Investiga a história dos índios da Amazônia do século XIX, período em que, sem o jesuíta Antonio Vieira ou o Marquês de Pombal, figuras às quais se associou a imagem de protetores dos índios, as sociedades indígenas traçaram novas formas de lidar com os projetos que pretendiam catequizá-los e civilizá-los. Questiona a visão de que os índios teriam sido vítimas indefesas da colonização ou que assistiram passivamente à ação histórica dos europeus, abordando aspectos históricos, geográficos, econômicos e culturais do protagonismo indígena.
Sem Vieira nem Pombal - índios na Amazônia do século XIX
Márcio Couto Henrique
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Ver maisMárcio Couto Henrique traz reflexões interessantes sobre as formas de resistência indígena à dominação colonial europeia. Analisando documentos históricos, depoimentos e relatórios, o autor vai destrinchando as estratégias de garantia de autonomia dos principais grupos étnicos da região da Bacia Amazônica, sobretudo no final do século XIX. No capítulo 1 o autor discorre sobre os efeitos práticos das tentativas de regularização das missões na região amazônica a partir de 1845. Se por um lado o império via como estratégico a utilização de igreja para avançar e controlar pontos chaves do território, por outro a inserção forçada da cultura cristã não só provocou novos conflitos entre as etnias locais como também trouxe novas formas de rebeldia e resistência às imposições que as ameaçavam - uma vez em que ficou claro, para boa parte das tribos indígenas, a ameaça do processo civilizador, personificado ora nas ações da Igreja Católica e noutra nas tentativas de constituição de aldeamentos pelo Império. No capítulo 2 é demonstrado como se deu o jogo espacial de dominação territorial da bacia amazônica. Enquanto as missões eram construídas próximas às fortificações, simultaneamente, muitas tribos adotaram a estratégia de permanecerem afastadas delas, mantendo contato esporádico ou só quando lhes convinham. Tal estratégia visava manter a mínima dependência possível entre o indígena e as missões, garantindo assim o que restava de coesão interna no grupo. No capítulo 3 é abordado como muitas etnias interpretavam os bens materiais que o homem branco oferecia como moeda de troca. Como o significado dos objetos poderiam variar de acordo as necessidade locais. Ainda que muitos deles permitissem uma melhora na qualidade de produção e reprodução da vida para o indígena, muitas vezes estes não deixavam que o seu valor se sobressaísse às suas crenças, adotando assim, outros significados além dos práticos para esses objetos. No capítulo 4 o autor aborda o complexo sistema comercial formado entre o índio, o ribeirinho e o regatão. Os excedentes produzidos pelos indígenas eram negociados diretamente com os regatões (barqueiros), que, por conhecerem o território e terem acesso fácil e rápido às tribos, possuíam uma vantagem excepcional sobre o império e a igreja na relação com as diversas tribos que habitavam a bacia amazônica. Essa vantagem, logicamente, irritou o império e os missionários, causando diversos conflitos e tentativas inócuas de cessar esse tipo de transação. Por fim, o autor costura os seus argumentos diante dos dados históricos-geográficos, demonstrando como a identidade indígena da região do Amazonas foi construída em cima da resistência à dominação política e econômica do colonizador europeu, ajustando-se diante das necessidades intrínsecas do meio.
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