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    O outro pé da sereia -

    Mia Couto

    Companhia das Letras
    2006
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-10: 8535908420
    Português Brasileiro
    4.1
    775 avaliações
    Leram1315Lendo83Querem1488Relendo3Abandonos39Resenhas57
    Favoritos108Desejados1488Avaliaram775

    No século XVI, o reino do Monomotapa, na fronteira entre os atuais Zimbabwe e Moçambique, povoava os sonhos de fortuna dos aventureiros. A fama do chamado Reino do Ouro contava que ali havia abundância não apenas de riquezas, mas de crueldade e lascívia. Em 1560 saía de Goa, na Índia, a expedição do jesuíta D. Gonçalo da Silveira, com intuito de converter o imperador e moralizar o reino africano. A travessia do Índico e a incursão dos missionários pela África ganham reconstrução ficcional extraordinária neste romance. Pelos meandros da história oficial, Mia couto refaz lances cruciais da colonização portuguesa, ao mesmo tempo que retrata o impasse político e social da Moçambique de hoje. Em 2002, Mwadia Malunga e o marido, Zero Madzero, encontram uma imagem de Nossa Senhora sem um dos pés próxima ao rio que passa no lugarejo de Antigamente. Mwadia é encarregada de levar a estátua para a cidadezinha de Vila Longe. A Virgem é conhecida na região como Nzuzu, rainha das águas doces, mas trata-se na verdade de uma imagem trazida para Moçambique pela expedição de D. Gonçalo da Silveira. A chegada a Vila Longe reserva surpresas a Mwadia: o lugar está para receber o antropólogo americano Benjamin Southman, que trabalha para uma ONG de ajuda à África, e sua mulher, a brasileira Rosie. Todos se articulam para a chegada dos estrangeiros: o empresário Casuarino Malunga, o funcionário dos correios Zeca Matambira, o barbeiro e ex-guerrilheiro Arcanjo Mistura, a família de Mwadia. O humor afiado de Mia Couto faz um retrato crítico dessa população local, que tenta reconstruir o país – mas, sobretudo, se dar bem – depois de anos de guerra civil. Mwadia é a personagem que aproxima culturas, religiões e momentos históricos distintos. Como uma embarcação capaz de ligar passado e presente, Portugal, Índia e África, ela precisa achar abrigo para a imagem de Nossa Senhora – ou Nzuzu, ou Kianda. E, assim, arrumar um outro pé, concreto ou metafórico, para essa sereia que une os povos.

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    Resenhas (57)Ver mais
    Sara Dias picture
    Sara Dias30/01/2022Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Segundo livro que leio dele e já tô empolgada para ler os próximos. A trama envolve estadunidenses, brasileiros, portugueses e moçambicanos. Passado e presente juntos, religiões africanas e catolicismo

    21 curtidas

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    António Emílio Leite Couto  profile picture

    António Emílio Leite Couto

    Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, ele é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. Em 2007, foi entrevistado pela revista Isto É. Presentemente é empregado como biólogo no Parque Transfronteiriço do Limpopo.

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    António Emílio Leite Couto