Firmina -

    Renata Py

    Laranja Original
    2019
    81 páginas
    2h 42m
    ISBN-13: 9788592875657
    Português Brasileiro

    E ATENÇÃO: QUEM ESTIVER EM SAMPA NO PRÓXIMO DIA 14/03/2020 – SÁBADO, NÃO PODE PERDER. DAS 19H ÀS 22 HORAS SERÁ REALIZADO O LANÇAMENTO DE SEGUNDAS EDIÇÕES DOS LIVROS: “A FLOR LILÁS DE FILIPE MOREAU, “FIRMINA” DE RENATA PY E “A INFÂNCIA DOS DIAS” DE LAÍS BARROS MARTINS. O EVENTO ACONTECE NO EUGÊNIA CAFÉ BAR. RUA CÔNEGO EUGÊNIO LEITE, Nº 953 – PINHEIROS. Se você procurar Firmina no mapa, certamente não vai achar. Mas se tiver cuidado nessa procura, lá vai estar, chamando a sua atenção. São poucos os que a conhecem e podem enxergar a cidadezinha. São os de alma genuína como ela. Como seu Guinga, o senhor que nunca morre. Como Zeca Sapatilha, o dançarino das estrelas. Como o doce de caju de Adelaide, que faz as pessoas enxergarem somente o que precisam. Como a alegria de Jesus, melhor drible do time da cidade. E, finalmente, como cada um de seus habitantes que ali vive e um dia desaparece misteriosamente. Não existe a morte da forma que a conhecemos. Sua incógnita nunca foi decifrada e o fato é que esses singelos personagens podem vir a morar dentro de cada leitor – você vai constatar que desaparecer talvez seja o maior medo da humanidade.

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    Krishnamurti Góes dos Anjos17/11/2019Resenhou um livro
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    E ATENÇÃO: QUEM ESTIVER EM SAMPA NO PRÓXIMO DIA 14/03/2020 – SÁBADO, NÃO PODE PERDER.

    DAS 19H ÀS 22 HORAS SERÁ REALIZADO O LANÇAMENTO DE SEGUNDAS EDIÇÕES DOS LIVROS: “A FLOR LILÁS DE FILIPE MOREAU, “FIRMINA” DE RENATA PY E “A INFÂNCIA DOS DIAS” DE LAÍS BARROS MARTINS. O EVENTO ACONTECE NO EUGÊNIA CAFÉ BAR. RUA CÔNEGO EUGÊNIO LEITE, Nº 953 – PINHEIROS. SEGUE REPETECO DA RESENHA DE “FIRMINA” DE RENATA PY: O fantástico em “Firmina”, novela de Renata Py Texto intermediário entre o conto e o romance, a novela torna-se, por vezes fotografia da realidade subjetiva do leitor. É gênero essencialmente polivalente constituído por uma série de unidades ou células dramáticas ligadas entre si. Portanto, sua primeira característica estrutural é a pluralidade dramática. Cada unidade ou capítulo possui um fim em si mesmo num sentido de correlação. O ficcionista, ao compor a novela, não se detém no pormenor constituído pelas células, mas no sistema todo, formado pela soma das parcelas. O enredo se constrói numa progressão geométrica, de que não se pode tirar qualquer termo sem comprometer a série toda. Pluralidade e sucessividade se complementam. Mas a sucessividade de acontecimentos não esgota o conteúdo de uma unidade. Via de regra, no fim de um episódio, o ficcionista procura deixar qualquer semente de drama ou de mistério para manter vivo o interesse do leitor, de forma que os episódios só se fecham quando o desenlace fatal se torna decorrência obrigatória. A novela vai se formando, portanto, da agregação dessas unidades. A senhora Renata Py nos apresenta a cidadezinha de “Firmina”, como um lugar que certamente não será encontrado facilmente nos mapas, porque - alerta-nos a voz narrativa - os que podem encontrá-la são apenas os de alma genuína. Um lugar apartado e mágico, cheio de personagens inesquecíveis, onde coisas impossíveis podem acontecer e nada parece irreal. Em “Firmina” não existe a morte da forma que a conhecemos. As pessoas nasciam e sabiam que um dia, sem mais nem menos, sem aviso prévio, iriam desaparecer. “Onde não existia doença, nem acidentes e nada que não se pudesse curar. Música, bebida, comilança e conversa fiada eram os únicos remédios, esses conseguiam tratar bem as dores da alma”. Nessa ambiência fantástica vivem personagens como o senhor Guinga um longevo ancião, como Zeca Sapatilha um dançarino das estrelas, e Adelaide a fabricar um doce de caju que faz as pessoas enxergarem somente o que precisam, e conseguia também tirar qualquer criatura do mundo da ilusão. Em textos dessa natureza a imaginação exerce papel muito importante porque os dados observados sofrem a influência do autor-narrador e a verdade imaginativa termina por se sobrepor à observação. E então temos que a sucessão de fatos grudados à trechos narrativos, exposições, observações psicológicas e morais e expansões líricas, transformam o texto em um relato linear cujo ritmo é determinado pelos próprios eventos onde existe uma proposital seleção de momentos de crise, predomínio de situações humanas excepcionais, num ritmo rápido e de intervenção direta da voz narrativa que emprega metáforas simples, diretas e despojadas. É que interessa ir diretamente ao ponto, sem deter-se em detalhes ou digressões. A narrativa quer-se concreta, plástica, e mesmo expressa com simplicidade, de modo que o leitor a acompanhe sem maior esforço de entendimento. Assim, conhecemos Jesus um rapaz que é o maior drible do time da cidade, a viver seu amor por Diana. Também o padre Leudo, um religioso para lá de liberal (a ponto de andar sem batina e vestido com camisetas ornadas com motivos hippies) e até a figura de um político, o prefeito da cidade, seu Tenório, “que podia dizer ou desdizer, que a confiança na palavra já não lhe pertencia. O povo andava desgostoso com o jeito de coroné que adotou depois que assumiu o posto.” Positivamente a autora cria um mundo à parte, com leis próprias, em uma comunidade pacífica isolada da realidade do mundo. As criaturas que vemos desfilar no texto são verdadeiros exemplos metafóricos das aflições que nos acometem na atualidade. Tudo ali corre perfeitamente bem e dentro dos eixos da ‘normalidade’ local, até o momento em que no dia da festa da Padroeira da cidade, acontecimentos estranhos começam a ocorrer e as coisas entraram num estado de movimento sem controle. Falamos acima exemplos metafóricos. Muito bem; não anda o sentido e as práticas tradicionais da religião sendo questionados profundamente? Não vemos e sentimos a cada dia o empoderamento feminino a arrombar portas por toda parte, a lutar contra o machismo tóxico (palavra que inventamos para substituir a sacanagem machista milenar), muito bem representado na obra pela figura da personagem Juliana – única jornalista da cidade a dirigir uma Folha local a se desenredar de um marido gigolô? Que dizer e pensar de um doce que nos salve das ilusões dessa vida de consumo desenfreado que levamos? As coisas corriam pelo melhor dos mundos, quando começaram a desandar a passos rápidos, a partir de um fato que aconteceu ao Zé Sapatilha. Este uma espécie de mendigo despojado de bens materiais, cujo o objetivo único na vida era distrair e alegrar o coração das pessoas, pela sugestão da música e da dança que promovia pelas ruas de “Firmina”. O Zé Sapatilha em uma de suas apresentações costumeiras foi colhido por um grosso vendaval que o levou espaço afora. E está armado o conflito de não se ter mais sequer a música e a dança para aquela população. Todos os capítulos da obra, se abrem com epígrafes que servem de tema para resumir o sentido ou situar motivações pontuais. Uma delas, escrita por Eduardo Galeano, corporifica de maneira cabal e fecunda, a imaginação criadora da autora: “Dos medos nascem as coragens. Os sonhos anunciam outra realidade possível, e os delírios outra razão. Somos o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia. Nessa fé, fugitiva, eu creio.” A magia de “Firmina” não é exagerada, não é do tipo produzido por fórmulas mágicas ou varinhas de feiticeiro. É algo que faz parte do cotidiano, que acontece, como o resto das coisas que acontecem no mundo. Isto faz da cidade de “Firmina” criada por Renata Py, um lugar com personagens tão especiais em suas amplas possibilidades existenciais que passam a morar dentro do leitor. Um lugar especial, e totalmente fantástico no qual nosso mundo pode sim, ser transformado. Livro: “Firmina” – Novela de Renata Py – Editora Laranja Original - São Paulo - SP , 2019, 84p. ISBN 978-85-92875-65-7 https://www.laranjaoriginal.com.br/

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