O OCASO DE ÍCARO

O OCASO DE ÍCARO MAURO FIGUEIREDO


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O OCASO DE ÍCARO


VOCÊ TEM MEDO DO INFINITO?




Sexta-feira, dez e meia da noite. Esgotados os quarenta e cinco minutos do segundo tempo, vivo agora por conta dos descontos do Juiz. Fumo. Dizem que isso espanta a solidão. Observo a chama azulada que queima a madeira de um palito de fósforo que, talvez numa era longínqua, tivera sido parte de um dos Carvalhos Sagrados dos Druídas. A chama tremula antes da morte. Eu tremo e temo. Tenho medo do Sol. Tenho medo de ser tragado por sua Luz Infinita.
Debruçado sobre o peitoril de minha janela, observo a vida que se movimenta oito andares abaixo. Uma procissão de carros se arrasta como uma serpente sobre o asfalto. Os olhos de bi-iodo do réptil transformam em pedra qualquer calor humano. Houve tempos em que o brilho daquelas luzes exercia sobre mim um poder quase mágico, uma força hipnótica. Mas aqueles anos passaram. Foram-se como a velha pele que a serpente abandona.

Imagens oníricas de um passado distante martelam a minha mente com o zelo e a insistência de um ferreiro alucinado por trabalho. O meu cérebro é uma bigorna incandescente. Ele faísca de tanta porrada que leva.
- Você tem medo do Infinito?

A mesma pergunta volta a me assombrar. Ela ecoa nos átrios das catedrais da consciência gnóstica, que chega a mim através do vento da sabedoria, mas traz em si o cheiro do pavor primordial. A pergunta se confunde com o berro da ovelha negra que salta sobre as cercas do curral da ignorância e se aventura no perigoso e excitante campo do desconhecido.

Com os olhos cheios de fumaça, caminho através de um tubo de celulose. Lá atrás, não muito longe, ouço o espocar dos galhos que se contorcem ao calor das chamas. Corro e não olho para trás. Corro só. Só corro.
- Socorro!

EMBARQUE NA VIAGEM DE ÍCARO QUE, AO TENTAR ESCAPAR DE UMA BATIDA POLICIAL, INGERE, DE UMA SÓ VEZ, UMA CARTELA INTEIRA DE ÁCIDO. A PARTIR DE ENTÃO, PASSA A VIVER EM UMA ESPÉCIE DE LIMBO, EM UM TIPO DE UMBRAL, ENTRE A VIGÍLIA E O SONHO, ENTRE O INFERNO E O PARAÍSO.

ANTES, PORÉM, DE ACOMPANHAR NOSSO ANTI-HERÓI NESTA JORNADA INSÓLITA, RESPONDA À PERGUNTA QUE ECOA NOS ÁTRIOS DAS CATEDRAIS DA CONSCIÊNCIA GNÓSTICA: VOCÊ TEM MEDO DO INFINITO?

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MAURO FIGUEIREDO
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