A Revolução Portugueza: O 31 de Janeiro (Porto 1891)
A Revolução Portugueza: O 31 de Janeiro - (Porto 1891)
Francisco Jorge de Abreu
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Ver maisEm uma explanação concisa e enfática, o jornalista Jorge de Abreu esmiuça as razões que levaram a cabo a conhecida Revolução do Porto de 1891. O autor traça um panorama dos acontecimentos que remontam ao ultimatum de 1890 para, ao fim, explicar como o povo se desgastou com a dinastia dos Bragança e com os governos e partidos monárquicos. Neste curto libreto, fica evidente que o atrito entre a coroa portuguesa e a coroa britânica no que diz respeito à administação das colônias em região africana foi um dos estopins para a debandada geral da nação. O ultimatum foi uma determinação da realeza britânica para que Portugal se rendesse e retirasse sua expedição do território africano após informações de que agentes portugueses teriam escorraçado uma tribo de makololos, que eram de domínio inglês. Conforme se mostra pela própria narrativa do autor, a imprensa britânica exagerou nos fatos ocorridos, alegando que a expedição portuguesa tomava a dianteira para agir deliberadamente contra os domínios da coroa inglesa; todavia, a verdade é que a expedição portuguesa apenas se defendeu da retaliação que os makololos se intentaram a fazer. Apesar de todos os desentendimentos, Portugal não conseguiu fazer valer a sua palavra e cedeu ao ultimatum, despertando o furor dos republicanos e mesmo de monarquistas, como João Chagas, que posteriormente enfileirou as trincheiras do jornalismo republicano. Nota-se que as revoltas e agitações iniciaram-se em Lisboa já em 1890. Posteriormente houve uma tentativa de transmigrar esses movimentos para o Porto, conhecido até então por suas arraigadas tradições monárquicas, e deu certo, tendo em vista que a Revolução lá eclodiu em 31 de janeiro de 1891. Como se depreende da narrativa, a movimentação revolucionária do Porto foi abafada por meros atritos pessoais entre Homem Christo e Santos Cardoso, além de outras personalidades também implicadas no movimento republicano. Nas palavras de Jorge de Abreu, antepunha à questão do partido uma questão de mero ódio pessoal. E a esta sacrificava tudo, indo até à denúncia pública e formal do que se tramava na capital do Norte (1912, p. 53). Com efeito, a postura traiçoeira do sargento-ajudante Arthur Ferreira de Castro, que denunciou todas as tramas do movimento revolucionário, contribuiu definitivamente para o fracasso da missão. É verdade que o discurso narrativo feito pelo autor aqui é apaixonadamente republicano, de modo que seria necessário realizar outras investigações para se ter em conta o que melhor se passou. Entretanto, o estilo de escrita do autor é altamente atrativo, de modo que a narrativa quase literária dos fatos constitui um deleite incomensurável para o leitor.
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