Keira Karter tinha apenas dezesseis anos de idade e estava sempre sobrecarregada por sonhos, que mais pareciam pesadelos premonitórios. Era a primeira vez em meses que uma visão a deixava tão atormentada.
As visões começaram um ano antes, aos quinze. Elas sempre pareciam incrivelmente reais e revelavam crimes em andamento ou prestes a acontecer. Seus pais estavam preocupados, mas infelizmente, ela sabia que não entenderiam. Caso contasse, as pessoas poderiam achar que estava maluca.
Quando Keira resolveu ir até o cenário de um crime, onde uma jovem seria estuprada, entre ela e o criminoso apareceu um tigre malhado. Horas depois ela foi encontrada sozinha em um terreno abandonado, desacordada. Consideraram que estivava confusa devido ao trauma.
“Por fim, Keira decidiu fingir que aceitava a explicação de que fora vítima de uma tentativa de estupro e que uma ligação anônima havia evitado o pior.”
Com o tempo as coisas foram voltando ao normal, apesar de as visões continuarem sendo frequentes. Todavia, em um dia chuvoso, quando Keira saiu de casa, esbarrou na moça do estupro, que chamava-se Sheila. Ela afirmou não ter tido coragem de chamar a polícia, pois certamente pensariam que estava maluca ao mencionar ter visto um tigre.
Nos dois dias seguintes, Keira procurou por indícios que comprovassem a existência daquele tigre. Ela sentia que precisava descobrir o que houve, contudo, não encontrou nada. Então, decidiu aceitar que não passou de um acontecimento criado por sua imaginação fértil, assim como Sheila fez.
Keira passou a informar a polícia de forma anônima sobre os crimes. Aos poucos foi esquecendo o tigre e acostumando-se com sua nova realidade tão peculiar.
“Quando Keira acordou, estava ainda no terreno da construção inacabada onde não sabia ainda como tinha chegado, mas o tigre não estava mais lá. Ao invés dele, quem fazia companhia para ela era um garoto moreno de olhos claro. Ele estava lá, olhando fixamente na sua direção.”
Até que acordou no cenário de uma de suas visões sem explicações plausíveis. O tigre estava lá e de repente sumiu. Aquele garoto apareceu do nada. As coisas não faziam sentido. Logo, sua mente estava fervilhando de hipóteses.
Como se não bastasse toda aquela loucura, dormia mal todas as noites, desmaiava com frequência e tinha alucinações. E o tal garoto coincidentemente era o novo aluno de sua turma, chamava-se Taylon e parecia ser um completo babaca.
“Foi quando ela percebeu que talvez o tigre não fosse exatamente seu único problemas. Porque, pelo visto, ela tinha o dom de atrair feras. Do outro lado da estrada, bem no meio do terreno cheio de mato, estava parado um enorme lobo negro.”
Keira estava convencida de que no fundo, Taylon tinha alguma coisa a ver com toda aquela confusão. Não sabia ela que tudo aquilo podia ser mais perigoso do que imaginava. O lobo, o tigre e Taylon, possuíam uma ligação. Segredos e revelações tornaram a vida dela um turbilhão.
“Em momento algum havia parado para considerar uma hipótese alternativa a loucura. Queria acreditar que não estava louca, mas não tinha ainda imaginado uma explicação para tudo o que vinha acontecendo que não fosse essa.”
O Mistério das Feras é a primeira obra de ficção publicada pela autora. Uma fantasia recheada de mistério, que me instigou do início ao fim, fazendo com que devorasse em poucas horas e ficasse com aquele gostinho de quero mais. Ansiosa pelos próximos livros.
Narrado em terceira pessoa, faz com que o leitor se aprofunde ainda mais na história, criando suas próprias hipóteses para esclarecer os fatos. Surpreendi-me muito com o desenrolar da trama.
A escrita da autora é cadenciada, simples e direta. Os personagens são sombrios, intensos e intrigantes.
A capa é sombria e minimalista. A diagramação é simples e a revisão ótima.
Dou cinco estrelas e recomendo!!!