A obra Pelas Mãos de suas Amadas foi um dos poucos livros que me motivou a seguir sua leitura e não o abandonar na cabeceira da cama. A começar pela minha curiosidade em conhecer mais sobre seu autor, ou sobre as ideias dele. Rapidamente, me vi envolvida na sua perfeita narração dos desejos e prazeres vividos entre homens e mulheres. É gratificante para uma mulher perceber que, ao menos na ficção, existem homens os quais sabem nos admirar e desejar, com a cortesia e o respeito dedicados pelo personagem principal do livro.
Em verdade, a obra cativa o leitor já em seu título, intrigante e dúbio. Pelas Mãos de suas Amadas é uma ficção policial em uma história de amor, cercada de paixões por todos os seus momentos. O detetive Maia, protagonista, era um homem de uma disciplina exemplar, apegado aos bons costumes e sedutor, porém alguém facilmente enganado, pois era dominado pela admiração que sentia pelo corpo feminino, encontrando em todas as mulheres um motivo para desejá-las. E sua missão, ao longo da história, era desvendar os misteriosos crimes ocorridos na fictícia cidade de Oricuri, livrando os homens apaixonados das armadilhas de um assassino macabro.
A riqueza de detalhes dessa narrativa desperta no leitor diversos sentimentos. Inicialmente, temi, mesmo sabendo que tratava-se de uma estória e que seus lugares e personagens não eram reais. Contudo, é impossível não se envolver nas perfeitas descrições das ruas e cenários das noites assustadoras dessa Oricuri ou não se sentir tensa com a tamanha exposição dos personagens, por vezes, até disfarçados, nessa trama. Tal qual a paixão, o livro é carregado de suspense do começo ao fim.
Tantas sensações transcritas com um vocabulário, em diversos momentos, rebuscado que nos faz recordar uma civilidade a qual não se vê mais em nossa sociedade, além do uso de palavras bastante incomuns, as quais proporcionam mais uma sensação ao leitor, a satisfação do aprendizado.
O prazer dessa leitura permanece em mim e me faz aguardar, ansiosamente, a próxima obra do brilhante Pedro Irineu Neto.