Têmis Travesti - As relações entre gênero, raça e direito para uma narrativa expansiva do "humano"

    Camilla de Magalhães Gomes

    Lumen Juris
    2019
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-13: 9788551911105
    Português

    Se Têmis é a deusa da justiça, se a justiça é o exercício da inscrição e adiamento de sentido, que gênero tem Têmis? É por isso que Têmis é travesti. Têmis se autodefine. É “mulher de peito e pau”. Não cabe nas explicações calculáveis. No binário. Têmis se identifica com o feminino. Ou não. Têmis nasceu com um corpo masculino. Melhor dito, um corpo que lhe disseram ser masculino. Têmis nunca mudou esse corpo. Ou mudou. E, de um jeito ou de outro, mudado ou não, o chama de feminino. Têmis nasceu. E tudo o que disseram a respeito de Têmis, seu ser e seu corpo, era discurso. Têmis é materialidade. Têmis é materialização dos discursos. Dos que criaram a seu respeito e dos que criou para si. É recusa do olhar racializado desumanizador que vem de fora. Têmis não tem gênero. Têmis tem todos os gêneros. Não perguntemos o gênero de Têmis. Têmis ainda não é. É e virá a ser. E é apenas nessa concepção fluida do gênero como será exposto nas próximas páginas que será possível perceber e receber Têmis. Que será possível dizer ser ela/ele justiça e dignidade. Que também não é. Que é e virá a ser. Que tem porvir. Têmis diz dignidade e inscreve essa dignidade em seu corpo e por seu corpo. Falar é fazer e quando Têmis é travesti, o humano do direito começa a ser inscrito em outros termos.

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