Cozinheiros Demais -

    Rex Stout

    Companhia das Letras
    2001
    223 páginas
    7h 26m
    ISBN-10: 8571641757
    Português Brasileiro

    Iguarias apetitosas, ódios subterrâneos, gênios temperamentais, mulheres sedutoras e disputas ferinas compõem o molho para o prato principal de Cozinheiros demais – assassinato. Misturem-se ainda boas doses de humor, uma prosa saborosa e a presença excêntrica de Nero Wolfe, o genial particular criado por Rex Stout, e tem-se a receita certa para o prazer da leitura. Dessa vez, o guloso detetive, mais interessado nas saucisses minuit do que na solução do crime, terá de resolver o caso rapidamente, do contrário sua próxima ceia pode ser também a última.

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    Sharon Caleffi16/01/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É estranho começar a ler uma série de livros pelo meio... a gente fica despreparada para esse tipo de frase, logo nas primeiras páginas: "eu não estava em condições de me preocupar com o cotejamento de provas, tendo a mente ocupada com a questão de como tirar a roupa de Nero Wolfe." Aí você sai achando que o cara é gay, mas depois ele já vai explicando que o detetive (famosíssimo, eu é que tava comendo bola - olhem só a charge de 1949) do Stout é gordo, tem pânico de trens e pouco equilíbrio. Então não vai conseguir se despir sozinho durante uma viagem sobre trilhos, sobrando a tarefa para Archie Godwin, "secretário, guarda-costas, gerente, assistente de detetive e bode expiatório". E narrador das histórias, mais ou menos um Watson. Ahhh, bom... mas o Watson despia o Holmes? Provavelmente, era o médico dele e tal, né? E não muito pra frente, ri dessa tentativa tosca do Archie em conquistar a moça bonita da história, a Constanza - não, definitivamente esse Watson não é gay, mas também não é muito sexy: "— Meu nome é Archie Goodwin. Archibald significa sagrado e bom, mas apesar disso meu nome não é Archibald. Nunca ouvi uma garota francesa dizer Archie. Não quer tentar? — Não sou francesa. — Ela franziu a testa. Sua pele era tão lisa que a ruga parecia um risco em uma bola de tênis nova. — Sou catalã. Certamente posso dizer Archie. Archiearchiearchie. Chega?" E o pai da caça arisca em questã é um dos 15 auto-intitulados melhores chefs do mundo. E tem rixa com outro chef dos 15, que por sua vez tem rixas com todos os outros 13. 14 contra um. Bonito de ver. Top Chef Masters com sangue nozóio! E olha a Constanza de novo, legal essa guria: "— Eu não tenho nada de freira. Nem sou muito religiosa, gosto dos prazeres da vida. Madre Cecília costumava dizer para as meninas que uma vida dedicada aos outros era a mais pura e doce de todas, mas eu pensei bem no assunto e me pareceu que a melhor maneira era aproveitar a vida até ficar gorda ou doente, ou ter uma família enorme, e aí começar a dedicação aos outros. Você não concorda?" E, mais pra frente, um dos meus tipos de piadinhas preferidas, auto-citação: "Logo o barulho dos cascos era claro, e, depois de um minuto, um par de cavalos mansos, bem tratados, apontou na curva da trilha e passou trotando, perto o suficiente para ser pescado com uma vara. Um deles era montado por um tipo vistoso, de paletó xadrez espalhafatoso, e no outro ia uma senhora velha e gorda o bastante para se dedicar aos outros no momento em que sentisse esse impulso." Gamei! Perdi horas preciosas de sono e fui dormir depois da uma da manhã na segunda e na terça e hoje já tá passando da meia-noite e não terminei a resenha. Limpei o prato e passei o pão pra não sobrar nem um restinho de molho. Gostei muito, mas não dá pra comparar com um Raymond Chandler... é mais comédia, menos existencial, menos romântico. Pá-pum. Mas também gosto de livros rápidos, ação sem muito lero-lero. Dá pra desvendar quase todo o crime pelas pistas que o Stout deixa no enredo, mas é claro que tem muito mais coisa na revelação do que a gente imaginava. E pesquei uma frase ótima, citação pra vida: "Um buraco no gelo só é perigoso para quem vai patinar" Nero "Cauteloso" Wolfe Ah sim, a história! Nero, um aforista fodão e detetive comilão, é convidado de honra em um evento Caras exclusivíssimo: o encontro dos 15 já citados. Num hotel de luxo eles vão cozinhar, comer e votar em substitutos para três dos chefs que faleceram de morte morrida. Wolfe é convidado por ser um grande gourmet e amigo pessoal de vários dos 15. Além disso, vai palestrar sobre a contribuição dos Estados Unidos para a alta gastronomia. Como vocês viram ali em cima, ele tem muito a dizer... por exemplo, que porcos que comem muito amendoim dão a melhor carne da face da terra. Sinceramente, pra mim, a parte da comida foi a menos relevante para a diversão... não entendo pra que existem os connoisseurs... ãnfãm. O evento vai indo muito bem. Os convidados fazem uma brincadeira com um tal molho, cuja receita leva nove temperos diferentes. Um deles, o um contra os 14, vai preparar o molho, colocar em nove tigelas, cada uma com um tempero faltando. Todos vão provar de cada molho e tentar adivinhar qual tempero falta em qual tigela. Parece bem divertido e todo mundo está adorando, até que... Assassinos! Vamos matar todos eles! Com uma facada nas costas, morre um chef de morte matada. Recomendadíssimo, diversão garantida. É meio simplão pra quem gosta de Chandler e James Ellroy, não tem muita psicologia ou política (tem uma reflexãozinha sobre racismo - o hotel é no sul dos EUA, os patrões e a polícia são brancos e os subalternos negros). Está mais para Agatha Christie e Doyle (eu achei melhor que os dois). A história é sobre a inteligência de Wolfe e não sobre as dores do mundo. Adoro descobrir todas as capas que um livro legal já teve. A da primeira edição inglesa, de 1938, é a melhor, de longe. Entra na página do livro no meu blog pra ver: http://quitandinha.blogspot.com/2012/01/cozinheiros-demais-rex-stout.html

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