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    Eros e repressão (amor e vontade) -

    Rollo May

    Vozes
    1973
    364 páginas
    12h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.2
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    João Marcos Rodrigues Rainho picture
    João Marcos Rodrigues Rainho05/01/2014Resenhou um livro
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    Eros e Repressão (Love and Will)

    Rollo May, Vozes, 1973. Rollo Reece May (1900-1994)oi um psicólogo existencialista famoso por seu livro "Love and Will" (“Amor e Vontade”), lançado em 1969. Diferencia-se de outros psicólogos humanistas como Maslow ou Rogers ao utilizar na psicologia conceitos filosóficos presentes na cultura contemporêna, que remontam a Kierkegaard (sobre a angústia) e a Nietzsche (sobre o poder), ligados à condição humana. May era um amigo próximo do teólogo Paul Tillich (Wikipedia) Outros Livros: “O Homem à Procura de Si Mesmo”, “A Coragem de Criar”, “Poder e Inocência" ------------------------------------------------------------------ A vontade sem amor torna-se manipulação. O amor sem vontade, torna-se sentimental e experimental. A riqueza calvinista costumava ser a prova tangível de um lugar entre os eleitos. Os que não alcançavam sentiam-se não só espoliados, como viam solapada sua autoestima. Herdamos de nossos antepassados vitorianos a crença de que o único verdadeiro problema da vida era decidir racionalmente o que fazer, e a vontade acudiria.. Agora não mais se trata de decidir o que fazer, e sim decidir a maneira de decidir - o próprio fundamento da verdade é contestado. Será a vontade uma ilusão? Inúmeros psicólogos e psicoterapeutas, a partir de Freud, sustentam que sim. Os temos "força de vontade" e "livre arbítrio", são usados hoje em sentido pejorativo. Se não houvesse novas possibilidades, não haveria crises - somente desespero. Os problemas neuróticos são a linguagem do inconsciente mergulhando na consciência social. Ser ativamente odiado vale quase quanto ser ativamente apreciado. Quebra a insuportável situação de anonimato e isolamento. 4 espécies de amor: 1) sexual, sensualidade, libido. 2) Eros, o impulso de amar para procriar ou criar. 3) Philia, amizade, amor fraterna. 4) Agape, ou caritas, o amor dedicado ao bem do próximo, protótipo do amor de Deus. Eros, segundo Santo Agostinho, é a força que impele o homem para Deus. EROS era um dos quatro deuses originais, com CAOS, GAEA (mãe terra) e TÁRTARO (abismo de Hades) Eros é o progenitor, o criador da vida. A finalidade do sexo é a gratificação e o alívio de tensão, enquanto que o eros é o desejo, a ânsia e a eterna procura de expansão. Eros é o centro de vitalidade de uma cultura - seu coração e sua alma. E quando um alívio de tensão substitui o eros criativo está garantida e queda da civilização. Eros é um demônio. O demoníaco0 pode ser construtivo ou destrutivo, e em geral é ambas as coisas. O daimon, que Platão julgava existir em todos os homens, agia como uma espécie de guardião. O demoníaco refere-se mais ao poder da natureza que o superego e fica para além do bem e do mal. O demoníaco precisa ser orientado e canalizado. É compreensível que o demoníaco esteja a solta e venha à luz nas épocas de transição social. Daimon a grécia antiga tinha o mesmo sentido que théos e tinha também um significado similar a destino. É uma força externa que age sobre nós ou um a força da própria psicologia do homem? Horáclito proclamou que o caráter do homem é seu demônio. Sócrates acreditava no demoníaco. (para os gregos, o daimon era uma entidade intermediária entre os deuses e os mortais, quase um anjo da guarda). Platão escreveu que Deus concedera a cada homem um demônio, que seu elo com o divino. Satã ou demônio, vem do vocábulo grego diabolos, "diabólico" é o termo da linguagem contemporânea. Industrialismo: consiste em 3 elementos. 1) Um estado de alienação física. 2) A separação da emoção e razão. 3) O uso do corpo como se fosse uma máquina. Prece de Sócrates, em Diálogos: "Amado Pan, e todos os outros deuses que habitam este local, deem-me beleza no intimo da alma; e que o homem interior e exterior seja um só. Que eu reconheça que o sábio é rico, e que eu possua somente a quantidade de ouro que um homem moderado pode carregar" Para Goethe, a grandeza consiste estar no lugar certo no momento exato. Grandes homens particularmente caracterízados pelo demoníaco são invencíveis até que, impelidos por seu hubris (confiança excessiva), o que é inevitável, atacam a própria Natureza, o que acarreta sua destruição. Napoleão foi derrotado não pelos russos, mas pelos russos em cooperação com seu inverno. As convicções pessoais conterão sempre um elemento de cegueira e autodistorção. A extrema ilusão é operar sob a presunção de que se está livre da ilusão. Na verdade, alguns sábios acreditam que a frase original grega "conhece a ti mesmo" significa "conhece que és apenas um homem". O inimigo torna-se o portador dos elementos que recalcamos em nós mesmos. Adultos conservam a propensão para sentir o demoníaco como um cego impulso, como pura auto-afirmação. A solidão e sua enteada, a alienação, podem tornar-se formas de possessão demoníaca. Se conseguirmos canalizar o demoníaco nos tornamos mais individualizados. Se o dispersarmos, nos tornamos anônimos. É perigoso saber, porém, mais ainda ignorar. A inevitável necessidade de ocultar a verdade a respeito de si mesmo. Permanece eternamente em pé a indagação: qual o grau de autoconhecimento que o ser humano pode suportar? Freud descobriu os vastos domínios nos quais os motivos e o comportamento - fosse na educação das crianças, no amor, na direção de um negócio, ou no planejamento de uma guerra - são determinados por impulsos inconscientes, ansiedades, medos e uma infinidade de forças físicas e instintivas. Ao descrever de que modo o desejo e o impulso nos movem mais que a vontade. A tendência do homem contemporâneo que se tornou quase uma doença endêmica em meados do século XX, ver-se como um produto passivo, impotente, do poderoso jogo dos impulsos psicológicos. E das forças econômicas, podemos acrescentar, como Marx, ao nível sócio-econômico. Entre as pessoas cultas, o uso do termo força de vontade tornou-se talvez o mais ambíguo distintivo de ingenuidade *Alan Whellis) A vontade, afinal, é uma ilusão, não passa de uma repetição do óbvio. Estamos presos, como diz Laing, num inferno de frenética passividade. A psicanálise e a psicologia, em todas as suas modalidades, revelam, com a inconsistência e a contradição que encerram, o dilema da vontade e do arbítrio. Freud considerou a vontade como um instrumento a serviço da repressão, não mais uma força motriz positiva. Aprender não é acumular fragmentos de conhecimento. É um crescer, onde cada ato de conhecimento desenvolve quem estuda, capacitando-o a constituir objetividades cada vez mais complexas (Husserl) Kant afirmava que a mente não é simples barro passivo, onde se inscrevem sensações, ou algo que simplesmente absorve e classifica fatos. O que realmente acontece é que os próprios objetos se moldam à nossa maneira de compreender. Já sabíamos que a estrada do inferno está pavimentada de boas intenções e ficamos sabendo agora que essas intenções, boas ou más, são produtos de nossa presunção, ou preocupação. A excessiva ansiedade destrói a capacidade de perceber e conceber o seu mundo, de buscá-lo, a fim de amoldá-lo e reformá-lo. Neste sentido, ele destrói a intencionalidade. Liberdade e vontade não consistem na negação do determinismo e sim em nosso relacionamento com ele. Liberdade, escreveu Spinoza, é o reconhecimento da necessidade. Nietzche falou muitas vezes no amor ao destino. Queria dizer que o homem pode enfrentar diretamente seu destino, conhece-lo, desafiá-lo, acariciá-lo, lutar com ele - e amá-lo. E embora seja arrogância dizer que somos senhores do nosso destino, estamos a salvo da necessidade de ser suas vítimas. Somos na verdade co-criadores do nosso destino. Lucrécio proclama que se o leitor se convencer das causas naturais da existência, sua ansiedade diminuirá. E, caso não consiga encontrar as causas adequadas, o melhor é arrumar fictícias. Com insight, Carl Jung observou certa vez que os problemas sérios da vida não são jamais resolvidos, e caso pareça que sim, algo importante se perdeu.

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