Primeira resenha masculina depois de tantas falas femininas, vejamos o que posso falar de diferente...
O livro é muito bom não por sua escrita, narrativa ou valor literário, o que fascina é o fato de nos apresentar a uma realidade tão diferente da que vivemos no ocidente que chega a parecer irreal.
As mulheres da Arábia Saudita vivem uma ditadura masculina que lhes impede de ter qualquer dignidade. O que estes homens impõe às mulheres mostra o poder de uma idéia, eles crêem que elas não tem valor e portanto as tratam como objetos.
Interessante notar que por trás de todo recato que estes impõe as mulheres está a faceta de homens sexistas extremamente violentos, cuja conduta faria qualquer feminista da revolução sexual da década de 60 a um assassinato.
A antropologia e as ciências sociais atualmente pregam que não existem culturas superiores ou inferiores, o que existe é apenas a diferença, a qual deve ser respeitada. Seria simples e muito bonito acreditar nesta assertiva se não houvessem casos como a realidade das mulheres na Arábia Saudita como nos mostra "Sultana" no livro.
Uma cultura e uma sociedade que priva suas mulheres de ter prazer, não as deixa escolherem o homem com quem se casarão, as impede de sair às ruas com o rosto à mostra e ainda por cima as trata como meros objetos sexuais. Como acreditar que não somos superiores a este tipo de sociedade doente?
Uma sociedade que deturpa e usa as palavras de seu Deus para oprimir outras pessoas não é simplesmente diferente, é a prova viva de que algumas culturas são, sim, melhores que outras, e o relato de Sultana atesta que a Arábia Saudita precisa de mudanças urgentes para que um pouco de humanidade possa chegar à pessoas que morrem apedrejadas, afogadas em suas próprias piscinas ou presas em seus quartos.