Essa vai ser uma resenha que eu vou escrever muito mais no sentimento do que como avaliador propriamente dito. Poucas vezes um conto ressoou tanto comigo como este. Isto porque eu tive um grupinho de futebol exatamente como o descrito pelo Rodrigo. Só que jogávamos em um playground de um condomínio. E aquele foi o nosso mundo durante vários anos de nossa adolescência e início da fase adulta. Jogos históricos aconteceram ali. Rivalidades mágicas surgiram. Craques vieram e passaram. Todos tínhamos apelidos toscos como Nicolete, Leitão, Parede, Rochinha.
A narrativa do Rodrigo conseguiu criar essa conexão comigo. Eu lia as páginas e imaginava as cenas da minha própria história. Impossível não me emocionar com cenas da minha própria adolescência. E o quanto o mesmo aconteceu comigo depois do último jogo: todos crescemos e cada um foi para seu canto. Até tentamos manter contato, mas a vida acaba desfazendo os laços de amizade. Esse sentimento de nostalgia fica marcado no peito. Ele é amplamente explorado pelo autor na narrativa. A gente sente que o autor coloca um pouco de si nas linhas. A escolha da narrativa em primeira pessoa é perfeita para isso porque ela é a melhor condutora para uma história mais íntima.
O elemento sobrenatural está presente e de uma maneira bastante divertida. Não soou estranho e nem um pouco forçado. Até porque o tema da história não eram os monstros jogando futebol, mas a relação dos seis meninos com o campinho de futebol. Como a vida deles, a sua existência até ali era demarcada por aquela pequena bolha de realidade. O último jogo veio cercado de magia e aquele sentimento de ápice e cansaço que gerariam a linha de chegada antes do declínio. Gostei demais desse conto e essa é uma daquelas histórias que eu vou carregar para a vida e vai estar entre os melhores do ano para mim. Rodrigo, seu filho da mãe, só você para me fazer chorar lendo uma história...