O Doutrinador -

    Luciano Cunha

    Redbox
    2017
    210 páginas
    7h 0m
    ISBN-13: 9788569402312
    Português Brasileiro

    Anti-herói brasileiro, trava uma guerra particular para livrar o país das mãos de políticos corruptos. Sua luta toma força pelos movimentos populares de 2013, convergindo ficção e realidade, eliminando, através de páginas ácidas, o féu que o povo tem engasgado na garganta, ao lembrar que trabalha 5 meses de cada ano para sustentar um sistema falido, ineficiente corrupto e acima de tudo, blindado por esquemas de compadrio, fazendo com que a justiça não haja com os mesmos pesos e medidas quando trata do grupo político e seus apadrinhados. Mas não por muito tempo. O Doutrinador chega para lavar com sangue esta realidade podre, inspirando os indivíduos a agirem de forma mais efetiva, impassiva e reativa para com a casta dominante.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (3)Ver mais
    Marcello Becrei picture
    Marcello Becrei02/02/2018Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Linda edição da Redbox!

    O Doutrinador, criação de Luciano Cunha, me fez pensar. Não pela história em si, ou pela estrutura narrativa, mas pelo posfácio que o autor faz a primeira parte do encadernado - este, muito bonito por sinal, um ótimo trabalho da editora Redbox. Você pode não concordar com o "método" do personagem mas ele é parte de uma indignação comum. Ao afirmar isto o autor nos coloca em uma posição cômoda. Mas a obra oferece um outro ponto de vista que não o do protagonista? A perspectiva que temos é a do anti-herói como uma força da natureza, quem o questiona são os vilões ou a mídia corrupta. Isto, talvez, o aproxime de O Cavaleiro das Trevas (que é referenciado na quarta capa), que é emulado, de forma bem interessante, na narrativa. Mas o que fez do trabalho clássico de Frank Miller tão relevante? Trabalhar o bem e o mal, o branco e o preto, está no cerne de O Doutrinador. Assim como décadas atrás estavam em O Cavaleiro das Trevas. Ao alterar o status quo do personagem, Miller ressaltou o Batman como uma força imparável. Ele fará sempre o certo, independente deste ser muitas vezes ser relativo. É inquestionável, por ser moralmente um bloco denso, impenetrável. Ao abraçar esta ideia, O Doutrinador reduz não só a política institucional brasileira, mas também a população em uma dicotomia. Certo e errado. A abordagem do anti-herói, com seus valores morais irredutíveis, também aproxima o personagem de Rorschach. O Doutrinador é a cabeça pensante, o ser incorruptível. Seu ódio e sua moral o ativam. Alguém, que vendo de fora, recusa as ideologias e aquele mundo deturpado. Pensa por si. Psicopata? Talvez, como uma conversa no meio da história tenta apontar. Mas um psicopata que só é questionado pelo vilões da história: A mídia e a política. A abordagem dos personagens os diferem. Rorschach é moralmente incorruptível, mas sua moral nos é apresentada como deturpada, o que faz dele o personagem complexo que é. Infelizmente, não senti isto no Doutrinador. A diferença entre o anti-herói e o vilão então é, simplesmente, você concordar com sua finalidade? O Doutrinador me parece uma exaltação de uma revolta, válida - ainda mais para quem vivenciou as manifestações de 2013 -, porém pouco acrescenta neste cenário. Trabalhando no preto e branco se perde muito na profundidade de uma questão complexa. Entendo que a abordagem de Luciano não era esta. Mas a partir do momento que reafirma a posição do revoltoso como o ser pensante, moralmente incorruptível, que está sobre uma massa de incautos, a massa de manobra, que votando conforme sua fome, uma condição simplesmente gástrica, e é explorada pelos vilões da história, o que reforça a estrutura política, ele está se posicionando. Mas a visão do personagem?! Sim, claro, mas não há nada do autor ali? Não há nada de Miller em Batman ou Moore, ainda enquanto crítica, em Rorschach? Afinal, podemos não concordar com seus métodos, mas ele é parte de uma indignação comum. Esta sentida com paixão nas ruas em 2013. Afirmar que a obra não é, também, política seria leviano. Por fim, sem dar spoilers, mas o plot da segunda história, ainda mais com a "revelação" me fez questionar muito o que a obra quis afirmar como democracia. Ainda mais após as referencias ao Herzog e o AI-5, e a referencia ao Juiz Moro e Lula. Talvez o problema seja comigo. Com todo esse objetivismo talvez eu esteja errado e seja o vilão da história. Afinal tem O Doutrinador e seus apoiadores, a mídia corrupta, os políticos e seu braço policial, a massa alienada e mais nada. Onde eu me encaixaria nisso?

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 33
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas0%