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4 3 2 1 Paul Auster
Paul Auster




Resenhas - 4321


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Ladyce 07/03/2020

Ler um livro de mais de oitocentas páginas duas vezes em dois anos seguidos não é comum para mim.  Mais extraordinário ainda é mudar de opinião sobre obra lida tão recente. De boa passei-a para excelente, colocando-a finalmente entre meus favoritos.  Aconteceu com 4321 de Paul Auster, livro controverso que gerou defensores e críticos ferrenhos desde que publicado em 2017, nos EUA. Havia visto uma entrevista com Paul Auster no programa da televisão francesa La Grande Librairie, talvez pelo encantamento da conversa gerada naquela noite por François Busnel, talvez pela simpatia de Auster e a sua fluência na língua francesa, fato não muito comum entre escritores americanos, resolvi ler a obra, o que fiz na versão americana, em e-book.  Menos de um ano depois um dos meus grupos de leitura decidiu por votação abraçar esse volume como o livro da virada de ano, quando no lugar de quatro, temos seis semanas para leitura, permitindo envolvimento com obras mais longas.  Desta vez, li em português.  Mas voltei na segunda metade do livro à versão em inglês, porque no kindle as mais de oitocentas páginas não pesam na bolsa.  Esta experiência provou para mim, o quanto é importante o momento psicológico do leitor para apreciação de qualquer leitura. Em menos de dezoito meses meu entendimento e apreciação da obra mudou.

4321é um romance de formação (bildungsroman) multiplicado por quatro.  Explora quatro possibilidades de vida de um garoto, do mesmo garoto, Archibald Isaac Ferguson. Retratado com os mesmos pais e avós, o mesmo contexto social no início de vida.  À medida que cresce, eventos e o acaso interferem em cada uma das vidas, mudando-as singularmente.  São quatro histórias em uma. Muitas características de seu DNA são mantidas: o gosto pela leitura,  a facilidade de escrever, o amor aos esportes. Cada um dos Fergusons explora suas habilidades. Cada um reage a incidentes à sua maneira.  Fixos em suas vidas há os pais, Stanley e Rose, que também agem de modo diverso dependendo do destino do casal, os tios de Ferguson, com especial louvor a tia Mildred, e presente em todas as vidas, Amy Schneiderman às vezes como amiga, às vezes como irmã de criação, sempre fascinante para leitor e Ferguson. O acaso determina cada uma das vidas de Ferguson mas não o restringe. O extemporâneo determina as circunstâncias  e afeta o que é externo. 

Dizem que conhecer leva ao amor. Se você um dia se perguntou como casamentos arranjados, praxe nos séculos anteriores, podiam levar ao amor, Paul Auster mostra o caminho.  Conhecemos Archie Ferguson tão bem através de suas vidas separadas e paralelas que a partir de um certo ponto o amamos, queremos que eles deem certo, que Ferguson tenha sucesso, qualquer um dos Fergusons.  E ao final, nas últimas páginas do convívio com este rapaz cujo crescimento escolar, sexual e emocional compartilhamos,  quatro vezes diferente, quando damos adeus ao livro,  sentimos pesar, luto.  O vácuo emocional com que ficamos, testemunhas dessa vida comum e extraordinária, é imenso.

4321 também é um romance histórico, detalhando, em minúcia excepcional, as décadas cinquenta e sessenta, os conturbados anos da Guerra do Vietnã, do movimento negro, da política, dos assassinatos de Kennedy e Martin Luther King nos Estados Unidos e em Nova York, especialmente.  Auster surpreende.  A mim, surpreendeu mais, pois em duas ocasiões anteriores eu havia abandonado a leitura de seus livros, sem interesse de chegar ao fim de qualquer deles.  E aqui não só li, como reli.  Sinto que conheci este rapaz, cuja vida deixamos de acompanhar no início dos anos setenta.  Dizem que 4321  difere dos romances anteriores de Auster. E grande parte da crítica negativa que recebeu foi daqueles que esperavam um obra como as que a precederam e encontraram ali algo diferente.

Mas 4321 também é um romance de escritor para escritores. De escritor para seus seguidores.  É um compêndio de aulas de escrita, além de ter a lista mais detalhada que já encontrei dos livros que devemos ler para uma educação primorosa e sabermos como escrever e pensar.  Vemos todas as possibilidades da escrita, da reportagem jornalística às memórias,  cobertura de eventos esportivos, poesia, biografias, prosa, jogos de palavras, imitação de estilos, traduções, toda a gama de caminhos  caso você possa e se interesse em ser escritor. Mostra também a dedicação necessária para que isso aconteça e maneiras diferentes de como se tornar um escritor. Paul Auster educa os leitores, orienta seus seguidores com ambições no campo da escrita.  Ajuda a formar escritores e leitores.

Na minha primeira leitura assinalei pontos que considerei negativos.  Achei o livro indulgente.  Com muitos elementos desnecessários, entre eles as infindáveis descrições de jogos de basebol.  Há também a ficção dentro da ficção: somo apresentados a criações literárias inteiras de algum Ferguson.  Não bastou nos dizer que escreveu um conto sobre sapatos.  Não.  Teve que incluir o conto inteiro, do início ao fim.  Enquanto esse aspecto me deixou de fria a irritada, na segunda leitura tive a sensação de que essas produções de Ferguson nos ajudam a entender o rapaz que se desvenda aos nossos olhos.


Qualquer senão que tive sobre 4321,  desapareceu na segunda leitura; enquanto pontos positivos se consolidaram.  É obra de grande fôlego. Fácil de ler.  A força narrativa de Auster ultrapassa até traduções.  Sua prosa, com as mais longas sentenças que lembro ter lido na literatura contemporânea americana, são um deleite para o leitor, lembram as extraordinárias narrativas europeias do século passado, quando ainda se atentava à produção da literatura com estilo e conteúdo. O tema é complexo e rico, explorando a versatilidade do ser humano.  Na segunda metade do século XIX Darwin revolucionou o pensamento ocidental quando disse “Não  é a espécie mais forte que sobrevive, nem a mais inteligente, mas a que melhor responde às mudanças.”  Paul Auster nos mostra isso através de 4321.  Muitas vezes parece que Auster está engajado num diálogo com seus predecessores, com escritores e pensamentos do passado, americanos [e aqui abro um parêntese para mencionar não só Emerson mas Henry Adams] assim como escritores europeus, de Dickens a Balzac.  Auster faz literatura com o homem comum.  Constrói seus personagens lidando com problemas corriqueiros do dia a dia.  Eles crescem aos nossos olhos, conhecemos suas sagas, tão semelhantes às nossas vitórias e derrotas cotidianas.  Assim como nós, eles selecionam, às vezes bem às vezes não tão bem, as batalhas para lutar.  Humano como o leitor, Ferguson seduz.  Nessa simplicidade de escolhas, nas batalhas vencidas e nas derrotas, torna-se universal.  Nasceu um clássico.
Alê | @alexandrejjr 24/09/2020minha estante
Relendo as tuas impressões novamente fiquei com a seguinte dúvida: com quais livros foram as tentativas anteriores de adentrar ao mundo ficcional do Auster?


Ladyce 07/12/2020minha estante
Viagens no scriptorium e No país das últimas coisas. Ambos obras de muito tempo atrás. Não amei nenhum dos dois, e num certo ponto decidi não tentar qualquer outro de seus livros. Sei que ele é uma escritor com um número muito grande de seguidores, muitos dos quais ficaram desapontados com 4321 porque não segue a maneira de escrever a que eles haviam se acostumado. Mas às vezes é assim mesmo, não estamos preparados para um escritor. Todos nós mudamos, não só como pessoas mas como leitores.




Tiago 19/01/2020

Quatro passeios pelo bosque da ficção
Para Umberto Eco, o “bosque” era a metáfora perfeita para o texto narrativo. “Um bosque é um jardim de caminhos que se bifurcam”, ele define em seu famoso ensaio, citando os argentinos Jorge Luis Borges e Ricardo Piglia (que morreu enquanto concluía sua conferência “Seis Propostas para o Próximo Milênio”, nos deixando com apenas cinco delas desenvolvidas). Em “4321”, Paul Auster traduz esta metáfora numa obra que tem quatro grandes arcos narrativos, todos distintos entre si, mas todos dizendo respeito ao mesmo personagem: Archibald Isaac Ferguson.

Descendente de um imigrante bielorrusso que fez a vida na América, Archie é uma típica criança judia que cresce na pacata cidade de Montclair, em Nova Jersey, filho de um comerciante local e de uma dona de casa com veleidades artísticas, que sonha em montar seu próprio estúdio de fotografia. Esta é a “matriz” do personagem, cujo passado familiar é narrado no capítulo 1.0 – uma espécie de marco inicial do “bosque” de Auster, estruturado a partir de capítulos numerados que vão do 1 a 7, com subcapítulos para cada arco narrativo (do 1.1 ao 1.4, do 2.1 ao 2.4, e assim por diante...).

A progressão matemática pode parecer complexa, mas vai ficando mais simples conforme nos deparamos com as sutis diferenças que vão ocorrendo nas trajetórias dos quatro “Archies”. Em um dos subcapítulos (o spoiler não sou eu quem dou, mas a própria orelha do livro, na edição brasileira da Companhia das Letras), Archie perde o pai num incêndio; na outra, seu pai se torna um magnata do comércio. Cada uma dessas bifurcações gera outros entroncamentos que vão sendo percorrido por Auster, no comando de seu protagonista, de início com muita maestria, criando um romance fluído a ponto de parecer que seus duplos irão se encontrar em alguma das linhas do diagrama.

Esta ilusão, de resto criada pelo próprio ideal de unidade romanesca que todo leitor carrega consigo, logo é desfeita com eventos mais abruptos na trajetória de cada um dos personagens. Tais eventos são narrados com uma carga dramática assombrosa, e rendem as passagens que não deixam a dever ao caráter monumental da obra (mais de 800 páginas na edição brasileira e mais de mil nas em inglês). Mas há, naturalmente, excessos e caminhos obscuros pelos quais Auster se embrenha, guiado por este brilhantismo.

O que torna seu jogo mais atraente, mesmo quando cai nestes abismos de longas e intermináveis páginas, são as reflexões incorporadas pelos seus heróis sempre que eles se veem no limiar de grandes feitos. Seja perante Deus ou perante o universo material (os fatos públicos e históricos são sempre imutáveis, independente das pequenas ações), os Archies estão constantemente se questionando, cada um à sua maneira, sobre o poder ou a impotência de mudar o seu próprio destino, seu livre-arbítrio diante de uma porta que escolheram ou não abrir.

A angústia dos personagens (talvez a angústia de Deus ao conceder o livre arbítrio, mas se manter o guardião do destino de suas criaturas) é talvez a mesma do autor, igualmente obcecado pelo romance que escreveu e pelo romance que deixou de escrever. Esta metalinguagem (um clichê da contemporaneidade, que muito deve a Auster) pode incomodar um pouco, sobretudo as leitores mais escolados em sua prosa. As previsibilidades, no entanto – construída com pistas que o próprio Auster não se furta em ir deixando –, são contornadas com a recorrência ao delicioso mito fundador do livro: a anedota daquele avô que chega aos EUA e muda de nome na fila da imigração.

O preâmbulo da história (que muito lembra os prólogos dos filmes dos Irmãos Cohen) é o que faz de “4321” uma interessante parábola sobre a existência humana e sua marca no mundo, um exercício filosófico ao qual Auster se propõe literariamente, incorporando o efeito borboleta e a teoria dos mundos paralelos à experiência realista da ficção. “4321” é uma contagem regressiva demorada para um desfecho talvez não tão apoteótico quanto prometem os seus vários desfechos anteriores. Mas caminhante, o caminho se faz caminhando – diria o andarilho. É o que Auster parece nos soprar ao ouvido no final.
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Marina 06/08/2019

4321
Terminei, depois de um mês certinho, consegui finalizar a leitura.

Esse livro me chamou a atenção na hora que eu vi ele porque eu tava procurando algum calhamaço pra ler e achei um que trata justamente de um assunto que eu amo: efeito borboleta.
Eu sou a mulher que mais acredita que cada pequena ação que a gente faz influencia na nossa vida INTEIRA, de formas inacreditáveis e é exatamente isso que o livro traz.

Diferente de outras resenhas, essa eu tô aqui só pra falar o que achei do livro, não falar sobre a história em si.

Teve uma parte entre as páginas 400-600 que foi maçante pra ler, foi beeeeem enrolada e eu não tava gostando, mas tirando isso, o livro foi perfeito e, obviamente, mesmo essas páginas influenciam no desenrolar da vida do Ferguson de mil maneiras e eu achei incrível.

Favoritei o livro justamente por ser esse tema maravilhoso e tratar muito bem como tudo é capaz de mudar sua vida, fora que o Paul Auster é um escritor maravilhoso, a leitura é fluída e os personagens são cativantes. Eu fiquei feliz e triste e quis chorar em mil partes, eu nem sei como descrever mais.

E o final: NÃO ESPERAVA!!!!!!

E é isso, mais um favoritado. Esse ano tá bom!
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Cassionei 09/03/2019

Vítima da circunstância (ou do acaso)
Ler também é fazer exercício físico quando se trata de calhamaços com mais de 1 quilo. É o caso de 4321, de Paul Auster (Companhia das Letras, tradução de Rubens Figueiredo). Depois de quase duas semanas imerso nas mais de 800 páginas do romance, devo ter aumentado minha massa muscular. Mais do que meus braços, porém, trabalharam muito os neurônios, numa tentativa de ler e entender as 4 vidas de Archie Ferguson, o protagonista.

Sim, 4 vidas. São 4 narrativas distintas para um mesmo personagem, com exceção do primeiro capítulo 1.0, que conta sua origem familiar. A partir do capítulo 1.1, as histórias tomam caminhos distintos, sempre na perspectiva do “e se...”, comum nos romances de Paul Auster. Se o leitor não se perder, aproveitará uma das melhores experiências literárias de sua vida (ou pelo menos de uma delas).

Como ler o romance? Tal qual O jogo da amarelinha, do Julio Cortázar, 4321 pode ser lido da página inicial até a final, sem pular nada (na verdade, você vai pular alguns capítulos, mas saberá durante a leitura o porquê). Eu li dessa forma e, para não me confundir, fui fazendo anotações sobre o que acontecia com Archie em cada uma das partes, pois as histórias diferentes aparecem intercaladas. Outra maneira de ler, talvez mais fácil, é seguir os capítulos correspondentes a cada Archie diferente, lendo primeiro todos os capítulos sobre o Archie 1, depois sobre o 2, depois o 3 e por fim o 4, como se tivesse lendo 4 romances. O fácil, porém, vai tirar o brilho da obra. É por sua conta e risco.

Sem deixar escapar muitas revelações dos enredos, apesar de o próprio Auster ter entregado muita coisa em entrevistas, apresento alguns apontamentos que fiz, que preencheram os espaços em branco nas páginas finais do volume e outras folhas soltas. A parte 1 do romance se passa nos anos 40 e início dos anos 50. O capítulo 1.0 é uma espécie de prólogo, contando a história dos avós e dos pais de Ferguson, inclusive sobre a origem do sobrenome da família judia que migrou para os EUA. Os capítulos 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4 contam a infância de Archie Ferguson, nascido em 3 de março de 1947, mas trajetórias de vida diferentes. Peguei como, digamos assim, um ponto de corte para me guiar o negócio de seu pai, Stanley, figura emblemática na história (ou nas histórias), devido à relação conflituosa entre os dois. Em 1.1, ele se torna sócio de um irmão que depois o rouba; em 1.2, acontece um incêndio na loja e Stanley escapa de morrer; já em 1.3, o pai morre no incêndio; em 1.4, Stanley prospera e amplia seu negócio.

Veja bem: não são exatamente esses fatos que tornam a vida de Archie diferente em cada um dos capítulos. Há várias outras circunstâncias. Todas lidam, claro, com o acaso, palavra-chave no conjunto da obra de Paul Auster. O Archie 1, quando criança, reflete sobre isso depois de ter caído de uma árvore: “Se Chuckie não tivesse tocado a campainha de sua porta naquela manhã e chamado Ferguson para sair de casa e brincar, não seria burrice. Se seus pais tivessem se mudado para uma das outras cidades onde procuraram a casa certa para morar, ele não teria conhecido Chuckie Brower, nem saberia que Chuckie Brower existia, e não seria burrice, pois a árvore que ele subiu não estaria no quintal de sua casa. Que ideia mais interessante, disse Ferguson para si mesmo: imaginar como as coisas podiam ser diferentes para ele, ainda que ele fosse a mesma pessoa. O mesmo menino numa casa diferente. O mesmo menino com pais diferentes. O mesmo menino com os mesmos pais que não faziam as mesmas coisas que faziam agora.” 4321 é justamente o romance sobre esse mesmo menino em circunstâncias diferentes.

As trajetórias de Ferguson então prosseguem, dos anos 50 até o início dos anos 70: há o seu relacionamento com Amy, por exemplo, por quem em uma das histórias nutre uma grande paixão, mas em outras as circunstâncias o separam, ou porque se tornam primos ou porque a mãe dele (do Archie 4) e o pai dela se casam. O Archie 3 acaba tendo uma experiência homossexual que muda sua vida, enquanto o Archie 1 perde dois dedos em um acidente, circunstância que o afasta da possibilidade de ser chamado para lutar na Guerra do Vietnã. Auster explora isso de uma forma precisa, fazendo jus a Ortega y Gasset, que afirmava que o indivíduo é ele e sua circunstância que, particularmente, não separo do acaso.

Contar mais detalhes é estragar as surpresas que vão se sucedendo no decorrer da história (ou das histórias). Não parece que estamos diante de um livro longo, às vezes monótono e confuso. E esse livro é longo, às vezes monótono e confuso. A vida é assim, longa (quando não é interrompida pelas circunstâncias), às vezes monótona e confusa. A vida também é definida por mínimas coisas: somos formados pelos livros que estão à nossa disposição por diferentes motivos (uma tia que é leitora e tem muitos livros ou uma boa biblioteca pública perto de casa), nosso gosto musical sofre influência das pessoas que nos rodeiam e pode mudar se por acaso, mudando o dial no carro, uma estação de rádio qualquer tocar uma música que jamais o indivíduo escutaria. O amor pode surgir quando caminhamos na rua e pode nos fugir se, por acaso, e sempre ele, nos distrairmos ao olhar uma vitrine. Mesmo as escolhas que fazemos são resultado de forças aleatórias que nos rodeiam. Não somos donos reais do nosso destino. Não fosse o acaso me fazer entrar em contato com a literatura, talvez não estivesse aqui escrevendo sobre esse livro. E você, leitor, não fosse o acaso de se deparar com este jornal na banca, talvez não estivesse lendo esta resenha.

Paul Auster eleva à quarta potência sua literatura e põe na roda um senhor romance, digno de figurar como uma das grandes obras da Literatura Universal. E não é por acaso.


site: https://cassionei.blogspot.com/2019/02/minha-resenha-sobre-4321-do-paul-auster.html
Fernanda Santos 10/03/2019minha estante
Adorei a sua descrição.Interessada em ler a obra agora! Obrigada!


Cassionei 10/03/2019minha estante
Que bom, abraço.




Camila Faria 03/01/2019

Quais são as escolhas que estruturam e regem a vida de um indivíduo? Em 4 3 2 1, Paul Auster constrói 4 narrativas diferentes da vida de Archie Ferguson, 4 realidades distintas do mesmo personagem, com pequenas (mas importantes) diferenças entre si, que impactam substancialmente no percurso da sua existência. O autor trabalha questões como a influência do dinheiro e das relações familiares na construção do ego e brinca com o imenso e imprevisível poder do acaso no destino do personagem (o que nos faz inevitavelmente pensar no impacto do acaso na nossa própria vida). O projeto (e a premissa do livro) é, sem dúvida, muito intrigante ~ mas confesso que achei o personagem-chave Archie um tanto sem graça, em todas as suas 4 versões. Não sei, não consegui me empolgar com nenhuma das suas trajetórias e o protagonista, mesmo com fios condutores marcantes, me pareceu sempre um pouco apático e desinteressante (tendo o Archie de Manhattan uma certa vantagem em relação aos demais). Outros personagens acabaram me marcando mais durante a leitura, como as várias representações de sua mãe Rose e de sua amiga/meia-irmã/namorada Amy. O final é particularmente pouco inspirado ~ e não vou entrar em detalhes aqui ~ mas me pareceu uma solução que a gente já viu aplicada mil vezes na literatura. :/

site: http://naomemandeflores.com/os-quatro-ultimos-livros-24/
Carlos Fitzgerald 03/04/2019minha estante
Tbm não gostei do final. O livro mescla o tempo todo ficção e realidade (política norte americana) o final é bem isso, uma junção das duas. Como se personagem e escritor se fundissem.




Bárbara Blanc 14/11/2018

Esse livro é delicado, eu aprendi e refleti muito ao longo das mais de oitocentas páginas e antes da metade do livro eu já sabia que tinha em minhas mãos uma obra única e ambiciosa, a história contém momentos autobiográficos e também históricos (algumas pessoas que aparecem no livro como personagens secundários realmente existiram e foi muito interessante conhecê-los), além de trazer diversas indicações de livros que eu ainda não conhecia e fornecer um sentimento de quentinho no coração de livros que já li e estavam mencionados na obra.
O Archie (personagem principal) é complexo e bem construído, esse livro me cativou, e foi incrível ter tido a oportunidade de conhecer e respeitar tantas versões de uma pessoa só, enquanto eu lia eu passava muito tempo fantasiando muito sobre minhas escolhas e sobre as diversas vidas que eu poderia ter, e se eu não tivesse lido esse livro, talvez, toda a minha vida tivesse tomado um caminho diferente.
O Archie sempre vai ter um cantinho no meu coração.
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Rodrigo 16/10/2018

um verdadeiro exercício de paciência.
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Dayse Lima 02/10/2018

Quantos de nós cabem em nós
Resenhar 4321 não é uma tarefa fácil. Pelo menos para mim. Fã de Paul Auster, comecei a leitura com grande expectativa e, embora não tenha me frustrado, devo dizer que tive sentimentos e impressões bastante cambiantes ao longo da leitura, antes de me pacificar de vez com o livro.
Sem querer dar muitos spoilers – pelo menos não muitos além dos que já fazem parte dos textos de divulgação, trata-se de uma coleção de ficções (?), todas elas em torno de um mesmo personagem. Ou melhor, todas elas em torno das sutis variações de um mesmo personagem, Ferguson, que nasce, passa a infância e atravessa a juventude no período que compreende o pós-guerra americano até o início dos anos 70. Em todas essas variações, ou versões, nosso Ferguson desdobrável está inserido num mesmo contexto histórico e familiar (é filho dos mesmos pais, neto dos mesmos avós e sobrinho de uma tia, que, com pequenas variações de intensidade, se faz presente na sua formação intelectual), circula nos mesmos lugares e entre os mesmos amigos – ainda que tanto lugares quanto amigos se revezem em diferentes fases dessas histórias – , tem o mesmo background cultural e compartilha o mesmo gosto pela literatura e pelos esportes, alternando-se entre o beisebol e o basquete. Então, pergunta-se: o que faz um Ferguson ser diferente de outro?
Para mim, é esta pergunta que guarda a chave da relação que os leitores mantêm com o livro. Quer dizer, se a apreensão do leitor se prende nas ficções trazidas por Auster ou se vai além desse ponto e se projeta nas pequenas – às vezes microscópicas – variações que fazem mudar o curso de uma vida. Se for esta última a opção de leitura, expande-se o potencial interesse nessa criação de Auster para a necessidade de aproximação quase filosófica com as múltiplas existências do personagem, o que deve levar a novas perguntas – guardamos em nossas vidas embriões de possibilidades fecundas de existência? poderíamos ter, cada um de nós, outras vias de existência, privando, em todas elas, dos mesmos prazeres, dos mesmos amigos e dos mesmos amores? – e a uma reflexão sobre as nossas próprias escolhas e desvios.
Se encararmos a leitura de 4321 sem essa dimensão filosófica, voltada apenas para o desenvolvimento dos personagens e histórias a partir de uma matriz comum, estaremos diante de uma tarefa bastante cansativa de completar, já que estamos falando de mais de oitocentas páginas de texto e de um personagem-matriz jovem (em qualquer das versões, Ferguson não ultrapassa a casa dos vinte anos) e sem a complexidade necessária para sustentar as sutis possibilidades de existência que o autor oferece.
Torna-se esse exercício, então, apenas uma viagem repetitiva por histórias da própria paixão de Auster pelos quarteirões de Nova Iorque, pela literatura, pelo cinema ou pelos times de beisebol e basquete. Uma viagem, ademais, difícil de atravessar, caso sejamos obedientes à estrutura do livro (o que foi meu caso), que promove o reencontro do leitor com uma versão do personagem apenas a cada cento e sessenta páginas, mais ou menos!
Quando, ao contrário, vemos em 4321 a perspectiva de que a mais comum das existências guarda infinitas e sutis possibilidades de caminhos, somos recompensados, lá nas páginas finais, com a felicidade de constatar que não passamos de síntese de nossos próprios sonhos. Desse modo, quatro, dez, ou um milhão de possibilidades se resumem a uma única vida.
Alê | @alexandrejjr 29/11/2018minha estante
Dayse, tu pretendes reler o livro seguindo outra estrutura algum dia? Muito boa a tua resenha. ?


Giuseppe.Mazzoni 07/03/2019minha estante
Boa noite Dayse, excelente a sua resenha, procurei alguém p falar sobre o livro pq terminei ontem depois de um longo período. Como foi difícil encarar as 816 páginas, mas todo o esforço foi compensado. O fim do livro é muito bom, uma resposta q a gente espera durante toda a leitura. Pra que tudo aquilo? 4 histórias com condicionantes diferentes, respostas diferentes ao mundo, aceitações e revoltas! Não descarto o caráter autobiográfico, considerando-se o talento de escritor dos Fergusons, a vasta cultura q permeia o livro através das orientações de leituras por mestres e parentes. A vasta cultura do Auster se apresenta como se ele mesmo estivesse mostrando tudo que leu.
A leitura foi difícil e intrigante. Por todo tempo de leitura me esforcei p sentir o q cada Ferguson fazia por sua vida e refletindo qual seria a minha reação se tivesse q experimentar as diversas tragédias e alegrias, como o destino transforma a gente nos tornando meros sobreviventes. Foi um grande exercício de memória, pois quase desenhava a árvore genealógica de cada Ferguson p não me perder!
A história q passava ao fundo também me tocou muito, nasci 10 anos depois do Archie e sentí os ventos de muitos daqueles acontecimentos e muitas vezes corri p o Google p pesquisar o q era real ou ficção. Achei o livro também um grande índice p quem quer ter conhecimento literário mais consistentes, meu livro está todo marcado e espero consulta-lo sempre.
Enfim sem nenhum spoiler, e sem muita profundidade deixo aqui minha resenha, finalinzando com o clichê q este foi um dos melhores livros que li.




Alexandre Kovacs / Mundo de K 08/07/2018

Paul Auster - 4 3 2 1
Editora Companhia das Letras - 816 Páginas - Tradução de Rubens Figueiredo - Lançamento no Brasil: 11/06/2018.

Este romance marca o retorno de Paul Auster ao mercado editorial após um período de sete anos sem lançamentos na área de ficção, tendo sido não só o finalista, mas também o favorito do influente Man Booker Prize do ano passado, quando foi superado por Lincoln no Limbo de George Saunders, em uma decisão nada fácil para os juízes, em uma das versões mais competitivas da premiação em muitos anos, e que contou ainda com os livros de Arundhati Roy e Zadie Smith na longlist de 2017.

O projeto literário de Paul Auster, com o interessante título em contagem regressiva: 4 3 2 1, é bem diferente de outras obras de sua bibliografia (ler as resenhas de A Trilogia de Nova York e Sunset Park), tanto pela extensão quanto pelo estilo de romance de formação com cunho realista e histórico. Ambientado, em sua maior parte, nos subúrbios e na cidade preferida do autor, Nova York, o romance é constituído, na verdade, por quatro romances em um só. Auster parte da mesma origem familiar de seu protagonista, Archie Ferguson, imaginando quatro possíveis trajetórias para a sua vida, durante o período da infância até a juventude. O primeiro capítulo (1.0) é comum a toda a narrativa e descreve a imigração do avô paterno, judeu soviético, que chega nos Estados Unidos em 1900, o seu estabelecimento no país, o encontro e o casamento dos pais de Ferguson, Rose e Stanley, e o seu nascimento em 1947 mas, a partir do capítulo 1.1 em diante, revelam-se diferentes alternativas para o protagonista (1.2, 1.3 e 1.4) que serão desenvolvidas em paralelo por todo o livro (2.1, 2.2, 2.3, 2.4...).

O romance demanda não apenas tempo, mas também concentração redobrada do leitor ao longo de suas mais de 800 páginas. O surgimento de dezenas de personagens que se multiplicam e mudam nas diferentes versões, fazem com que ocorra, com frequência, uma certa confusão que, pelo menos no meu caso, começa a embaralhar os detalhes da história dos quatro protagonistas, um fenômeno de imersão parecido com a repetição de nomes das gerações da família Buendía no clássico Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez. No entanto, em ambos os casos, esta dificuldade não é importante para o sentido global da história, na verdade esta sensação de imersão, constitui um efeito proposital do conceito literário de cada autor. Logo, não é fundamental guardar o nome de todos os personagens ou até mesmo o fato de confundir algumas características do protagonista em suas diferentes versões, apesar de que não existem falhas de continuidade, posso garantir.

"Estava claro que o ator central de seu drama se encontrava em sua virilha. Ou, para retomar a terminologia dos antigos hebreus, em seu baixo-ventre. Quer dizer, suas partes íntimas, que na literatura médica são referidas comumente como genitália. Desde quando ele se entendia por gente, sempre teve uma sensação boa ao se tocar ali, mexer no pênis quando ninguém estava olhando, na cama de noite ou de manhã cedo, por exemplo, manipular aquela protuberância de carne até que ela se levantasse dura no ar, duplicando ou até triplicando de tamanho e, com essa mutação espantosa, um tipo incipiente de prazer começava a se espalhar pelo corpo, em especial na metade inferior do corpo, a sensação de um impulso sem forma que ainda não era o êxtase, mas sugeria que o êxtase, um dia, seria alcançado por um tipo semelhante de fricção. Agora Ferguson estava crescendo sem parar, toda manhã seu corpo parecia ficar um pouco maior do que na véspera e o crescimento do seu pênis seguia o mesmo ritmo, já não era mais o pintinho enrugado da infância pré-pelos, e sim um apêndice cada vez mais substancial, que agora parecia possuir uma mente própria, que se alongava e endurecia à menor provocação, sobretudo naquelas tardes em que ele e Howard examinavam as revistas de mulheres nuas de Tom." 1960, Ferguson-2 aos treze anos (Pág. 170)

O efeito da simultaneidade dos protagonistas oferece uma oportunidade ficcional única para que Paul Auster possa abordar o conturbado momento histórico norte-americano, durante os anos cinquenta e sessenta, a partir de diferentes pontos de vista. Sendo assim, os eventos mais importantes dessas décadas servem como pano de fundo para o romance, entre eles: a Guerra Fria, a crise dos mísseis russos em Cuba, o assassinato de Kennedy, o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, as contestações sociais e conflitos raciais, o movimento da luta pelos direitos civis, o assassinato de Martin Luther King, o surgimento da contracultura e, finalmente, o movimento libertário de 1968 no mundo e os seus efeitos na sociedade norte-americana. Cada um desses eventos tem um efeito e uma participação diferenciada de cada Ferguson, seja como repórter, escritor, estudante ou simplesmente cidadão.

"No dia 7 de fevereiro, oito soldados americanos foram mortos e 126 foram feridos num ataque do vietcongue contra uma base militar em Pleiku — e começou o bombardeio do Vietnã do Norte. Duas semanas depois, no dia 21 de fevereiro, poucos dias depois do fim da temporada de basquete do ensino médio, Malcom X foi fuzilado por assassinos da Nação do Islã, na hora em que estava fazendo um discurso no Audubon Ballroom em Washington Heights. Eram esses os dois únicos assuntos que pareciam existir, escreveu Ferguson numa carta para a tia e o tio na Califórnia, o crescente banho de sangue no Vietnã e o movimento dos direitos civis, na esfera local, os Estados Unidos brancos em guerra contra os amarelos no Sudeste Asiático e os Estados Unidos brancos em conflito com seus próprios cidadãos negros, que estavam cada vez mais em conflito consigo mesmos, pois o movimento que já havia se dividido em facções estava se fracionando ainda mais, em facções de facções, e talvez até em facções de facções de facões, todo mundo em conflito com todo mundo (...) " 1965, Ferguson-1 aos dezoito anos em Nova York (Pág. 373)

O núcleo de personagens, formado pelos pais, parentes, amigos e namoradas de Ferguson é basicamente o mesmo (embora cada capítulo sempre apresente alguns específicos), contudo em cada versão eles assumem trajetórias e até mesmo personalidades diferentes ao longo da trama. É bastante peculiar que, não só o destino do protagonista seja aleatório em cada versão, mas também o dos outros personagens. Sendo assim, em uma das versões o pai se torna um milionário, proprietário de uma cadeia de lojas de móveis e eletrodomésticos para, em outra versão, morrer em um incêndio criminoso planejado pelo próprio irmão. É claro que os efeitos na formação do protagonista são completamente opostos, mas não garantem uma vida feliz ou infeliz, evito apresentar maiores detalhes para não correr o risco do imperdoável spoiler na resenha.

"'Odisseia' era o segundo livro na lista de Gil. 'Ilíada' veio antes, e, depois de vencer a travessia dos dois poemas épicos do anônimo bardo dos bardos a quem deram o nome de Homero, Ferguson jurou que ia ler mais noventa e oito livros nos dois anos seguintes, inclusive tragédias e comédias gregas, Virgílio e Ovídio, parte do Velho Testamento (versão de Rei Jaime), 'Confissões' de Santo Agostinho, 'Inferno' de Dante, mais ou menos metade dos 'Ensaios' de Montaigne, não menos de quatro tragédias e três comédias de Shakespeare, 'Paraíso perdido' de Milton, trechos escolhidos de Platão, Aristóteles, Descartes, Hume e Kant, 'The Oxford Book of English Verse', 'The Norton Anthology of American Poetry', bem como romances ingleses, americanos, franceses e russos de escritores como Fielding-Sterne-Austen-Hawthorne-Melville-Twain, Balzac-Stendhal-Flaubert, e Gógol-Tolstói-Dostoiévski. Gil e a mãe de Ferguson esperavam que seu filho, incapaz de servir o Exército, ex-ladrão de livros, mudasse de atitude a respeito de entrar para a faculdade em um ou dois anos, mas caso Ferguson persistisse em recusar os benefícios da educação formal, pelo menos aqueles cem títulos lhe dariam algum conhecimento sobre alguns dos livros que toda pessoa culta deveria ler." 1965, Ferguson-3 aos dezoito anos em Paris (Pág. 506)

Paul Auster lida com o fascinante efeito do acaso que vai moldando um destino imprevisível em nossas vidas e me faz lembrar de uma frase famosa de outro grande amante da cidade de Nova York, Woody Allen, quando afirma: "Quer fazer Deus rir? Conte-lhe os seus planos para o futuro". Somente a literatura e o amor por Amy Schneiderman permanecem os mesmos em todas as versões de Ferguson. Por sinal, este livro faz parte daquele seleto grupo de obras que são inspiradoras para escritores em geral, uma vez que existem muitas passagens descrevendo detalhes do processo criativo e diferentes projetos literários, um exemplo claro de metaficção. Interessante notar também o fato de Paul Auster ter escolhido o mesmo local (Newark, NY) e praticamente a mesma data de nascimento para o seu protagonista (03/03/1947) diferente apenas em um mês da sua própria (03/02/1947), não há dúvida, portanto, sobre a carga de material autobiográfico presente no romance.

"Ele tinha dinheiro o bastante para se sustentar por um ano e, nos primeiros cinco meses daquele ano, Ferguson conseguiu se virar numa boa, seguindo seu plano à risca. Agora, só quatro coisas tinham importância para ele: escrever seu livro, amar Celia, amar os amigos e ir ao Brooklyn College e voltar para casa. Não que Ferguson tivesse parado de prestar atenção no mundo, mas o mundo não estava mais simplesmente se desfazendo em pedaços, o mundo tinha pegado fogo e a pergunta era: O que fazer, ou não fazer, quando o mundo pega fogo e você não tem o equipamento para apagar as chamas, quando o incêndio está tanto dentro de você quanto à sua volta e quando, a despeito do que você faça ou deixe de fazer, suas ações não servem para modificar nada? É melhor se aferrar a seu plano e escrever o livro. Foi a única resposta que Ferguson conseguiu imaginar. Escrever o livro, substituindo o incêndio real por um incêndio imaginário, e torcer para que o esforço acabasse dando em alguma coisa que fosse mais do que nada. Quanto à ofensiva do Tet no Vietnã do Sul, quanto à desistência de Lyndon Johnson de concorrer à presidência, quanto ao assassinato de Martin Luther King: Observar tudo isso com o maior cuidado possível, assimilar tudo o mais fundo possível, porém nada mais além disso. Ele não ia combater nas barricadas, mas ia aplaudir os que combatessem, e depois voltaria para seu quarto para escrever seu livro." 1968, Ferguson-4 aos vinte e um anos em Nova York (Pág. 774)

Desculpem o clichê, preciso admitir que ambicioso é um adjetivo pouco original, porém se adapta perfeitamente a esta obra de Paul Auster, um autor já consagrado, mas que não tem medo de arriscar ao escrever sobre um tema tão escorregadio quanto os efeitos do acaso em nossa existência. Um livro que nos oferece um tetra-protagonista carismático que compensa o tempo e o esforço investidos na leitura, provocando a estranha reflexão de que somente a literatura pode conceber algum sentido para a imprevisibilidade da vida e proporcionar uma espécie de vingança contra os deuses que se divertem manipulando o nosso destino.
Ladyce 08/07/2018minha estante
Vi uma entrevista com ele no Canal TV5 da França. Fiquei impressionada como ele fala bem o francês... talvez esteja no youtube. Foi elucidativo. Programa La Grande Librairie.


Alexandre Kovacs / Mundo de K 08/07/2018minha estante
A literatura francesa está muito presente neste romance, inclusive uma das versões do protagonista vive em Paris por um tempo. Não deixe de ler!




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