Vincent é um repórter independente realizando a cobertura da guerra mundial entre Reatech e Gexin no leste asiático. Durante uma entrevista com o general Hallek em Taipei, ele registra o evento que põe fim à guerra e altera para sempre o curso da história. Ele não sabia, porém, o quão caro aquilo o custaria. Mihail é uma história de ficção científica que transita por temas clássicos da literatura cyberpunk – inteligências artificiais, implantes cibernéticos, engenharia genética, capitalismo tardio –, para propôr reflexões filosóficas profundas acerca da dialética e fenomenologia da realidade.
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ESTE LIVRO CONTEM GATILHOS DE SU1C1D10 e VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. Se me pedissem pra resumir este livro em uma palavra eu seria ainda mais sucinta, ‘Q’ seria minha resposta. Quem conhece o personagem de Star Trek chamado Q vai entender. Vicent é um repórter que luta pra conquistar sua melhor matéria e como um bom jornalista não mede esforços para tal. Diante de um cenário em que grandes potências dominam os países e estão em constante guerra para conquistar o maior território, leia-se pessoas, Vicent inusitadamente sobrevive a um grande ataque. Por causa disso se torna alvo de estudos e refém da Reatech, ou será da Gexin? Não sei. É meio difícil falar do enredo sem dar spoilers, mas o fato é que a leitura é fluida e instigante; salvo algumas descrições que arrastam (quem não curte Senhor dos Anéis e afins pode penar aqui) e também contextualizações do diálogo; por exemplo, — fulano disse esticando o braço e apoiando-o na mesa, fitando o chão e pensando na fulana. Sinceramente eu prefiro diálogos mais dinâmicos, em que a conversa flui e o que tiver que ser entendido daquilo tem que estar embutido no trejeito de falar e nas palavras usadas. Quero deixar claro que isso é só uma preferência pessoal, não diminui em nada a qualidade da obra. Justamente por ser uma obra, é o que é. Não existe pra agradar ninguém. “A verdade é só um ponto de vista.” Ghost in the Shell – uma rede de dados que pode ser acessada pelos cyber-cérebros dos soldados. Foster, você já morreu (PKD) – venda de robôs, bunkers, vacinas, cursos Blade Runner/Vanilla Sky – manipulação de lembranças Star trek (Sem Fronteiras) – a forma como ele descreve Os Dutos Espaciais me lembrou Yorktown Star trek (Além da Escuridão) – no início uma civilização tecnologicamente atrasada vê a nave indo contra as diretrizes da federação, esse povo passa a vê-la como uma divindade. Star trek (Voyager T07 E19) – a humanização/individuação de robôs Lucy – absorver uma quantidade ilimitada de informação levando à outra dimensão, noção de tempo e realidade (flip book) Gattaca – manipulação genética e fertilização in vitro The Last Question (Isaac Asimov)/2001: Uma Odisséia no Espaço(Arthur C. Clarke) – a evolução da inteligência artificial a ponto da divindade Escolha a Catástrofe (Isaac Asimov): sobre a entropia chegar ao colapso e o universo se tornar um ovo cósmico. Por que eu citei essas referências? Porque acredito que se não é coincidência o Eduardo ter escrito coisa tão parecida então ele bebeu dessas ou talvez de outras fontes. Adorei a forma como a história foi de desenrolando como uma dança, no tempo certo. Na forma como Eduardo usou os tempos narrativos e tempos verbais. Indo e voltando no tempo. Muito material para reflexão como: existencialismo, programação preditiva, consumismo, exploração de mão-de-obra, muito mas muito plástico mesmo, degradação do planeta, extinção de animais, COVID-19 e os antivacina, guerras e superpotências com suas responsabilidades para com o coletivo, inteligência artificial sapiente, religião e belas viagens dignas de LSD ou coisa que o valha (isso já no final). Tem vários plots e o final é imprevisível. Tem até romance e inclusive um romance homoafetivo. Bem suave, bem colocado, parabéns! Infelizmente há a problemática de não avisar sobre o conteúdo sensível, a gente começa a ler pra se divertir e sai com cinco gatilhos pesando a cabeça. Mas no geral valeu a pena. Encontrei alguns errinhos bobos de ortografia como, por exemplo, ‘ao Leste’ e ‘malsucedido’. Fiquei sabendo do livro através canal do Eduardo no Youtube (Baka Gaijin), em que ele anda pelas ruas e becos de Tóquio filosofando e falando outras bobagens legais de ouvir e como o vídeo é dele andando parece que sou eu andando, acho bem relaxante. ALERTA DE SPOILER DAQUI EM DIANTE: Uma coisa que caracterizou Vicent em Q, foi que ele tinha dentro dele a IA, poderia usá-la como bem quisesse, mas isso não foi explorado, como se ele fosse mesmo um Jesus, que tem o poder mas não o usa. Outra coisa foi quando ele enfiou na frente da bala pra salvar o Lucas e nada aconteceu. Como assim? Uma coisa que não entendi foi Vicent falar que os pais morreram pelo vírus pré-histórico mas no final eles pularam de um prédio. A entrega de Vicent a Reatech por Lucas só podia dar errado né, o cara com uma pistolinha de nada enfrentar os caras de hovercar, rifle e armadura biônica. Nada garantiria que ele entregando Vicent não o matariam em seguida. Achei ingênuo da parte dele. E do nada o medinho que Vicent ficou de morrer, afinal ele já havia tentado antes e ficou naquela chorumela de que não tinha sentido pra viver. Acho que isso é bom numa narrativa pra gerar conflito ou dissociação no leitor, como surgiu em mim, coisa que marca. Em algum momento senti como se os Dutos espaciais fossem o céu e os bunkers/Terra o inferno.
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