Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas14
    • Leitores49
    • Similares3
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    O Santo de Amarante - A fé era muita, mas a injustiça era maior

    Mariana de Lacerda

    Independente
    2024
    198 páginas
    6h 36m
    ISBN-10: B0D2GF336V
    Português Brasileiro
    4.6
    26 avaliações
    Leram29Lendo4Querem14Relendo0Abandonos2Resenhas14
    Favoritos5Desejados14Avaliaram26

    Gonçalo não escolheu ser padre. Nascido em um convento no interior da Bahia, e encaminhado para um internato beneditino aos dez anos de idade, tornar-se um religioso era como um evento fisiológico, tão natural quanto nascer, envelhecer e morrer. Recém-ordenado, é enviado para Amarante, no sertão de Pernambuco. Os sertões eram mal assistidos de serviços sacramentais. Quanto mais isolados, mais entregues a um catolicismo popular, mágico e sobrenatural, todo feito de amarrações, rezadeiras e beatos milagreiros. A fé era dominada pelos leigos, e a Igreja cobiçava penetrar naqueles ermos e tomar para si o poder religioso. Um jovem inexperiente deveria cumprir quietinho o seu papel: assegurar o poder da Igreja e oferecer apoio político ao prefeito, Francisco Sousa. A ordem social de Amarante era simples: as terras eram de Sousão. Os desvalidos que nelas moravam tinham por obrigação primeira cultivar o algodão do coronel. Em troca, ganhavam o direito de construir sua casinha e manter um roçado. Em torno do prefeito, orbitavam os poderes por ele subjugados: juiz, delegado e promotor. Essa ordem é rompida quando o forasteiro Gonçalo descobre uma furna de água perene naquele rincão esturricado. Água o ano inteiro, verdadeiro milagre! Gonçalo só podia ser santo! Os camponeses deixavam a lida nas roças de Sousão e iam-se arranchar ao redor da fonte d’água milagrosa. O coronel perdia os braços para cultivar o algodão e via seu poder político ameaçado. Gonçalo é obrigado a lidar com a brutalidade de Sousão, o despeito do bispo, a adoração do povo, e o alvoroço no próprio peito toda vez que avista Pia, moça bonita, agregada da casa-grande do coronel Sousa. Inspirado nos episódios do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, no Ceará, e das Ligas Camponesas, em Pernambuco e na Paraíba, ambos sufocados por proprietários de terra e poderes políticos instituídos (muitas vezes representados pelas mesmas pessoas), "O Santo de Amarante" é dedicado a José Lourenço, João Pedro Teixeira, Francisco Julião e a quem mais lutou contra o jugo do latifúndio.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (14)Ver mais
    Naiely Pollheim picture
    Naiely Pollheim22/11/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "A fé era muita, mas a injustiça era maior"

    Li sem grandes expectativas, mas, para minha surpresa, o livro se tornou um dos meus favoritos. A obra tem o estilo de um clássico, com uma escrita extremamente bem cuidada e uma realidade angustiante e muito próxima da nossa. Foi minha primeira experiência com a autora, e ela me conquistou com a forma como conduz a narrativa. As descrições vívidas da caatinga e o uso do linguajar local nos transportam diretamente para o sertão, criando uma conexão forte e emocional com a história. Através da jornada de Gonçalo, um jovem órfão destinado à vida religiosa, a obra também nos faz refletir sobre os perigos da mistura entre religião e poder, e como é fácil distorcer a fé para justificar a exploração e a ganância humana. O livro ilustra com maestria como palavras e promessas ditas “em nome de Deus” podem, muitas vezes, alimentar apenas o egoísmo e os interesses de quem detém o poder. Isso se torna um exemplo claro do que não se deve fazer ao tentar ajudar o próximo. Infelizmente hoje não é diferente, lutamos por coisas essenciais, como a busca pela água no livro, porém a ganância de alguns sempre coloca obstáculos no caminho dos mais necessitados. O desfecho do livro é cruel e deixa uma sensação de impotência, mostrando como, mesmo diante da luta e da perseverança do povo, o sistema corrupto se mantém intacto. A busca por justiça e igualdade é frustrada pela manipulação das regras, com o coronel usando da mentira e do poder para reafirmar sua posição, enquanto os oprimidos têm que recomeçar, mais uma vez, do zero. A narrativa não só revela as desigualdades históricas que ainda assombram nossa sociedade, mas também é um alerta sobre o perigo da manipulação da fé e do poder em benefício de poucos. Essa obra nos desafia a refletir sobre o que é realmente justo e nos lembra das lutas diárias que continuam a acontecer em muitos cantos do mundo, onde as promessas de mudanças ficam apenas no papel. Apesar de sua atmosfera triste e de seu final trágico, o livro é uma leitura necessária, que, mais do que entreter, educa e conscientiza sobre a importância de defender o que é certo.

    12 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.6 / 26
    • 5 estrelas69%
    • 4 estrelas19%
    • 3 estrelas12%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Mariana de Lacerda Oliveira profile picture

    Mariana de Lacerda Oliveira

    Adoro trabalhar com textos, meus e alheios, seja escrevendo, revisando ou traduzindo. Meus delírios podem ser encontrados na Amazon (busque o meu nome em www.amazon.com.br para uma lista atualizada!), em minha página no facebook (www.facebook.com/delacerdamariana) ou ao vivo e em cores: apareça para um café com bolo aqui em Recife, por sua conta e risco! Emoticon wink

    17 Livros
    9 Seguidores

    Mariana de Lacerda Oliveira