A exemplo de sua estreia em livro ("Campanha perplexa", 2011), mas agora em uma concepção ligeiramente mais orgânica, Luiz Cláudio França parece se empenhar aqui em algo que talvez já lhe seja uma propensão: inquirir o leitor – seja este por si mesmo também um bom inquisidor, seja um ilustrado "naïf", ou seja alguém como eu, leitor de meras palavras. A eles e a nós, cada uma destas Teratologias reserva um recuo, se as quisermos admitir. Movendo-se entre o ensaio, o diálogo e o devaneio, a obra, no que tange à forma, se comporta como um tríptico. As três seções, figuras principais (“ratas”, como prefere o autor) – nominalmente: "O herói", "Hospitalidade" e "A mentira" – são precedidas pela introdução de um suspeitoso Segundo Engenheiro, e configuram algo como um campo de exploração da coisa “palavra”. Ao hóspede vindouro haveria muitas coisas a dizer, mas digo apenas duas. A primeira: eis aqui uma saborosa trama de dissonâncias – linguísticas, dramáticas, geométricas..., reveladas quadro a quadro, em gestos duramente refinados, em uma escrita larga, pontual, obsequiosa e, sobretudo, fartamente polissêmica. A segunda coisa: tudo aqui é ética, e "nulla ethica sine aesthetica". Nestor Carvalheira
Teratologias - três ratas jubilosas
Luiz Cláudio França
Impressões de Minas
2019
203 páginas
6h 46m
ISBN-13: 9786590021007
Português Brasileiro
Edições (1)
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