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    O ato e o fato -

    Carlos Heitor Cony

    Nova Fronteira
    2018
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788520937631
    Português Brasileiro
    4
    140 avaliações
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    Favoritos8Desejados123Avaliaram140

    Mais do que um documento da nossa história, encontramos nestas páginas o primeiro registro de um brasileiro que teve a coragem e sensibilidade de perceber o que de fato acontecia, quando da instalação de um Regime de Exceção que se prolongou no país por mais de vinte anos (1964-1985). As crônicas, publicadas no jornal Correio da Manhã, por Carlos Heitor Cony, a partir do dia 2 de abril de 1964, propagam um sonoro NÃO à arbitrariedade e à violência vigentes. Figura de resistência, Cony, sem dúvida, ultrapassou o relato, a condição de jornalista, e marcou seu nome como arauto e humanista, numa época “sombria” da nossa história em que muito poucos conseguiram enxergar com clarividência o regresso que o país cometia e a necessidade do brado imediato. A primeira edição de O ato e o fato, publicada em 1964, teve tiragem esgotada logo após seu lançamento. O livro é, desde sua publicação, uma referência no mercado editorial brasileiro.

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    Ronaldo da Silva Thomé Júnior22/11/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Ato e o Fato

    Corajoso e poderoso; essas são as palavras para definir o que Carlos Heitor Cony foi, em frente ao início da ditadura militar. Foi impressionante a força que ele teve, ao se estabelecer como um dos poucos (na verdade, um dos pioneiros, naquele ano de 1964) a criticar o regime que se instaurou e tudo o que veio a seguir. Na época, Carlos já era um autor conhecido no país, com obras ficcionais consagradas e trabalhava como cronista no jornal Correio da Manhã. Aqui, com suas crônicas (que vão assumindo uma postura sólida e engajada ao longo do livro), ele cria uma espécie de "Diário do Golpe" mostrando sua opinião e escancarando coisas que certamente a sociedade não gostaria de saber. Também é importante dizer que a leitura dessa obra desmonta MUITOS dos mitos do senso comum sobre o que aconteceu em 1964. Por exemplo, a ideia que o regime militar seria uma "ditabranda" é absurda; Cony nos mostra que o horror e as perseguições começaram já em 31 de março daquele ano. O Exército fez milhares de prisioneiros já nesse dia e violência e torturas começaram nesta data. Além disso, as perseguições e ameaças ao escritor também não tardaram a começar, bem como as expulsões de estudantes e demissões de profissionais. Ou seja, tudo que faz parte do regime de terror de um governo tirano. Apesar de se tornar um pouco cansativo e repetitivo, o livro vale pelo tema e pela coragem de ser um grito, quase que isolado, porém cuja força ressoa até hoje. A história quase se repetiu neste período 2018-2022, então, que estejamos atentos. Indicado para: quem quer entender como é possível reagir ao terror de um regime, ainda que sozinho, e fazer a diferença (ainda que pequena). Nota: 10,0 de 10. 

    8 curtidas

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