Carne em Delírio

Carne em Delírio Cassandra Rios




Resenhas - Carne em Delírio


9 encontrados | exibindo 1 a 9


Rafaela.Maria 26/06/2020

Submissão ou Crítica?
A história de Cassandra Rios nos mostra uma mulher que lutou pelo o que acreditava, sem que a censura lhe parasse. No entanto, com essa obra, fiquei na dúvida se o enredo se tratava de uma submissão ao que era imposto ou se era uma crítica - até mesmo um sarcasmo- a visão masculina da vida sexual das mulheres. Sabe-se que, naquele momento, as pautas de libertação sexual feminina estavam em voga, então estaria Cassandra ridicularizando o pensamento retrógrado sobre a vida pessoal das mulheres com uma história mamão com açúcar?
Minha nota se deu pelo fato de ser uma história simples e atrativa apenas pela forma feroz e poética que Cassandra descreve o desejo carnal. Fora isso, um enredo bem ralo e sem muito diferencial. Daria uma ótima novela da globo!
Gostei, mas não sei se recomendo.
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Viniciuse009 01/06/2020

Ai que 50 tons: calma lá.
Caso você esteja lendo esta resenha para saber se vale a pena ler esse livro, te digo logo: você precisa levar algumas coisas em consideração. (Não vou fazer resumo)

Carne em Delírio é um romance simples: do ponto de vista da linguagem como da história em sim.

É um livro escrito por uma mulher, sobre uma mulher. É uma obra sobre a libertação da sexualidade da mulher; a mulher se libertando das amarras sociais que impões regras sobre seu corpo. É um romance sobre a liberdade feminina. Cristina, o típico estereótipo romântico (alva, curvilínea, rica), nada tem de recatada e do lar. Ela não se curva à sociedade; apesar de se casar duas vezes sem amor verdadeiro, pois ela ainda está inserida nesse sistema, não se restringe sexualmente a seus maridos; a vinda de Alexandre (uma versão menos sadomasoquista e que mais bruta e o Sr. Grey), é o fator libertador: por esse amor, por esse prazer erótico que ele a faz sentir, ela corre atrás. Então, se você estiver a procurar uma pimenta, esse livro é uma boa pegada.

É um romance importante, visto ter sido escrito por uma mulher em tempos de grande opressão às artes, em especial à mulher escritora. Junta essa opressão a uma escrita erótica, homoafetiva? Pronto... um prato cheio para a perseguição. Cassandra foi uma das escritoras mais vendidas e também mais perseguidas de seu tempo. Mas aí eu te pergunto: quantas vezes já ouvimos falar dela (na escola ou na faculdade?). Ler Cassandra é mais que ato de pessoal, é político, cultural. Leiamos mulheres, resgatemos nossa história e vamos dar vozes àqueles cuja opressão quis calar. A voz destas figuras não pode e não deve morrer.

Agora... se você vem para aqui querendo encontrar o melhor da literatura brasileira, talvez se decepcione. É um romance sem complicações (e isso não é sinônimo de ruim). Mas é falho, especialmente se o considerarmos uma obra pós-modernista. É bem romantizado: os personagens, os diálogos; acontecimentos, falas, não de uma mulher de seus 25 anos ou de um homem de seus 28, mas ambos parecem dois adolescentes de 14. Cenas dramáticas, estereótipos (claro, precisamos considerar a época, o público, a temática), mas ainda assim, para um romance pós 40, ainda é muito europeizado, e romantizado,

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Carol 02/02/2020

"Fora traída por si própria. Continuava a querê-lo como antes e, mais ainda, integrando-o no próprio espectro. E ele agora continuava distante e imperioso dominando-lhe os sentidos e atordoando-lhe a razão."
Carne em Delírio é muito mais do que apenas um relacionamento sexual entre dois amantes socialmente diferentes. É também uma obra que trás, por meio das sentenças simples e rápidas, a reação do consciente da personagem contra seus pensamentos mais obscuros e lascivos.

"Mas real. Não era sonho! Amava o vulto que surgia das trevas de sua imaginação e que se incorporara naquele homem estranho e altivo. Ela não se julgava louca, porém mais desesperada. O pensamento proibido marcava-se dentro dela como a concretização daquele sonho."
Diante de uma sociedade patriarcalista, governada por homens - sendo estes de classes altas ou baixas -, Cassandra Rios escrever, sem esconder nada, uma obra provocante na sua época. Cristina, a protagonista da história, entra num confronto interno e psicológico consigo mesma, pois sendo mulher, ela deveria se enquadrar com aquilo que foi destinado a ela: se casar, servir ao marido e não trair. Mas a partir do momento que ela começa a sonhar com Alexandre após o incidente que sofrera, perdendo de vez o bebê do seu primeiro noivo, Cristina deixa se submergir a este encantamento de volúpia, ora as vezes se afogando em seus pensamentos ora se afundado cada vez mais para o desconhecido.

"Era sublime e horrível confrontar-se com a imagem de seus devaneios. Durante muito tempo ficou ali absorta. Tinha impressão que voava arrastada de novo nas asas da mais doce quimera."
Através de metáforas, Cassandra faz o leitor se submergir junto com a personagem nesta ventura e isso, talvez, deixa a leitura ainda mais intrigante e, principalmente, deleitosa.

site: https://www.instagram.com/4artcar/
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Jansen 13/03/2018

Li por curiosidade, pois na década de 60 eram muito comentados os livros da autora. Imoral, indecente, sacana etc. era como a chamavam. Agora resolvi ler este romance e, apesar de não ser meu gênero mais apreciado achei bem escrito e com cenas realistas, o que deve ter incomodado os puritanos. É uma experiência interessante ler uma autora tão maltratada e descobrir que era simplesmente seu estilo.
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Clio 09/03/2015

Livros sobre a liberação sexual feminina são sempre poucos ou, estranhamente, repudiados. Esse livro de Cassandra Rios foi banido durante a sua primeira edição bem nos anos 70, quando o Brasil estava passando justamente pela revolução sexual.

Carne em Delírio traz o tema da ótica masculina sobre a sexualidade feminina... sobre a forma como as mulheres enxergavam - e em alguns casos ainda enxergam - a própria conduta referente a sexo, relacionamentos e libido.

A história, em si, é simples. Cristina é uma jovem que após passar por algumas experiências traumáticas, encontra a si mesma (sexualmente falando) ao se apaixonar pelo rude peão de fazenda do seu pai. (Toda e qualquer semelhança com O Amante de Lady Chatterley e genéricos não é mera coincidência)

O estilo pode ser um pouco difícil de se adaptar, pois a narração é simplista ao passo que os diálogos, embora não elaborados, tem uma estrutura formal demais, mesmo para época em que o livro se passa.

O livro é bom ou ruim? Francamente, depende do que você considera como boa leitura. Dei um regular porque após terminar a leitura a impressão que tive foi que Cassandra Rios concorda com a máxima do velho Adão, pai do Analista de Bagé: "Pra segurar potro no pasto e mulher em casa, só se carece de um pau firme".
Jansen 13/03/2018minha estante
Uma análise muito bem feita do livro. Concordo com você.




Michel 19/02/2012

Não aguentei passar da 100ª página. Me pareceu um grande novelão global. Affff...
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Nikolau 02/02/2010

Só, mano. Essa mulher é doideira.
Tô dentro!
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