minha dor é fúria incontrolávelna solidão que me atravessa o peito?” (p. 82)
Por fim, a diagramação e a qualidade do projeto editorial, marcas registradas das obras da 7 Letras, traduzidas no papel pólen de excelente gramatura e em impecável revisão terminam de conferir à obra as características que fazem dela um livro mais que indicado. A Alquimia da tempestade, para além de tudo o que já foi dito, é um livro sobre amor em suas mais variadas formas. Leve e suave como uma brisa ou denso e devastador como um furacão.

site: http://www.minhavelhaestante.com.br/2017/04/a-convite-ilmara-fonseca-alquimia-da.html
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