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    O Homem Nu -

    Fernando Sabino

    Record
    1998
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-10: 8501913006
    Português Brasileiro
    3.8
    1562 avaliações
    Leram3782Lendo90Querem675Relendo4Abandonos53Resenhas51
    Favoritos55Desejados675Avaliaram1562

    Sabino lançou O homem nu em 1960. Um livro de contos que tomou emprestado o título de uma história de apenas quatro páginas. Nas poucas linhas, o autor descrevia o drama de um homem que, sem roupa, vai ao corredor de seu edifício pegar o pão e fica preso do lado de fora de casa. A idéia, muito boa, virou filme em 1967 — estrelado por Paulo José e Leila Diniz — sob a direção de Roberto Santos. Sabino, porém, não gostou muito do resultado e fez sua própria roteirização da história. A partir daí, transformou o material na novela A nudez da verdade, que em 1994 entrou na trilogia Aqui estamos todos nus. Com a reedição de O homem nu, os leitores têm a oportunidade de se reencontrar com a centelha de criatividade original que resultou em dois filmes. Façanha rara na literatura brasileira.

    Edições (3)

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    Resenhas (51)Ver mais
    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo10/12/2021Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Pode a literatura envelhecer?

    A pergunta capciosa que faço no título desta resenha tem uma resposta óbvia: sim, a literatura também envelhece. E por diversas razões. A principal delas é o implacável tempo, essa força abstrata que condena todos os seres vivos a um fim. Mas voltemos ao livro. Fernando Sabino, escritor mineiro conhecido principalmente pelos romances “O encontro marcado” e “O grande mentecapto”, foi um dos grandes cronistas do país. Gênero jornalístico por excelência, Sabino fez da crônica um espaço de experimentalismo ficcional. Aliada à rigidez do cotidiano, as pitadas de ficção utilizadas por Sabino e outros grandes nomes, como Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, renovaram o gênero. E é dessa tentativa de dar novos ares à crônica que nasce este “O homem nu”, publicado pela primeira vez em 1960. Mas temos alguns (muitos) problemas. O primeiro deles, já citado no primeiro parágrafo por este leitor, é o tempo. Ler em 2021 crônicas que datam de 1960 pode não ser a melhor das experiências. Certos textos estão presos demais ao ambiente em que foram escritos. Além disso, muitas das 40 narrativas que compõem este livro apresentam misoginia, machismo e racismo, falta grave já naquela época e inaceitável para os meus olhos do século XXI. Não bastasse isso, muitos dos textos tratam de um tema que tem zero interesse da minha parte: a vida na caserna. Sim, apesar de ser inusitado, esse universo fez parte da vida de Fernando Sabino, que ingressou em 1941 no serviço militar, ficando um brevíssimo período por lá, o suficiente para lhe dar alguma inspiração, pelo visto. Em meio a disparates como “O canto do galo”, narrativa na qual um homem que apanhava da mulher resolve, da noite para o dia, revidar na mesma moeda e assim “controlar a casa” e recuperar sua “dignidade”, temos, sim, alguns (poucos) textos que se salvam. É o caso do conto que dá título a esta coletânea que, apesar de notadamente carregar características de outros tempos (leite em garrafa deixado pelo leiteiro na porta do apartamento junto ao pão do padeiro, etc), segue surpreendentemente engraçado, com um final catártico; “Condôminos” é outro bom exemplo, espécie de híbrido entre conto e crônica que tem o próprio Sabino como uma das personagens; e “Dona Custódia”, divertido conto sobre uma empregada doméstica que utiliza o apartamento do chefe nas horas vagas por guardar um melancólico segredo. Existem alguns outros textos com leve tom memorialista que se aproximam mais da crônica do que do conto, como o divertido "Correria na estação de Nápoles”, mas não merecem menção. O veredicto final é este: "O homem nu" envelheceu e envelheceu muito mal. Por isso, a dica é: caso queira conhecer o olhar aguçado de Fernando Sabino, opte pelo livro "O encontro marcado", muitas vezes classificado como o "romance de uma geração", ou pelo surrealismo do nosso Quixote brasileiro presente em "O grande mentecapto". Ah, e não escolha por este envelhecido livro que completa 61 anos em 2021.

    49 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 1562
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas2%
    Fernando Tavares Sabino profile picture

    Fernando Tavares Sabino

    Sabino começou a carreira literária muito cedo, aos treze anos de idade, quando teve publicado um conto na revista Argus, da polícia de Minas Gerais. Foi no conto e na crônica que Sabino conquistou mais leitores. Suas crônicas e seus contos fantasiosos, inusitados e engraçados têm um alcance muito maior que seus romances e novelas. O primeiro livro publicado de Fernando Sabino foi de contos, “Os grilos não cantam mais”, em 1941, aos dezoito anos de idade. Já o segundo foi uma novela, “A marca”, em 1944, elogiadíssima na época – e ainda hoje. Depois deles vieram “A cidade vazia” (1950, crônicas) e “A vida real” (1952, composto por três novelas). Somente em 1956 é que “O encontro marcado” seria publicado. Daí para a publicação de “O grande mentecapto”, seu segundo romance,

    97 Livros
    826 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Fernando Tavares Sabino