Neste livro Grunenberg relata a relação entre Arendt e Heidegger desde o início até o final com a morte dos dois, mas também temos todo um panorama da época da filosofia alemã quando Heidegger é procurado por muitos alunos de todas as partes da Europa e de outros filósofos como Jaspers, um dos melhores amigos de Arend e que também sempre foi ligado a Heidegger por uma amizade que depois se deteriorou devido a posição deste último com o nazismo.
O livro deixa muito claro que apesar da grande influência de Heidegger na maneira como Arendt aprende a pensar ela se distancia e cria seu próprio universo intelectual e sua filosofia, aliás, ela não se considerava filósofa, mas sim uma cientista política.
Podemos compreender como o pensamento dos dois se elabora e até chegamos perto de compreender o envolvimento de Heidegger com o nazismo, do que ele esperava e que se frustrou, uma vez que os nazistas não estavam interessados pelo pensamento. Ele, porém, nunca reconheceu publicamente este grande erro que cometeu o que desencadeou muitas críticas e afastamento de muitos que o admiravam.
Arendt por sua vez abandona o pensamento puro e passa para a ação, a vida. Ela viveu a perseguição nazista por ser judia, teve que se exilar nos EUA com seu marido onde permaneceu para o resto de sua vida. Tinha um espírito analítico extremamente forte, estando muito a frente de muitos pensadores, e até hoje ainda há os que não compreendem Eichmann em Jerusalém, livro que lhe rendeu muitas críticas, desafetos, e perda de amigos. O que para ela era incompreensível, pois sempre separava as pessoas de suas obras, ataquem a obra, não a pessoa em seu nível pessoal.
Para os que se interessam pela filosofia e política, é um livro que vale a pena ler.