Antes de qualquer coisa: a imersão. É preciso ressaltar o quão bem Christina Henry nos insere dentro de sua narrativa, dentro dos dilemas e conflitos criados a partir dos personagens, dentro do ambiente paisagístico que é a Ilha.
Dito isso, podemos prosseguir com uma interessante visão inicial de Jamie em relação ao Peter, ao grupo de meninos. A relação entre ele e o Peter é obviamente a mais interessante, ainda que as ações reais do garoto voador nos obrigue a ponderar logo no início se devemos mesmo concordar com as conclusões de Jamie.
Por muitos capítulos eu me vi questionando Jamie e sua "obsessão" silenciosa ao mesmo tempo que tentava entender a natureza real do Peter e buscar a verdadeira motivação por trás de suas ações.
Conforme a autora vai seguindo e inserindo (ao mesmo tempo que tira) alguns personagens, a narrativa cresce e é impossível tirar os olhos das páginas, surgindo uma necessidade insana de descobrir o desfecho pois uma coisa leva a outra nos acontecimentos, é como a metáfora do efeito borboleta; causas e consequências.
O final do livro tem muita ação e é onde tudo começa a fazer sentido em comparação a história do Peter Pan que conhecemos, onde entendemos porque o Gancho é o Gancho e como ele mesmo diz: "É tudo culpa do Peter".
Uma das melhores leituras do ano com certeza, apesar de todo o sofrimento que o livro causa no decorrer dos capítulos - resultado do apego aos personagens e ao passado/presente -, foi uma leitura muito rica em vários sentidos e me fez sentir falta de mais quando acabou.