Comboio de Espectros

Comboio de Espectros Duda Falcão




Resenhas - Comboio de Espectros


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DBraga2000 30/10/2019

Comboio de Espectros, de Duda Falcão
Duda Falcão é um nome que ouviremos muitas vezes aqui pelo nosso blog. Dessa vez vamos falar do seu livro Comboio de Espectros, da AVEC Editora, uma coletânea de contos do autor apresentados pelos personagem Anfitrião.

Mas antes de falarmos do livro, vale contextualizar como e quando consegui o livro. Comprei ele do próprio Duda em 2018 e ficou na pilha de leituras (que não é pequena), esperando sua vez. Dentro do livro ele fez uma dedicatória para mim:

Para o amigo, fã de Lovecraft, Daniel Ferreira. Palavras do Anfitrião: “Cuidado com as Sonhadoras. Elas podem viciar e enlouquecer” - Duda Falcão

Parecia saída de enredo de filme: eu compro um livro que chega com uma dedicatória que não entendo e, que só após um ano, acabo de ler o livro e então percebo seu real significado. Se o mundo dependesse disso, já viu que não iria dar certo ou que eu teria muito tempo para resolver as coisas. Mas hoje, a dedicatória faz todo o sentido e ganhou ares de um alerta oculto, maravilhoso e tétrico, que me fez sentir como um personagem de um conto do Duda.

A vez de ler Comboio de Espectros chegou finalmente e, para minha grata surpresa, encontrei contos maravilhosos. São onze contos muito bons, que reforçam para mim o talento de Duda Falcão e o colocam no rol dos melhores escritores nacionais de horror. Seu texto é rápido e claro dando ao leitor leveza e agilidade sem perder o tempero sombrio e sinistro que ele consegue inserir em suas obras.

Dos onze contos, todos muito bons, meus preferidos foram:

> Comboio de Espectros (que dá nome ao livro) – uma narrativa insólita que atravessa o tempo, com um desfecho sensacional.
> A Criatura do Travesseiro – uma homenagem maravilhosa ao escritor Horácio Quiroga e ao seu conto O travesseiro de Penas. Indico muito a leitura do conto de Quiroga antes, para que o leitor entenda o tamanho da homenagem de Duda ao autor. Ficou realmente excelente.
> Sessenta Itens para Criar um Golem – uma excelente história que, de certa forma, presta homenagem aos grandes personagens autômatos, sendo impossível não citar Frankenstein obviamente.
> Sonhadoras – um conto que foi absolutamente incrível para mim e que se liga à dedicatória do livro. Abaixo falo mais sobre esta pérola do livro.

Devo mais uma vez dizer que todos os contos são excelentes e só faço uma lista de preferidos, porque foram exatamente os que me chamaram muita atenção. Deixei para falar de Sonhadoras por último, pois ele foi um ponto fora da curva.

Primeira curiosidade é que o título foi sugerido pelo querido Marcelo Galvão e não poderia ser mais apropriado. O conto é um daqueles que te transporta não somente ao estranho e terrível, mas também ao mundo imaginário, hoje conhecido como Mitos de Cthulhu.

Este termo, cunhado por August Derleth como referência ao panteão criado por H.P. Lovecraft, ganhou vida própria com vários autores pelo mundo contribuindo para alimentar continuamente esse universo terrível ficcional de informações através de textos, artes, jogos e muito mais.

Não tem como ler Sonhadoras e não se sentir dentro daquele universo. A sensação para mim era de estar ganhando mais informação útil sobre o cânone, se é que podemos falar assim, visto que nada é oficial além dos próprios textos de Lovecraft. As contribuições dos vários autores somam-se ao mito dando-lhe vida e, este conto é sim uma pérola que alcança este feito. Ao final me vi algumas vezes imaginando os relatos chegando em Miskatonic, em meados dos anos 30, vindos do longínquo e primitivo Brasil.

Como fã incondicional dos Mitos de Cthulhu, como dos contos e estilo de Duda Falcão, me pego pensando apenas quando leremos mais e mais sobre as Sonhadoras. O Anfitrião não poderia estar mais profético em suas palavras na dedicatória, pois as Sonhadoras são enlouquecedoramente viciantes!!!!

Ficou curioso? Basta comprar o livro e mergulhar nas loucuras de Duda Falcão!

Essa resenha foi publicada no blog Canto do Gárgula em 29/10/2019

site: https://cantodogargula.com.br/2019/10/29/comboio-de-espectros-de-duda-falcao/
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Paulo 18/12/2018

Comboio de Espectros é mais uma das várias coletâneas que Duda Falcão vem publicado onde estão presentes os seus contos. Quem espera um romance longo ou alguma coisa intercalada, essa não é a proposta. E o Duda é uma peça muito rara neste mercado editorial brasileiro. Um autor totalmente raiz do pulp e que consegue publicar em uma quantidade e qualidade incríveis. A variedade de temas e cenários que ele consegue escrever é assustadora. Não vou conseguir abordar todos aqui por que acredito que se tornaria uma resenha por demais longa e enfadonha. Prefiro que vocês se debrucem sobre a arte do Duda e se divirtam, assim como eu. Decidi escolher três histórias que eu achei muito impactantes, mas existe um mar de boas histórias nesta coletânea.

Vou começar obviamente pelo conto que dá o nome à coletânea. Comboio de Espectros precisa ser dividido em duas partes. Na primeira temos uma série de vignettes acontecendo em diversos momentos e cenários. Às vezes é um acontecimento simples, às vezes é uma cena mais alongada. Varia bastante e não há uma interconexão entre os mesmos. No começo vai parecer um pouco confuso e sem nexo. Mas, na segunda parte todas estas vignettes vão servir como elementos de plot para a história que segue. Laura e Léo são um casal de senhores que se encontram no Vaticano a pedido de seu amigo Gilberto que é um padre a serviço da Igreja. Quando eram mais jovens eles cometeram um pecado mortal, algo que os marcou para sempre. A história vai se focar nesta situação desconfortável e essa névoa que parece atacar apenas os injustos vai ter um papel muito importante na narrativa.

Algo que eu achei genial foi como o autor foi capaz de aproveitar cada elemento de roteiro na segunda parte, por mais pequeno ou rápido que a situação fosse. Tudo converge para uma altercação final onde as almas dos três amigos estarão em jogo. Escrever de forma convergente é algo bem difícil de ser realizado. O autor precisa estar sempre com um olhar voltado para trás à medida em que avança sua história. Todas as pegadas precisam ser contabilizadas para dar coerência e coesão à narrativa que está sendo proposta.

Em Eadgar e a Erva do Pesadelo deu para curtir um pouco de como o Duda entende o gênero de fantasia. Um escritor de pulps abraçando fantasia me faz lembrar imediatamente do Robert E. Howard. O protagonista, Eadgar, está atrás de uma erva do pesadelo, capaz de salvar sua amada Lenora. E isso vai levá-lo a todo tipo de aventuras com aldeões tentando matá-lo, reis lagarto e uma bruxa com desejos peculiares. A abordagem do autor é muito interessante e transborda em inspirações de clichês do gênero. Mas, a maneira como ele entrega e até quebra clichês é muito boa.

Aqui a gente fica conhecendo outra habilidade de Duda: empregar personagens em vários contos. Eadgar é um personagem que apareceu em outras coletâneas, e esse conto aqui é uma espécie de prequel para uma história publicada em outro livro. Alguns leitores vão ficar confusos e buscar a ordem de publicação exata para entender o universo. Gente, não há necessidade de buscar uma ordenação lógica. Escritores pulps vão publicar esse tipo de histórias de forma bem aleatória e sem uma obsessão em publicar em ordem. Robert E. Howard não escreveu as histórias do Conan em ordem... Lovecraft não escreveu o ciclo cósmico em ordem. Todas estas narrativas são fechadinhas e é possível entendê-las numa boa. Se você se interessar pelo personagem, basta perseguir outras coletâneas onde ele aparece.

O último conto que eu gostaria de comentar a respeito é Sonhadoras. É óbvio que o Duda não iria deixar de inserir alguma coisa dos mitos de Lovecraft em seus contos. E aqui vemos um em que um professor encontra o diário de um aluno estrangeiro que estava realizando pesquisas a respeito de uma planta estranha dentro do seu quarto, Essa planta tem o poder de produzir sonhos alucinógenos que leva suas vítimas até lugares além da imaginação. A estrutura da história tem bastante da influência lovecraftiana com a derrubada de nossas limitações acerca do estranho a cada página. Pouco a pouco o estranho vai se tornando normal e nossa percepção sobre a realidade vai ficando difusa. Os momentos finais da história realmente lembram histórias do Lovecraft onde nada nunca acaba bem.

Comboio de Espectros é uma coletânea excelente que eu só tenho a recomendar fortemente. Citei três histórias, mas poderia muito bem ter citado outros como O Trem do Inferno ou Eterna Lua Cheia. O autor prova toda a sua habilidade em criar histórias curtas e instigantes para o leitor. Já estou animado para ler outros materiais dele.

site: www.ficcoeshumanas.com
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bruno.rauber 25/02/2018

Duda Falcão e seu Comboio De Espectros fazendo o que faz de melhor: horror com AQUELA pegada pulp deliciosa e impossível de não devorar (pra mim, 3 dias foram o suficiente, e olha que eu ainda não consegui ler muito no segundo). Terceira coletânea e terceira vez que ele faz o que nenhum outro autor havia conseguido, me fazer gostar de TODOS os contos do mesmo livro.
E claro, falar bem da edição da AVEC Editora a essa altura é chover no molhado, aquele tipo de qualidade que a gente só vê em quem ama o trabalho que faz.
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