Mansfield Park -

    Jane Austen

    Landmark
    2009
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-13: 9788588781450

    Antes de sair do forno, a primeira tiragem de MANSFIELD PARK já causa alvoroço. Há anos fora de catálogo no Brasil, a obra publicada em 1814 pela escritora inglesa Jane Austen (16 de dezembro de 1775 - 18 de julho de 1817) retorna ao mercado traduzida por Adriana Zardini, mestre em educação, especialista em língua inglesa e presidente do Jane Austen Sociedade do Brasil. Fruto da fase mais madura da autora, o romance traz a história de uma jovem órfã que é adotada por seus parentes ricos, apresentando conflitos que envolvem amor e contratos sociais, escravidão e civilidade, riqueza e autopercepção – sempre com o toque irônico de Austen, sua marca registrada. O lançamento de “MANSFIELD PARK” apresenta esta importante obra de Jane Austen em uma edição bilíngue, resgatando toda a magnificência e toda a preocupação social de uma das maiores escritoras inglesas. Ainda que o livro aborde vários temas, a principal questão é a busca da identidade e do verdadeiro amor. Por mais de dois séculos o livro divide os leitores: por um lado, “MANSFIELD PARK” é o trabalho mais autobiográfico de Jane Austen, refletindo o mundo de pretendentes religiosos e proprietários de terra, das caçadoras de maridos, dos esnobes e dos tolos do interior – no qual a escritora viveu e procurou o amor. Entretanto, o texto parece entrar em conflito com as tradicionais heroínas de Austen, uma vez que Fanny Price é surpreendentemente contida e passiva, fato que tem aturdido por décadas os críticos e os fãs da autora. As questões sociais também são discutidas na obra, sugere-se pela crítica especializada que o título se refere ao julgamento de Mansfield, a decisão inglesa legal e histórica tomada pelo chefe da Justiça Lorde Mansfield, segundo a qual foram estabelecidos os primeiros limites quando à escravidão na Inglaterra. No romance, Fanny surpreende sua família adotiva ao levantar a questão sobre o envolvimento deles com a escravidão. As cartas de Jane Austen escritas na época nos informam de uma paixão por Thomas Clarkson, um popular abolicionista, o que justificaria o envolvimento da autora com estas questões sociais. Jane Austen, como os seus personagens, cresceu em uma zona rural na Inglaterra entre a classe abastada e religiosos, cujos hábitos e negócios ela observava com perfeição e, às vezes, com uma honestidade brutal e reveladora. A sua memorável linguagem, a sua sagacidade satírica, o seu delicado senso de humor e as complexas caracterizações de luta moral no coração das famílias, além das alianças românticas, contribuem para o estilo atemporal da autora. O tema prevalecente na obra continua relevante: a necessidade de homens e mulheres encontrarem a sua identidade e fazerem as suas próprias escolhas - ainda que a sociedade, por sua natureza, tente os fazer seres dependentes, sem força e preconceituosos. Este foi o romance mais lucrativo de Austen, garantindo à autora 350 libras, uma fortuna na época. A história já foi adaptada algumas vezes para o cinema e televisão, as mais conhecidas são as versões de 1983 pela BBC e as homônimas norte- americanas de 1999 e 2007.

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    Andreia Santana21/03/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Mistérios insondáveis de Fanny

    Fanny é uma protagonista irritante, sem dúvida. Não é audaciosa, ao contrário, é covarde, submissa, ingênua. Ao menos, essa é a primeira impressão ao ler Mansfield Park: que Fanny não passa da avó da Polianna. No entanto, na medida em que o livro avança, a jogada de gênio de Jane Austen fica mais clara. Fanny é uma boa moça, sem dúvida, para os padrões do século XVIII, mas tem seus momentos de maus pensamentos. É implacável no julgamento dos outros, não faz concessões, tem seus desafetos, permite-se sentir inveja dos que estão em melhor situação que a sua. Morando de favor na casa dos tios ricos, para onde foi levada aos 12 anos, se humilha porque acredita que deve manter-se em seu lugar, mas guarda ressentimentos (é humana afinal!). Equilibra-se a um passo entre a santidade e a amargura e é isto que faz dela uma personagem tão estimulante. Através da doce Fanny, Jane Austen consegue reunir diversos conflitos da alma humana numa única pessoa. Apesar da atividade freqüente, Fanny é indolente, pois tem preguiça (mais do que medo) de encarar sua vida e dissabores de frente, ela prefere arrumar desculpas convenientes para as desditas. Prefere acomodar-se na posição do patinho feio da família. Age na sombra, influencia a todos sem que eles percebam que estão sendo influenciados. Ao longo das mais de 300 páginas, nós leitores somos levados a amar Fanny profundamente e a odiá-la com todas as forças por ela ser tão patética. Não conseguimos compreender porque ela agüenta as maldades da tia Norris, uma viúva amarga e cruel; ou porque se submete a ser a escrava de luxo de sua tia Bertram, uma matrona tolinha, leviana e completamente subjugada pelo marido. Lady Bertram acomoda-se na posição de grande dama e não emite uma única opinião sem que consulte Sir Thomas, sem que ele lhe diga o que é e o que não é adequado. Acostumada que decidam tudo por ela, passa os dias bordando sentada no sofá, com um cachorrinho no colo. Com essa personagem, Austen descreve exatamente o que era uma mulher bibelô naqueles tempos em que a beleza física era o maior atributo de mulheres que serviam apenas de adorno e objeto sexual. Todos os personagens de Mansfield Park trazem em si as controvérsias de ser humano. O bom vivant Henry mostra-se capaz de atos de grande cavalheirismo, mas como o escorpião, não consegue fugir da própria natureza; enquanto o cavalheiro, quase padre (anglicano), Edmund, é capaz de entregar-se à maledicência e ao julgamento pelas aparências. Não são raras as passagens em que ele e a prima Fanny entregam-se com prazer à arte de falar mal das atitudes alheias, condenando todos com base no ideal de comportamento que tem por padrão eles mesmos! Em alguns momentos, Fanny parece hipócrita. Já a leviana Mary divide-se entre o desejo de dar o golpe do baú e o de ser livre, de ter o direito de pensar por conta própria. Liberdade e mulher eram palavras mais do que opostas no século XVIII e através de Mary Crawford, a autora mostra o quanto era difícil fugir do script traçado pela cultura e educação recebidas. Mary até tenta, mas não passa de outra caçadora de maridos, maldosa e maliciosa. A autora britânica critica o jogo de aparências em todas as suas obras, mas nesta, mostra uma sociedade inteiramente construída sobre a imagem projetada e as expectativas sociais. Não é à toa que projetos vivem sendo frustrados, porque ninguém age em Mansfield Park sem lançar mão da dissimulação. Fanny mais que todos, faz da dissimulação uma arma poderosa de sobrevivência. Mansfield Park foi publicado em 1814, quando Jane Austen estava com 39 anos. É um dos livros mais intrigantes da autora, embora eu considere inferior a Razão e Sensibilidade, por exemplo, e anos luz da obra prima dela, Orgulho e Preconceito (estou apaixonada por este livro e por Elisabeth Bennet, a melhor heroína da escritora, sem sombra de dúvida!). O que desafia em Mansfield é justamente o caráter de Fanny, a cada página ela se revela de uma forma. Seu retorno para casa, após ser criada na mansão dos tios, e o desprezo que parece nutrir pela própria família, considerada pobre e mal-educada, dizem muito mais sobre seu caráter do que qualquer outra passagem do livro. Embora tenha boas intenções e uma alma mais propensa à sensatez, Fanny também não consegue fugir da educação recebida e das expectativas sociais. Esta é a obra de Jane Austen considerada a mais autobiográfica. Todo o universo da autora descreve o cotidiano da sua infância e juventude (ela morreu aos 42 anos, relativamente jovem), da Inglaterra rural e o mundo das caçadoras de marido, dos dotes, dos contratos de casamento, das convenções sociais e da dissimulação. Mas Mansfield Park pode ser considerado o tratado de Austen sobre o ato de dissimular e talvez seja o livro onde ela menos usa o humor e mais se entrega a amarga decepção de constatar que o seu mundo era uma prisão de grades douradas.

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