Mais uma resenha comigo dizendo que fui convencido a ler pela capa MARAVILHOSA que esse livro tem.
Luz, Câmera e Alfajor é um lançamento ainda muito recente (leia-se de dias atrás), e tem a mesma vibe dos outros romances gays/aquileanos nacionais que li nos últimos tempos: romances no maior estilo sessão da tarde que você consegue ler em algumas poucas horas. A narrativa é leve, fluída e os capítulos passam tão rápido que nem dá de se ver. Quando percebi, já tinha acabado. Um verdadeiro cura ressaca pra deixar o coração quentinho.
A história conta com os tropes de strangers to lovers e age gap, sendo esse o segundo age gap que eu leio e definitivamente não me incomodou. Na verdade, o fato do Pablo ser onze anos mais velho que o Mitch é quase irrelevante, e passou despercebido por mim boa parte do livro. Eu consegui mergulhar melhor na proposta de história bem água com açucar de narrativa tranquila desse livro do que nos outros que li, sinto que o autor conseguiu entregar bem o que prometeu. De começo fica claro que a escrita é simples e o clima é leve, então os dramas são irrisórios aqui. O foco está, de fato, no romance e na relação desenvolvida entre o casal protagonista (tanto de forma carnal quanto sentimental). O Mitch é uma gracinha, sério, que personagem fofo. Tenho sentimentos conflitantes em relação ao Pablo, mas ele conquistou a minha afeição aos poucos.
A química entre os dois é forte e os capitulos hot são muito bem escritos e uniformes com a história, o casal protagonista é apaixonante. Foi o primeiro romance que li com um protagonista trans e isso é deixado bem claro que forma muito natural. Mitch é um homem trans, sim, mas isso é só uma das muitas coisas a se saber sobre ele. Gostei da forma como foi conduzido e de como o Pablo agiu quando soube, me deixou feliz. Inclusive, senti falta de saber mais sobre o Pablo, pq mesmo depois do Mitch ter passado meses com ele, não terminei o livro o conhecendo muito mais do que conhecia no começo. Talvez por isso ele tenha demorado mais a conquistar o meu afeto, e apesar de ter me causado estranhamento, não me desagradou no saldo final.
Mas uma coisa que atrapalhou minha imersão e eu não consegui deixar passar batido foi a ambientação. Eu sempre reclamo de livros que se passam no Brasil e tem uma ambientação completamente gringa, e esse sofre do problema inverso. O livro se passa nos EUA, mais especificamente em Hollywood, mas alguns personagens (principalmente o Elijah, que foi um alívio cômico que não funcionou muito pra mim) fazem referências e falam de uma maneira que é muito característica do jeitinho brasileiro e isso foi um pouco incomodo. Por mais que o livro seja nacional, a história não se passa aqui, então ficou um pouco incoerente ao meu ver.
No mais, Luz, Câmera e Alfajor é um romance leve que te deixa com o sorrisinho besta no fim da leitura, pra suspirar e lembrar que temos tempo para encontrar uma melhor versão de nós mesmos.