Zé Limeira poeta do absurdo -

    Orlando Tejo

    Brasília
    1980
    244 páginas
    8h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Um mito, uma lenda ou um fato? Zé Limeira, o poeta do absurdo, aos olhos do pesquisador e apologista Orlando Tejo, mostra a sua mais alta arte através do seu verso.

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    Nathan Natal11/08/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Primeiro, sobre a forma. Ou melhor, sobre a boa mentira. Essa invenção do tejo de reinventar uma pessoa que já existe é um tanto genial. Na verdade, é mesmo uma boa metáfora sobre o que é ler um poeta/escritor: a gente está sempre recriando ele mesmo. Então foi interessante ler a leitura de Tejo do Limeira, e pensar sobre isso. Segundo, sobre a mentira mal sucedida. É engraçado como algumas das intenções do Tejo parecem falhar miseravelmente. Um dos objetivos do livro é ridicularizar a poesia moderna da sua época (concreta, entre outras). Tentando isso, fez chegar até mim várias obras que achei super interessantes. E tentando fazê-las parecer ridículas, foi ele que em muitas partes pareceu ridículo, como na fanfic um tanto desesperada em que ele conta que teria inventado versos sem sentido como piada e os poetas da moda teriam feito uns elogios pomposos a eles... Se aconteceu algo parecido, certamente não foi dessa maneira. Também é engraçado como ele insiste que os versos do Limeira não teriam mensagem ou valor poético (ele insiste que eles teriam só valor musical) mas, buscando (ou inventando) exemplos para ilustrar, foi responsável pelo registro de vários versos com associações das mais interessantes. Terceiro, sobre a criatividade. Me vinha o tempo inteiro a associação entre criatividade e ausência de regras. Ou talvez se possa dizer, entre criatividade e liberdade. Sempre me volta uma fala do Sidartha Ribeiro que diz que os sonhos estão relacionados com nossa criatividade porque neles podemos fazer conexões que na vida acordada não são possíveis. Criar teria a ver com conexões novas. É como se as regras, os interditos, impedissem certos caminhos de conexão e, com isso, limitam a criatividade. E talvez a última regra a ser quebrada, a última fronteira, seria a lógica. Talvez por isso que versos que são propostos como absurdos soem como tão criativos. Ser limeriano é ser criativo. Quarto, sobre a licenciosidade na forma. A putaria criativa acima comentada não se reflete só no conteúdo, também na forma. Ao menos os critérios atuais para um bom escrito não aceitariam citações literais de várias páginas inteirinhas, assim, copiadas e coladas. Talvez também não veriam com bons olhos uma mudança de temática tão brusca como acontece no capítulo sobre os poetas modernos, ou tantas anedotas pessoais ao longo do texto. Mas tudo isso contribuiu um bocado nesse livro. Quinto, sobre o anacronismo produtivo. Nessa mesma toada de que trazer elementos novos enriquecem a obra, tornam ela (e a leitura dela) mais criativa, devo dizer que parte do que ela traz de novo é o que ela tem de velho. Tem algo interessante já de partida em ler um livro antigo como esses, que é acessar um olhar que hoje é antiquado e, por isso mesmo, não nos é familiar (pelo menos para mim nos meus 35 anos). Mesmo no que não compartilhamos, é interessante por ser uma nova forma de ver as coisas, ainda que velha. É assim particularmente em relação à moral e os moralismos, a ideia de pomposa que se tem da poesia, a acontecimentos históricos que se atribui tanta importância e que hoje são tão pouco comentados, entre outros. Por último, sobre o foigo, faltou um pouco. Diferente do personagem dele, que tinha foigo de sete gatos, achei que ele não soube muito como e quando terminar. Se é verdade que o livro apresenta de cara muitas novidades, não teve delas pra entregar até o fim. Os últimos capítulos soam repetitivos e prolongam tempo demais numas histórias chatas... Como aliás, talvez seja o caso também deste texto.

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