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    O Primo Basílio -

    Eça de Queiroz

    Bestbolso
    2008
    490 páginas
    16h 20m
    ISBN-13: 9788577990948
    Português
    3.8
    15755 avaliações
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    Favoritos529Desejados10040Avaliaram15755

    Nova edição de uma das obras mais populares do grande mestre do romance português Eça de Queirós. Primeiro grande êxito literário de Eça de Queirós, este romance é marcado por uma análise minuciosa da sociedade de seu tempo. O autor usou da ironia, da linguagem coloquial e direta e, principalmente, do olhar atento sobre o cotidiano para revelar a intimidade da vida burguesa. Luísa é casada com Jorge e leva uma vidinha tão segura quanto entediada. O sonho, o romantismo e o desejo são despertados pela chegada do primo Basílio a Lisboa. Ao optar pelo adultério como tema central, a intenção do autor era provocar a discussão. Eça é o grande mestre do romance português moderno e certamente o mais popular entre os escritores do século XIX em Portugal e no Brasil.

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    Deise26/04/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    “E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido: sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!”. Ler O Primo Basílio é como abrir uma janela escancarada para as vaidades, contradições e fragilidades do ser humano. Com um olhar super afiado e uma escrita que prende a gente, Eça de Queirós vai muito além de contar uma história de traição: ele faz uma análise dura da sociedade lisboeta do século XIX, escancarando a hipocrisia, a desigualdade e a moral meio capenga da época. E o mais interessante é que, mesmo sendo um livro de quase dois séculos atrás, continua atual demais. A história gira em torno de Luísa, uma jovem da burguesia, casada com Jorge, um engenheiro certinho e trabalhador, mas que vive meio ausente emocionalmente. A vida dela é confortável, mas sem graça, o que faz com que ela comece a alimentar fantasias românticas — muito por causa dos livros que lia e da solidão do casamento. Quando Basílio, seu primo sedutor, volta de Paris, ele parece tudo o que falta na vida dela: aventura, paixão, novidade. Mas esse sonho vira pesadelo rapidinho. Luísa não é exatamente uma vilã, mas também não é uma vítima. Ela representa aquela mulher presa aos padrões da época: recatada, obediente, mas cheia de carências emocionais. Sua queda não vem só do desejo, mas também da repressão e das ilusões criadas pela sociedade. E o Eça não tenta maquiar isso — pelo contrário, ele joga tudo na nossa cara, mostrando o abismo entre o que a gente deseja e o que realmente é. Basílio é o típico conquistador vazio: bonito, charmoso e cheio de papo, mas sem profundidade nenhuma. O interesse dele por Luísa é raso, como quem brinca com um brinquedo novo e logo enjoa. Quando as coisas apertam, ele some sem pensar duas vezes. Um covarde, egocêntrico e irresponsável. Já Jorge, o marido, é o cara que faz tudo certinho: trabalha, sustenta a casa, é educado. Só que ele é tão desligado que nem percebe o que está rolando debaixo do próprio nariz. Mas quem mais me marcou foi Juliana, a empregada. Ela é uma personagem cheia de camadas: amarga, rancorosa, ambiciosa e vingativa. Vive revoltada com a vida que leva, sem dinheiro, sem beleza, sem status. Quando descobre o caso de Luísa, vê ali uma chance de se vingar — e também de tentar mudar seu destino. Sua chantagem não é só vingança pessoal, mas também uma resposta brutal à desigualdade que ela vive. Embora seja cruel, sua atitude é, em certo sentido, uma reação à vida que ela foi forçada a viver, sem chances de crescimento. A presença de Juliana é essencial para a narrativa, pois traz uma tensão e uma dose crua de realidade, mostrando a luta de quem está à margem e a vontade de mudar seu destino. Os outros personagens também têm seu peso e ajudam a reforçar a crítica social do livro. Leopoldina, por exemplo, é aquela mulher que desafia as regras da época, mas paga o preço sendo malvista. Sebastião é o amigo moralista. Conselheiro Acácio é uma caricatura perfeita da burocracia vazia. Dona Felicidade, apaixonada pelo Conselheiro, é o retrato da mulher que se anula para seguir o que a sociedade espera. E ainda tem o Senhor Paula e Julião, que completam o círculo social cheio de máscaras. Lisboa, inclusive, é quase um personagem à parte. A cidade, com seus salões chiques e suas vielas escondidas, espelha essa sociedade de aparência que o Eça descreve tão bem. No começo, parece que a história vai ser só sobre traição, mas aos poucos o clima vai ficando pesado, tenso, cheio de culpa e medo. Eça vai construindo isso com muita sutileza, sem exagerar, mas com uma profundidade que impressiona. Sua ironia é certeira! Uma coisa que pode incomodar um pouco são os capítulos longos. Em alguns momentos, a leitura exige tanta atenção que pode parecer um pouco arrastada. Ainda assim, insisto: vale muito a pena continuar, porque a riqueza dos detalhes compensa qualquer esforço. No fim das contas, O Primo Basílio me surpreendeu mais do que eu esperava. Eça de Queirós entrega um retrato humano, cheio de falhas, mas muito real. Cada personagem tem sua crítica, mas também sua história. E, conforme a narrativa avança, fica evidente que, apesar do tempo, a sociedade pouco evoluiu — seguimos cometendo os mesmos erros, apenas disfarçados sob novas máscaras.

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    3.8 / 15755
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas33%
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    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%
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    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz