Imagine fazer transmissões via rádio para os alemães apontando o quanto Hitler foi um imbecil em plena II Guerra?
Thomas Mann se apropriou da tarefa e falou, no mínimo uma vez por mês, durante anos, para o seu próprio povo, enquanto se mantinha exilado e protegido em solo estrangeiro. Seu objetivo era complexo: fazer reverberar dentro da Alemanha e dos alemães sinais de humanidade e de revolta, para, em um movimento interno, derrubar o poder de Hitler.
Muitos pontos são abordados ao longo dos anos: xenofobia, racismo, um outro olhar para o que era considerado "nacionalismo", além das diversas vezes que Thomas preferiu narrar as atrocidades do que o nazismo era e foi capaz.
O escritor se prendeu diversas vezes na esperança e cobrava esperanças ativas dos seus, por isso cada trecho era também um pedido de indignação.
E o que vale agora? As semelhanças da inabilidade e do despreparo de um governante é algo do passado? Talvez mudamos a época e as atrocidades, mas certamente algumas coisas foram adaptadas para um novo nazismo, de um novo (e velho) imbecil genocida que coloca o povo contra o próprio, enquanto sustenta suas regalias e violências.