Poder e Desaparecimento

Poder e Desaparecimento Pilar Calveiro


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Poder e Desaparecimento


Os Campos de Concentração na Argentina




Poder e desaparecimento é uma lúcida e profunda reflexão sobre os campos de extermínio criados na ditadura militar argentina. Combinando a autoridade de quem esteve presa e sobreviveu aos campos e o rigor crítico de uma cientista política, Pilar Calveiro faz uma análise da política, das dinâmicas de poder, nas experiências do dia a dia nos campos, mas também de maneira mais ampla, no horror do regime autoritário.

Subvertendo a proposta do testemunho bruto, o livro entrelaça diferentes depoimentos de sobreviventes com análises "distanciadas" a respeito da formação histórica, social e psicológica do totalitarismo na sociedade argentina. O relato, escrito na terceira pessoa, transforma o sofrimento pessoal em sofrimento social, carregando-o de força política. Nas palavras da crítica literária Beatriz Sarlo, numa análise do estilo de Pilar Calveiro: "Do ponto de vista moral e político, ela fala como cidadã, não como ex-militante presa e torturada. Seu direito vem de algo universal, e não de uma circunstância terrível".

O livro se inicia com uma análise da legitimação das Forças Armadas, justificando sua intervenção supostamente moderadora na política.
Fugindo aos clichês, a antropóloga não se prende a categorias fáceis, tomando seus objetos de estudo como construções complexas, o que vale tanto para os militares quanto para os prisioneiros nos campos, que não são vistos nem como "heróis" nem como "traidores". Em sua complexidade, o relato de Pilar Calveiro mostra como a experiência nos campos de concentração não foi um fenômeno isolado, estranho à sociedade e à história argentina, mas parte de sua trama, profundamente arraigada no tecido social. Pilar Calveiro rompe portanto com silêncios confortáveis e se debruça sobre o universo inaudito do horror naturalizado.

Para a antropóloga, os campos de extermínio são a expressão concreta e o protótipo da barbárie civilizatória em seu processo de naturalização social. Localizado descaradamente no centro da sociedade, os campos só puderam existir porque essa sociedade em que se inserem escolheu não os ver. Máquina desumanizadora da vítima e do algoz, o campo de concentração exige condutas "menos humanas", como peças, corpos ou engrenagens: "degradar e se degradar são parte de uma mesma ação", diz a autora.

Geografia / História / Política / Sociologia

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