Chega a ser um contrassenso pensar que durante a Ditadura militar, em que havia censura a tudo o que era publicado, o cinema brasileiro popularizou as pornochanchadas. Mas o foco da repressão não estava nos valores e bons costumes e sim nas implicações políticas.
Eu não consegui capturar qual o nome do personagem principal, ele é chamado de pibe por uma das personagens e nos momentos posteriores aceita que seja chamado de "o roteirista" ou a alcunha de autor de policial "William Ken Taylor". E parecia que o nome dele era William mesmo. Seu único bem é uma máquina de escrever e seu único parente vivo é o tio Bruno que mora num asilo de idosos. Seus colegas de apartamento Jardim e Lorca são bem engraçados e trazem bastante leveza para a história.
Apesar dos trambiques e da falta de objetivo de vida do personagem, aparentemente ele é muito bom no que faz. Conta com a ajuda inesperada do obscuro Odilon que indica para a editora clandestina de livros policiais estrangeiros e depois ao estúdio de filmes quando a editora é fechada.
Outra personagem importante é Eliana Brandão. Os diferentes projetos que William se envolve são meios para se chegar ao fim que é Eliana Brandão. Qualquer outra coisa, ou pessoa, são os instrumentos ou parte do caminho para se chegar ao fim que é estar com Eliana Brandão e se livrar de tudo o que impede de alcançar Eliana Brandão.
Considerando a época em que foi escrito, considerando que o autor é falecido, é importante constatar que a obra atende os aspectos da inclusão woke sem parecer forçado ou algo que diga que isso foi meticulosamente planejado.
O contexto histórico e o viés político também não pode ser ignorado no desenvolvimento da obra, considerando que o personagem é preso por estar acompanhando uma passeata comunista e por ter aceitado receber um folheto pelo correio.