Os Filósofos Pré-Socráticos -

    G.S. KIRK, J.E. RAVEN, E.C. SCHOFIELD

    Fundação Calouste Gulbenkian
    1982
    510 páginas
    17h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    Cristian Marques picture
    Cristian Marques22/07/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Base para qualquer discussão sobre o assunto

    Excelente! Para todo aquele que se interessa por filosofia antiga, pelos mitos fundadores de nossa civilização, para as ideias que estão na base do imaginário comum ocidental, esse livro é indispensável. Bom para o principiante como para o estudioso que queira discutir o tema. O livro já é uma obra de referência conhecida dos especialistas, mas não tanto do grande público. Entretanto, para quem se interessa sobre o assunto, é uma ótima fonte de conhecimento sobre os primórdios da civilização ocidental e pensamentos fundadores que de certo modo ainda aparecem ecoando em nosso tempo. A obra toma citações diretas do grego clássico com uma tradução abaixo e mais comentário feitos por esses três especialistas. Em geral a tradução feita para o português (de Portugal) é muito boa, pois o tradutor é um conhecido helenista português. Em geral, para o iniciante e mesmo para o aluno que queria aprofundar, essa tradução é muito boa. Uma ressalva só para aqueles que são especialistas e usarem a tradução portuguesa: o tradutor tomou algumas liberdades com relação as traduções feitas pelos autores americanos do grego para inglês. É detalhe que não faz diferença para o iniciante, mas pode ser crucial em uma argumentação mais aprofundada ou pode alterar alguma interpretação mais sutil. Exemplos: No capítulo sobre Heráclito, na pág. 193, em grego clássico está "phrázon" ao qual o G. S. Kirk dá a versão em inglês como "declarar"/"relatar", mas nosso tradutor português verteu do inglês como "explicar". Veja, é sutil, mas para um nivel de dicussão isso pode fazer a diferença. Na página seguinte outro exemplo, no rodapé nº 2, o grego "hosón" foi para o inglês por Kirk como "perceber" e o tradutor verteu do inglês ao português "conhecer". É muito diferente o sentido de ambas. Além de que "hosón" é perceber no século V a.C., na Jônia, mas já tem o sentido de "aprendizado" no séc. IV a.C na Ática. Como eu disse, são detalhes para especialistas. O grande público interessado se beneficiará e muito com o livro. Mais um exemplo, só para ilustrar mais a liberdade do tradutor, está no capítulo sobre Parmênides: Refiro-me à página 258 (fr.294,5), onde em grego está "Elenchon", em inglês está "refutação" e o tradutor verteu como "prova". Enfim, excelente livro, uma referência inescapável para quem gosta de filosofia antiga, Grécia antiga, mas o especialista deve, quando precisar de uma argumentação mais sutil, fazer um trabalho de comparação, coligir com o original em inglês.

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