Economia da longevidade: O envelhecimento populacional muito além da previdência

    Jorge Felix

    106
    2019
    132 páginas
    4h 24m
    ISBN-13: 9786580905034
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    Silvio Tanabe picture
    Silvio Tanabe27/12/2019Resenhou um livro
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    Quem vai pagar pelo nosso envelhecimento?

    "Os países desenvolvidos enriqueceram antes de envelhecer e os países pobres estão envelhecendo antes de ficarem ricos". A premissa, amplamente promovida pelo Banco Mundial e que vem servindo de referência para discussão do envelhecimento populacional no Brasil, está longe de ser verdadeira. Pelo contrário, ignora e distorce questões sócio-econômicas complexas, o que impede análises mais profundas que possam realmente encontrar soluções para o problema. Em seu novo livro Economia da Longevidade - Envelhecimento populacional muito além da previdência, o jornalista e professor de gerontologia da USP, Jorge Félix, demonstra justamente porque o conceito de que "países ricos envelhecem melhor" não só não é verdadeira como esconde a questão "quem vai pagar pelo envelhecimento de quem"? Um dos pioneiros no estudo do envelhecimento populacional e longevidade no Brasil, Félix destaca que, em primeiro lugar, os países ricos não solucionaram por completo os problemas do envelhecimento da população. "Ampla literatura sustenta que nem os países pobres ficarão ricos, nem essa riqueza atenderia, obrigatoriamente, a necessidade de oferecer bem-estar a uma população mais envelhecida." O maior exemplo são os EUA. Em 2014, 33 milhões de norte-americanos, quase 10% da população, não contavam com nenhuma assistência de saúde. A principal causa é a desigualdade provocada pela concentração de renda. Cerca de 60% do crescimento econômico do país foram absorvidos pelo 1% mais rico entre os anos de 1977 e 2007. Para o autor, a saída para o envelhecimento demográfico passa por dois pontos principais. O primeiro envolve a economia da longevidade, uma mudança de mindset em que a população acima dos 50 anos deixa de representar apenas custos para ser vista como um mercado em crescimento que precisa ser melhor compreendido e atendido e que deverá movimentar a economia mundial nas próximas décadas. A segunda envolve a conscientização por parte da sociedade e dos governos de que é papel do Estado garantir o "colchão social" (saúde, previdência) sob o risco de aumentar ainda mais a desigualdade entre ricos e pobres. A onda de protestos vivenciada no Chile ilustra as consequências da privatização da previdência no país. No início da década de 80, quando foi implementada, o governo prometia que os trabalhadores teriam 75% de sua renda atual ao se aposentarem. Após quatro décadas, esse valor chega apenas a 35%. Nesse aspecto, França e Alemanha já saíram na frente, com a elaboração de políticas públicas voltadas a atender a nova economia da longevidade. O Brasil desenvolve iniciativas voltadas ao segmento, mas estas se encontram desarticuladas. "Por enquanto, as perspectivas brasileiras são bastante nebulosas", conclui. Trecho: ...o "ficar rico", tão citado, no caso, é o que menos importa por ser menos eficaz ou, até mesmo, menos factível. A frase, assim, alimenta a ilusão de que os países deveriam perseguir o crescimento econômico e, como consequência, atingiriam o enriquecimento para, enfim, estarem aptos a enfrentar os desafios demográficos - e, automaticamente, serem bem-sucedidos na empreitada. Como alertou Chico Oliveira, essa perspectiva, a chamada "teoria do crescimento do bolo", é uma "dialética vulgar". Ampla literatura sustenta que nem os países pobres ficarão ricos, nem essa riqueza atenderia, obrigatoriamente, a necessidade de oferecer bem-estar a uma população mais envelhecida. (...) As condições para o bem-estar da população idosa nos países ricos são, obviamente, muito melhores que nos países pobres - em termos absolutos. No entretanto, as questões inerentes à longevidade humana estão presentes no rol dos desafios sociais e econômicos, independentemente do tamanho do produto interno bruto de cada país. Em resumo, o fato de serem países ricos pode até ter mitigado alguns dos efeitos do envelhecimento da população por alguns anos, mas, de forma alguma, a riqueza solucionou por completo ou assegura perspectivas de manutenção do bem-estar ao futuro. Isso enfraquece bastante o sonho proposto pela idéia em questão de que tudo seria melhor se os países pobres enriquecessem antes de envelhecer. Pelo contrário, o abismo social nos países do hemisfério norte cresceu junto com a riqueza, principalmente nos EUA e Grá-Bretanha. No primeiro, 60% do crescimento foram absorvidos pelo 1% mais rico entre os anos de 1977 e 2007. Em 2014, o Census Bureau, responsável oficial pelas estatísticas dos Estados Unidos, ainda encontrava 33 milhões de norte-americanos sem nenhuma cobertura de saúde, o que é equivalente a 10% da população. Equacionar os sistemas de saúde, previdência social, educação, moradia, cuidados de longa duração e trabalho depois dos 45, 50, 60 anos são hoje desafios para ricos e pobres (...)"

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