Ao adentrar as linhas de Merci, do autor nacional Robertson Frizero, somos imersos nos sentimentos de uma pessoa em busca de seu passado para entender seu presente e futuro. A narrativa nos leva a acompanhar a vida de Merci, que vive com sua mãe, a mãe que não é mãe, mas ainda assim, é; no entanto, em determinado momento, deseja obter respostas sobre a mãe que não conheceu, a mãe biológica. A partir desse desejo, planos de viagens são feitos, buscas sigilosas pela casa, um nome, um endereço no caderninho da mãe adotiva.
Com um toque melancólico, a história de Merci nos toca. Na escola, não se dava com os meninos, nem com as meninas. Mais tarde, conhece um prostíbulo, onde sua mente inocente colide com a perversidade dos adultos. Ao completar 18 anos, desejando manter sua castidade, foge. Com um novo emprego, mais homens perversos. Foi o que aprendeu com a mãe que conheceu: Os homens não prestam.
Conhecer a mãe biológica parece ser a chave para entender quem é Merci, mas esse desejo traz culpa, como se fosse ingratidão pela mãe bondosa que tem. Merci carrega a vergonha e o desejo de saber quem realmente é, sem o qual sente incompletude.
A escrita de Frizero lembra O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei. Embora as histórias tenham suas particularidades, esse modo de contar uma história tão carregada de significados e profundidade, nos cativa. É como se o autor soubesse que essa é uma história que precisa ser digerida com calma, contando-a com carinho, linha por linha.