Snowglobe

Snowglobe Fábio M. Barreto




Resenhas - Snowglobe


11 encontrados | exibindo 1 a 11


Marlon.Abel 01/06/2021

Snowglobe
Um livro ok, que me prendeu no início por conta de sua dinâmica mas em que dado momento sentiu uma necessidade de enxertar mais a história para ter mais páginas mesmo que não tivesse mais muitas idéias, deixando em vários momentos o relato pedante.
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alm0fadiinhas 11/03/2021

"Humanos só sabem existir"
Eu adorei como eu comecei a ler esse livro achando que era uma coisa e lá pela metade o livro me deu um tapa na cara e me moatrou que tudo que eu sabia, na verdade eu não sabia.

Preciso de mais livros de ficção científicas de autores brasileiros que sejam nesse nível. Só isso.
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Felipe Novaes 19/02/2021

Um ótimo livro se você ler corretamente
Especular sobre viagem no tempo é meio difícil. Para isso, você precisa conhecer um pouco de teoria da relatividade ou de alguma hipótese quântica sobre o tema (muito embora ter uma teoria quântica sobre o tempo seja difícil e pouco consensual). Tá ok, você também pode só ver Interestelar, se estiver sem tempo (trocadilho péssimo). Mas em Snowglobe, novo livro de Fábio Barreto (de quem eu já era fã ouvindo as participações no Rapaduracast), a viagem no tempo é um pano de fundo diferente de um thriller pessoal. Em vez de focar nos paradoxos e na hard science envolvida na viagem, Barreto já começa o livro fazendo o leitor se perguntar sobre as consequências políticas e econômicas da viagem no tempo. Seria o fim de todas as guerras ou apenas início de novas? Governos se uniriam ao contemplar um futuro devastado por guerras, a fim de evitá-lo? Como o mercado reagiria? As perguntas são muitas, mas o foco da história é outro.

Snowglobe tem em torno de 300 páginas, que li em uns 15 dias. Realmente trata-se de um thriller, e a cada página a expectativa e a curiosidade aumentam. A história começa com Erick assistindo por acaso na TV a notícia de que a que a empresa M.A.S.E mandou um tripulante para o futuro. O frenesi é o mesmo do vôo à Lua no século XX. Mas dessa vez a fronteira expandida foi a temporal, não a espacial. O leitor se dá conta de que a história terá a vida de Erick como um dos epicentros da narrativa quando descobrimos que ele é o cientista da M.A.S.E. responsável por projetar a máquina do tempo, e que até então ele não tinha conseguido atingir seu objetivo. Como diabos a empresa está divulgando as primeiras imagens de uma viagem temporal?

Erick também tem um conflito emocional e familiar em jogo. Seu compromisso com o conhecimento o levou a devotar a vida à carreira, se afastando da família e do amor. Ironicamente, ele pensa que abdicar da família agora terá valido a pena quando descobrir como viajar no tempo e puder se dedicar à família. Essa ambivalência lateja em cada fala do personagem. Barreto tem bastante sucesso em transmitir a angústia e anestesia emocional do personagem em cada frase. Ele é como um vigilante com uma identidade secreta e uma vida dupla.

Snowglobe começa a esquentar quando Becca, a empresária cheia de sucesso e personalidade que Erick deixou, nota alguns desaparecimentos estranhos ocorrendo quase ao mesmo tempo que a divulgação da viagem no tempo. Os desaparecidos são seu amigo jornalista Andrew McNab e ninguém menos que seu ex, Erick. O que houve com eles? Esses desaparecimentos estariam conectados de alguma forma? Teriam a ver com a M.A.S.E?

O misterioso e obsessivo antagonista é Peter Stanton, CEO da M.A.S.E. (que me lembrou muito de Ozymandias, de Watchmen). Becca parece desconfiar que o sumiço de seus amigos tem a ver com a ânsia de Stanton em divulgar a viagem temporal. Existe algo de podre nessa história, e ela vai investigar.

Enquanto assistimos as pistas do grande mistério serem coletadas, ficamos sabendo das consequências mundiais da viagem no tempo por intermédio das negociatas de Stanton mundo afora. As ações da M.A.S.E. sobem instantaneamente e tudo indica que Stanton vai virar o guru dos governos que puderem pagar por isso. Governos e empresas no mundo inteiro estariam interessados em se aproveitar dessa tecnologia para descobrir sobre seu próprio futuro e mover os pauzinhos no presente para concretizar ou evitar o futuro revelado. A M.A.S.E. viraria uma espécie de Oráculo de Delfos mundial (sem os alucinógenos e sem as charadas).

Claro, isso tudo poderia ter um lado ruim, como a maioria das novas tecnologias tem. Viajar até o futuro e enviar informações para alertar as pessoas no passado teria o poder de salvar economias, pessoas e até o meio ambiente, mas isso também geraria uma nova dimensão de disputas por recursos (e pela própria viagem). As pessoas brigariam no presente para garantir ou evitar as previsões (é algo parecido com a série Flashforward, que eu super recomendo).

A narrativa de Fábio Barreto é clara, instigante. Com seu estilo direto de contar a história, faz o leitor empatizar com os personagens revelando e criando mistérios na medida certa. Mas eu acho que cometi um erro de expectativa ao ler Snowglobe. Eu sou um fã de ficção científica hard e de distopias. Sendo assim, eu esperava um pouco mais de detalhes não apenas sobre como exatamente a máquina do tempo foi criada, mas também sobre as consequências políticas dessa tecnologia disruptiva. Embora os personagens sejam extremamente cativantes, algumas vezes me pegava pensando “Ok, mas como é o mundo do futuro? Como ficou a relação entre os países depois que o viajante temporal apareceu no anúncio em rede mundial?”. Barreto torna essas coisas não mais que um pano de fundo, explorando apenas o suficiente para justificar a aventura íntima de cada personagem. O autor explicou essa intenção desde o início, eu é que não sabia.

site: https://www.deviante.com.br/noticias/as-consequencias-politicas-da-viagem-no-tempo-uma-resenha-de-snowglobe/
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Starbuck 04/08/2020

Quando comecei a ler o livro, automaticamente já fiz minhas "apostas" dos caminhos que a história ia seguir. Adorei o começo ambientado em locais que conheço, mas poucas páginas passaram para que deixasse de lado as teorias e minha atenção se voltasse a construção dos personagens e enredo.
A história cativante, que parecia muito plausível de estar em ação do lado de fora da minha janela, no nosso confuso mundo real tão dominado pela influência virtual, quanto pela guerra pelo poder.
Staton poderia aparecer em rede nacional bem na minha TV agora mesmo, que não me surpreenderia.
O ritmo da história é muito bom, as nuances dos acontecimentos e a preparação dos personagens conquista a atenção do leitor.
Confesso que nao esperava as surpresas na montagem do quebra cabeça, nem o final dele montado.
Recomendo prestar atenção em todos os personagens, nem tudo é o que parece ser.
Fica também claro que os personagens podiam ser eu, você, um familiar nosso ou algum celebridade ou mandatário que conhecemos. É uma ficção que não se aparta da realidade.
O tempero é a questão da viagem ao tempo, mas não se limita a esse tema.
Uma bela ficção científica, com toques de humor, política e romance, mas muito bem estruturada em uma análise do ser humano e suas escolhas.
Recomendo a leitura Prazerosa e surpreendente de Snowglobe.
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Kezices 02/08/2020

Snowglobe" foi uma leitura bastante prazerosa. Como toda boa obra passada em uma época futura, há muitos paralelos com nossa realidade. Adorei também as referências literárias usadas.
É bacana perceber como a leitura de Snowglobe flui naturalmente. O autor consegue transmitir imagens por meio de suas frases de forma muito eficaz.
As reviravoltas da etapa final deram outra camada de sentido à obra (bastante interessante, por sinal).
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Fábio M. Barreto 11/06/2020minha estante
Pô, essa é aquela resenha que dá vontade de ligar pra quem escreveu e negociar uma estrela a mais! :D
Pensei muito em como fazer aquele final e cada tratamento mais aprofundado, ou longo, parecia apenas protelar algo que, em tese, os personagens pensaram ao longo de toda a narrativa.
Mas entendo TOTALMENTE o que você disse e agradeço. :)
Poderia mesmo ter ido além e vou guardar esse feedback pros próximos.

*ps: deixa a opinião lá na Amazon, pls. :D


Mitch | Não sou crítico literário 20/07/2020minha estante
Hahaha minha resenha foi rabugisse de fã que queria mais! Uma saga em 15 volumes com 800 páginas cada, mas sei que não foi esse o propósito. A história ficou maravilhosa e foi uma condução digna do que a obra que ficou tanto tempo esperando um lugarzinho ao sol merecia.

Obrigado por essa história, Barretão!


Fábio M. Barreto 21/07/2020minha estante
é nóis! :D
obrigado pelas 5 estrelas lá!




Juliana 20/05/2020

Breath of fresh air, como dizem os gringos
Que livro mais gostoso de ler! Estava com saudade de ler literatura nacional, e o escolhido pra matar as saudades não podia ter sido melhor! Cada vez que eu largava o livro me pegava pensando na Blake, na Becca, no Erick, no iReality e naquele mundo tão distante e ao mesmo tempo, tão próximo.

Leitura divertida e agradável, com um bom enredo, bem amarradinho e cheio de reviravoltas (até o último minuto!). Uma boa história, que poderia ter rendido mais subplots e mais ramificações, se o autor quisesse. Mas foi um bom roteiro, personagens críveis, bem construídos e que vão deixar saudades.
Fábio M. Barreto 21/05/2020minha estante
:)
acabei cortando muita coisa em prol do ritmo, sabe?
você está certa, poderia ter mergulhado muito mais.
o próximo livro (nada relacionado ao tema) terá esse foco.

obrigado!


Juliana 21/05/2020minha estante
Opa, que legal você respondendo! =)
Sim, eu entendo, alguns livros se perdem nas subtramas e ficam arrastados. É que o universo criado aqui é bem interessante e ter algumas histórias paralelas seria bem legal! Mas no geral gostei bastante e fiquei com vontade de ler Filhos do Fim do Mundo. Vai ser relançado ou alguma coisa assim? Não achei na Amazon...


Fábio M. Barreto 22/05/2020minha estante
Filhos do Fim do Mundo está fora do mercado pq a editora não paga direitos autorais. Estou reescrevendo e devo relançar no fim do ano que vem. :D

Sobre Snowglobe, pois é, sempre dá aquela vontade de mergulhar em todos os personagens e eu morro de medo de ficar enfadonho. Qq dia eu escrevo um conto sobre o Joseph. :p


Juliana 22/05/2020minha estante
Oba, vou ficar esperando (o relançamento de Filhos do Fim do Mundo e o possível conto sobre o Joseph =p)


Fábio M. Barreto 22/05/2020minha estante
Ah, deixa eu pedir: nào esquece de deixar as estrelinhas e a resenha lá na Amazon também, por favor. Ajuda demais! =D


Juliana 22/05/2020minha estante
Eu deixei, mas eu moro no Canadá, e minha conta kindle tá linkada na Amazon Canada, então a avaliação foi feita lá!


Fábio M. Barreto 24/05/2020minha estante
show de bola! :D thanks!




Paulo 26/04/2020

Uma das coisas que mais me agradam na ficção científica é quando ela trata de um assunto atual. Trabalhos como Fahrenheit 451 (de Ray Bradbury), Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas (de Philip K. Dick) ou A Curva do Sonho (de Úrsula K. Le Guin) por mais que extrapolem futuros intrigantes com tecnologias ainda não existentes, conseguem ecoar temas contemporâneos. Sejam governos totalitários ou o transumanismo, ocupam apenas um cenário de fumaça e espelhos. Fábio M. Barreto faz o mesmo aqui ao nos colocar em um cenário futurista, mas falando de algo tão atual que deve ocupar o jornal de amanhã de alguma forma: manipulação da informação.

A trama gira em torno de dois personagens: Erick Ciritelli e Rebecca Stone. Erick é um pesquisador da M.A.S.E., uma poderosa organização que, após alguma catástrofes que aconteceram na Terra, se tornou uma empresa de vanguarda na pesquisa espacial e em outros projetos mais exóticos. Quando ele estava indo visitar os pais, após anos de isolamento que rendeu o afastamento e o ressentimento deles, uma revelação de um membro do alto escalão da empresa faz com que ele se veja obrigado a cortar sua visita e retornar o seu auto-isolamento. Enquanto isso, Rebecca Stone descobre que seu amigo Andrew McMab, um jornalista investigativo, desapareceu deixando pistas de que a M.A.S.E. estaria envolvida de alguma forma. Ela vai tentar encontrar seu amigo, mas acabará se tornando alvo de uma terrível conspiração. E, nos bastidores do poder, Peter Stanton revela ao mundo que a M.A.S.E. descobriu a tecnologia da viagem no tempo e se revela o Porta-Voz do Amanhã.

Snowglobe possui uma escrita bem redondinha e tranquila de ser compreendida. Mesmo que você não esteja familiarizado com os termos e gírias normalmente empregadas pelo gênero, o leitor não vai ter nenhuma dificuldade. Mais do que isso, Snowglobe é aquele tipo de romance que não fica restrito ao gênero scifi. A narrativa é contada em terceira pessoa a partir de dois pontos de vistas primários, Erick e Rebecca, e dois secundários, Stanton e Blake. Fábio optou pela estrutura cinematográfica de roteiro em três atos, sendo o primeiro até o momento da revelação, o segundo se passando entre isso e uma espécie de confronto final e o clímax per se é o terceiro ato. Essa estrutura também combina bem com a história que possui uma dinâmica bem fluida. Uma vez que o leitor absorve a maneira como o Fábio apresenta os personagens, a narrativa e distribui os capítulos, tudo passa com bastante velocidade.

O que me incomodou um pouco é algo que o Fábio usa de forma recorrente na história. E é engraçado porque é algo que eu emprego nas minhas explicações em sala de aula... mas, vendo de fora me causou esse estranhamento. Assim como eu, o autor é bastante metafórico. Para construir uma situação, algumas vezes ele precisa associar o que se passa com outra coisa. O emprego de uma linguagem figurada teoricamente é voltado para fazer o leitor compreender de forma mais intrínseca aquilo que o autor deseja passar. Mesmo que se trate de uma situação pela qual o leitor nunca passou... recorrer a uma experiência comum para superar a barreira do desconhecido. Só que quando empregada demais, essa maneira de exemplificar cria uma barriga no texto (cria uma barriga na própria fala, levando em consideração que as minhas aulas são longas). Em alguns capítulos acaba não havendo desenvolvimentos relevantes porque o autor ficou preso a uma ou mais metáforas. Entendo que a intenção era criar uma informalidade e uma aproximação com o leitor, mas qualquer coisa quando feita com uma frequência grande acaba mais incomodando do que auxiliando.

Os personagens são o ponto alto da narrativa. Isso demonstra o quanto o autor gastou para desenvolvê-los. Começando por um dos protagonistas, Erick é aquele tipo de personagem que possui pouca experiência em se relacionar com outras pessoas. O fato de ter dedicado sua vida à realização de um projeto científico prejudicou a maneira como ele enxerga o mundo. Ter se separado de Rebecca contribuiu para esse senso de isolamento grande dele. Quando ele se vê colocado em uma situação da qual não consegue escapar, ele perde um pouco o rumo. Fábio vai construir uma narrativa em que ele tira progressivamente as bases que fundamentam a própria vida do protagonista. Talvez o melhor exemplo sobre por que o título do livro é Snowglobe é a vida de Erick. Mas, não vou comentar sobre isso ou do contrário eu darei spoilers.

Já Rebecca é a ex de Erick e se separou dele por conta da obsessão dele com seu trabalho. Ao descobrir alguns podres da M.A.S.E., ela decide se dedicar à exploração espacial. Ao se afastar de toda a confusão, Becca conseguiu construir sua própria carreira. Quando ela se vê envolvida em uma investigação de desaparecimento, sua vida é colocada em risco. Não só isso como ela vai precisar rever seus sentimentos em relação a si e à sua vida amorosa. Por causa do seu jeitão impulsivo, o perigo vai bater à sua porta. A narrativa da Becca é a que mais me agrada da narrativa e ela é responsável por alguns momentos bem tensos.

O fascínio pelas redes sociais e pelos influenciadores digitais está presente na figura de Blake Manners. Uma espécie de celebridade digital, ela é a recordista em um game de tiro chamado Camper. Becca vai precisar buscar a ajuda de Blake quando se vê sem pistas sobre quem sequestrou Andy. É aí que vamos conhecer o mundo de aparências dela. Apesar de ser uma pessoa que é seguida por milhões de fãs, Blake é uma pessoa solitária. Sem ter em quem confiar o seu eu real, ela precisa ser protegida de tudo e todos. Como ter intimidade em uma vida exposta ao mundo 24 horas por dias?

Por fim, temos Peter Stanton, a face pública da M.A.S.E.. Aqui não posso revelar muito, só dizendo que manipular informações é o que ele faz melhor. Decidir o quanto informação representa poder, quem vai ser afetado por uma palavra ou duas. Isso dá um alto sentido de ego àquele que detém o poder da informação.

Curti a narrativa até meados da terceira parte. O Fábio me enganou direitinho. Criei a expectativa de que ele estaria montando um tecnothriller onde a narrativa iria girar em um confronto de tensões entre os personagens e a M.A.S.E. Sendo esta última a "vilã" da história e os personagens seriam responsáveis por desmascarar aqueles que estariam envolvidos na trama. E isso deu um baita gás na história, tornando-a interessante, fluida. Me lembrou bastante os romances do Cory Doctorow como Pequeno Irmão ou Piratas de Dados. Só que entrou a trama da viagem no tempo no final. Para mim, essa foi a parte onde a história perdeu o ritmo com elementos que não teriam feito falta. Se a trama tivesse apenas ficado na investigação, na perseguição e no complô da M.A.S.E., teria sido perfeito. Mas, toda aquela trama da quarta parte acabou me soando desconectada com a narrativa principal. A ideia de brincar com manipulação de informações e sua interferência em políticas e governos é muito atual e gera uma associação imediata.

Outra coisa que acabou me decepcionando um pouco foi o personagem que atua como antagonista, Stanton. Ele tinha muito potencial para oferecer à trama e acaba apagado no último trecho da história. Até acho que no geral o autor soube desenvolver bem seus personagens e dar bons arcos narrativos (uns mais interessantes e outros menos interessantes). O problema acabou sendo a ruptura que acontece quando Stanton e Blake são colocados no clímax narrativo. A gente acaba não tendo um bom payoff de suas trajetórias. Aqui eu não posso entrar em detalhes, mas os protagonistas secundários acabaram não tendo um desfecho adequado aos seus papéis na narrativa como um todo.

Enfim, eu adorei vários aspectos do desenvolvimento dos personagens e a maneira como eles reagiam ao mundo que os cercava. Não só isso como todos eles ganharam ímpeto e evoluíram com o passar da trama e a gente salivava por ver aonde tudo ia dar. Mas, uma escrita que me incomodou em diversos momentos por empregar muitas metáforas e uma quarta parte que esfriou as minhas expectativas fizeram com que eu repensasse algumas coisas sobre a história. No entanto, Fábio nos dá uma aula de roteiro, escrita fluida e construção/motivação de personagens. Fora que, graças a Deus, o autor sai daquela "bendita" (para não usar o antônimo) fórmula do mito do herói. Snowglobe é atual, é envolvente e merece estar na sua lista de leituras.

site: www.ficcoeshumanas.com.br
Fábio M. Barreto 05/08/2020minha estante
\o/




petroniodtn 16/01/2020

Estamos no Snowglobe!
Muito bom! Pegue pra ler com tempo, pois ele te prende, e no final te deixa pensando.
O autor tem uma amplitude textual admirável: passa do drama pra quase comédia, e da introspecção pra ação, de uma maneira muito natural. Em um momento você reclama que quase não tem viagem no tempo... e em seguida percebe que ele transformou a viagem no tempo em algo muito (muito!) mais amplo.
O personagem se sente num globo de neve. Normal: o mundo inteiro está num globo de neve.
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Elias Flamel 02/01/2020

Como ler o livro de alguém que você admira?
A minha relação com o autor vem de anos. É de fã e de artista? Não, é de mestre e professor.

No Rapadura Cast, Fabio Barreto sempre era um dos primeiros a aprofundar o assunto ou tentar enxergar em um filme algo muito além do que é mostrado na tela. No Gente que Escreve me ensinou a importância do conhecimento técnico, nunca mais coloquei dois "que" em uma frase, graças a ele sempre repito "O personagem é o coração do livro" e comecei a lidar com o medo de ser e de assumir escritor. Através dele fiz os meus começos se tornaram um pouco mais fodas e o último aprendizado veio através de uma observação:

Acompanho escritores e enquanto muitos deles chamam atenção para si; para uma causa ou para a sua opinião, o Fabio quer mais escritores fazendo sucesso.

As lições acabaram? Não, ainda bem que não.

Sou alguém complicado, demorei para pegar o livro dele para ler. E, através da insistência do próprio autor, comprei o meu Snowglobe.

Queria tentar me controlar, mas era impossível. Expectativa, teve muita expectativa:

Pensei em algo mais divertido que De Volta para o Futuro, com mais ação que o Exterminador do Futuro e com ideias revolucionárias estilo Isaac Asimov.
Percebi que a expectativa foi alta demais. Porém, também notei que o Barreto é um mestre quando se trata de ritmo. A história sempre avança, a sensação de que algo importante vai acontecer é constante e isso é feito com os cortes de um bom editor de cinema e a sensibilidade de um poeta.

Para falar do livro é preciso falar de quem o narra. O narrador de Snowglobe cola nos protagonistas Erick e Beca. Parece que ele não só leu os diário deles, como também foi o melhor amigo desses dois nerds. Esse narrador gosta de contar as coisas, quer conversar com o leitor e também quer dar muitos conselhos... ele quer uma “amizade sincera” com você.

Esperei por conceitos complexos, por descrições de máquinas ou engenhocas, por tiros e aventuras por locais saídos da mente de um gênio. O que encontrei? Um ótimo autor que sabe mostrar a arte, a convivência humana. A relação entre Erick e sua família, sua paixão e o seu trabalho pulsa no livro. Essas relações tornam os personagens vivos. Terminei o livro e não fiquei imaginando o futuro de cada pessoa que compõe a história. Muito pelo contrário. Até agora estou imaginando a infância do Erick, a juventude junto com a sua avó, ele assistindo uma partida de futebol com o seu pai e conversando com a mãe. Fico imaginando Beca estudando, se ferrando para conseguir dinheiro e puta da vida com alguns idiotas da internet. Não sei se lembrarei dos detalhes da história, mas sei que os personagens não serão esquecidos.

O que foi construído pode ser perdido? Se não há algo para perder, então não há conflito. Se não há conflito, então não há uma história.

A perda nesta obra sempre está relacionado a MASE. Não se trata de uma empresa com um diretor de rosto ossudo, com uma sede faraônica e com um plano sem pé nem cabeça para conquistar o mundo. Na MASE existe o mesmo veneno/intenção contida no sorriso de políticos e nas marcas de refrigerantes. A MASE usa o seu poder para... ops, leia o livro para descobrir. Ainda falando sobre essa empresa, ela me ensinou muito a respeito da vilania. Vi/aprendi um artifício que torna tudo mais verossímil, real.

Pois é Barreto, você me ensinou mais uma vez: relação, família e vilania. Se eu tiver poucas cartas na mão, já sei no que apostar.

Mas, pera aí!Tudo é perfeito?

Graças a Deus que não. Não gostei da forma como o personagem Tom foi introduzido e ele tenta ser engraçado. Tenta a ponto de ser meio chato.

Referências nerds são legais? Tem gente que gosta, mas elas me tiram da história (Snowglobe tem um monte delas).

Dá para perceber que o autor gosta das suas piadas e das suas referências. Somos diferentes, e que bom que nós somos. Esse orgulho pelas escolhas, por ser quem ele é, está evidente. Aliás, quero destacar uma escolha em especial: é muito legal ver alguém que possui as raízes no cinema e não as esconde com floreios literários.

Ainda tenho que te convencer a ler este livro?
Você é exigente, o Barreto iria adorar te conhecer!

Se imagine sentado na frente da TV. Não há internet, não há trabalho ou contas para pagar. Você já foi na escola, já fez o seu dever de casa e é sexta-feira. Está chovendo, não dá para sair na rua. A sua mãe conversa com algumas amigas na mesa da cozinha cheia de revistas da Avon. Não muito longe, lá no quintal, o seu pai tenta concertar, mais uma vez, aquele rádio velho que o seu avô adora. Está faltando alguém? Não se preocupe, a sua irmã está na casa de uma amiga. O controle com a tecla do volume quebrada está nas suas mãos e você liga a TV.

Já passou do horário do almoço, você limpou o prato e pode assistir o que quiser. Será que vai passar Star Wars? Quem sabe Conan? Loucademia de Polícia é legal demais. Não, hoje vai passar Snowglobe. Mas esse filme... não dá tempo para reclamar porque os seus olhos estão grudados na tela.

Terminou. Você sente que conhece o Erick ou se considera amigo da Beca. Sente que conhece os dois, melhor dizendo. Só fica se perguntando quando vão reprisar o filme. Uma semana passa, duas...meses...anos. Não reprisam. Tudo vira lembrança.

Você cresceu. Em um dia qualquer resolve passar por um sebo recém aberto próximo do local onde trabalha. Entra só para procurar algo raro e encontra um livro de lombada surrada, bem baratinho. Pega, limpa um pouco da poeira e olha para a capa. É o Snowglobe. Foi essa sensação que eu senti quando terminei de ler.

Leia a obra de quem tanto me ensina.
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Renata 02/01/2020minha estante
Até deu vontade de assis...Opa, ler o livro. :D


Fábio M. Barreto 03/01/2020minha estante
Quando a resenha te ensina muito sobre a sua obra. :D

obrigado, Elias!


Elias Flamel 03/01/2020minha estante
Você deveria assi...ops ler kkkkkk




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