《#OMeninoResenhando》
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❝Ele costurou as saídas do coração prendendo o ar dentro e me deu. Fazia isso quando era criança. Sentamos num degrau com canecas de café e ficamos esfregando nossos pés no piso de pedra.❞
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Formado por 64 contos em formato prosa, "Moedor de Carne", de Eduardo Lisboa retrata o cotidiano. São pequenas coisas diárias que são narradas nos seus contos e que ganham um significado maior, de acordo com a experiência de vida de cada leitor.
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Os personagens dos contos são pessoas comuns, que moram sozinhos, sentem falta de alguém, narram situações banais como faxinar a casa ou aprender um novo idioma, e por isso as histórias representadas, são bastante subjetivas a cada pessoa, e exprimem reflexos de épocas que vão da infância a vida adulta, sendo quase incapaz de o leitor não se sentir nostálgico enquanto lê. Se há uma crítica social por trás dessas histórias, eu acredito que sim, e pude captar isso entre uma metáfora e outra mas não foi algo que prevaleceu durante a leitura. Essa coletânea é algo mais sensível e caracterizada por ações repetitivas do nosso dia a dia que no geral ganha mais significado.
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A construção de estilo do livro é bastante minimalista, misturado com traços da arquitetura, formação do escritor, o livro torna-se quase uma obra de arte a ser apreciada. Os contos não têm muito revelações ou reflexões de autoajuda ao leitor, é mais fatos do dia a dia, com algumas composições enigmáticas que evocam significados que ampliam o texto e a experiência pessoal de cada um.
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Sobre o moedor de carne a metáfora correspondente ao título, essa faz mais alusão às nossas vivências, como se nossa existência estivesse remetida sempre a estar num constante mudar e o moedor simbolizasse o meio pelo qual acontece a mudança, é como se estivéssemos toda nossa existência passando por um moedor e é ele que nos molda.
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Se você curte essa premissa mais subjetiva de escrita, com uma narrativa enigmática e muito sensível, "Moedor de Carne" é uma ótima pedida.
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❝Enquanto procurávamos uma vaga no estacionamento resolvemos que simularíamos a morte de um de nós, quando chegássemos em casa. Seria a minha. Morreria enquanto dormia. Acordei morto.❞