Existem amores que desvanecem, e existem aqueles insubstituíveis. Longos seis anos separaram Christian de Amari. Os longos anos... e a mentira que ele contou a ela quando resolveu acabar o relacionamento deles no ensino médio. Ela partiu em busca dos seus sonhos. E ele ficou para trás, na cidadezinha em que cresceram, criando a filha sobre a qual ele guardara segredo. Mas Amari recebe uma proposta de emprego que era tudo o que ela desejava, para isso ela precisa retornar ao seu passado, ao lugar onde seu coração fora partido e sua vida tinha virado de ponta cabeça. O desejo de ser diretora de uma escola primária e participar da educação e formação de alunos para além da sala de aula fala mais alto que o medo de reencontrar Christian, e é com essa sua coragem que ela vai ter que enfrentar todas as suas feridas abertas ao dar de cara com seu romance de adolescência e a filha dele. E Christian estava disposto a tudo para fazer Amari perdoa-lo, e assim, ter os seus dois grandes amores junto a si.
Pode parecer que essa história é profundamente triste, mas não é. Provavelmente pelo fato de só se saber sobre o rompimento de Amari e Christian pelos diálogos deles, dessa forma, o leitor não compartilha dessa dor, e pode, por consequência, se apegar com maior facilidade ao desejo de reconciliação. Eu adoro romances de segunda chance, mas não é todo autor que sabe construí-los de forma crível e com a devida delicadeza que o tema precisa. Afinal, perdoar não é fácil, e criar um personagem que se mostre digno desse perdão também não é simples. Christian é exatamente esse personagem. É alguém que facilmente poderia existir, com um erro que por mais que cause raiva e dor (e que vire uma grande bola de neve) é detentor de atitudes coerentes que possibilitam uma compreensão. E justamente nesse acúmulo de situações, a história se desenrola de tal maneira que fica difícil supor como Christian iria fazer para Amari perdoá-lo, e isso acontece da forma mais linda, fofa, romântica e estilo final de filme que eu poderia imaginar. Na verdade, não sei nem se eu poderia ter realmente imaginado a formulação do desfecho da forma como ocorreu.
Muito se fala sobre as escolhas. Sobre como a vida poderia ter sido diferente se certos ses saíssem da esfera da mera imaginação e tivessem sido realidade. Mas o passado não tem volta, e será que valeria a pena se prender a um futuro de dor e ressentimento, quando a felicidade está a um beijo de distância? A escolha do passado tem o poder de influenciar a do presente, mas quem Christian e Amari se tornaram dão a eles possibilidades muito mais calmas e verdadeiras. Os ses são hipóteses, e hipóteses não existem. E dentro do que existe, a melhor escolha é sempre aquela que nos dá paz. Essa é a história de duas pessoas libertando-se de antigas escolhas e do roubo delas para transformar um se na certeza de que só encontrarão sua felicidade no perdão.