O livro parte da data “4 de setembro de 476” como um marco narrativo para discutir a chamada “queda de Roma” e, principalmente, o sentido histórico (e historiográfico) desse evento. Em vez de tratar 476 como um “apagão” repentino do mundo romano, o texto conduz o leitor a enxergar a deposição de Rômulo Augústulo por Odoacro como um episódio emblemático dentro de um processo mais longo de transformações políticas e institucionais no Ocidente.
A força do argumento está em mostrar que “queda” não é só um fato: é também uma categoria de leitura. A obra problematiza por que 476 virou uma data-símbolo e como ela foi usada para separar Antiguidade e Medievo, sem ignorar que houve continuidades administrativas, sociais e culturais após o colapso do título imperial no Ocidente. Assim, o livro funciona como uma introdução crítica: ele organiza o evento, relativiza interpretações simplistas e entrega um enquadramento mais inteligente da transição do mundo romano para as novas formas de poder que se consolidam na Europa ocidental.