[SOBRE O LIVRO]
Enquanto o MEDO controlar a vida, só haverá liberdade na morte!” (p. 121). Começo a resenha com esta reflexão de uma personagem antes de ser duramente executada pelo M.E.D.O., o que resume muito bem toda a tensão presente neste livro fantástico de Felipe Catusso.
Em “M.E.D.O.”, o autor faz duras críticas aos governos opressivos e totalitários, misturando com muita inteligência elementos da literatura fantástica - que me remetem às obras de Tolkien - com distopia - “1984”, de George Orwell e “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury -, e apresenta ao leitor a complexa e extremamente burocrática província de Zarian, onde grande parte da história se desenvolve.
A trama se inicia quando Doran, um humano rebelde subterráqueo, é capturado pelo M.E.D.O. e, a partir das fracassadas tentativas de confissão do garoto, a alta cúpula de Zarian, formada por mestres e magos, dá início àquilo que chamarei de “O Grande Expurgo”, como uma ferramenta de controle populacional da superlotada província, e também como uma resposta radical à rebelião que paira no ar.
[CONCLUSÃO]
Apesar de ser um lançamento de 2015, “M.E.D.O.” consegue dialogar muito bem com a nossa delicada realidade atual. O livro aborda temas sociais que há muito estão presentes em nossa sociedade como, só para citar alguns, a religião, o controle midiático governamental, conformismo de classes sociais, a própria sociedade pautada pelo modelo patriarcal, consumismo exacerbado, padrões de beleza, entre outros.
Catusso trata de tantos temas polêmicos com uma suavidade ímpar, de certo modo até mesmo metaforicamente, embora realize críticas severas a estes assuntos e que são perceptíveis ao longo da narração por meio de diálogos, comportamentos e o modo como a sociedade de Zarian é pincelada aos leitores.
Engana-se muitíssimo (assim como eu me enganei) aqueles que acham que a narrativa se desenvolve ao redor de Doran. Não. Este livro não apresenta aquela clássica e já manjada jornada do herói. Em “M.E.D.O.”, o protagonista é o próprio e unicamente Ministério Extraordinário da Defesa e da Ordem, o que já é interessante por si só. Desta forma, o autor enfatiza o modo em que a sociedade é estruturada, o que permite mostrar claramente a influência que o governo exerce no comportamento da população de Zarian.
Escrito em terceira pessoa por um narrador onisciente imparcial, o livro apresenta vários núcleos distintos, que se interligam como um todo, movimentando o plot principal da trama: o expurgo que se inicia e a tentativa do M.E.D.O. de controlar uma possível rebelião contra o sistema.
ENREDO: ●●●●●
NARRATIVA: ●●●○○
PERSONAGENS: ●●●●○
ENVOLVIMENTO: ●●○○○
DIVISÃO: ●●●●○
EDIÇÃO: ●●●●○
REVISÃO: ●●●●○
TOTAL: 3,5 ESTRELAS
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