Se voltarmos no tempo, talvez as respostas estejam no passado, talvez um trauma acenda uma faísca que depois vira um incêndio, e talvez não queiramos apagar, só queremos deixar queimar e queimar, consumindo tudo, consumindo nós mesmos.
Assim, Margô deixou-se ser consumida por completo. Depois de ter sido negligenciada por sua mãe, morar numa casa caindo aos pedaços, e depois de uma criança do seu bairro ter sido brutalmente assassinada, algo em Margô desperta, mudando-a completamente.
Margô é uma personagem complexa, tem problemas com a autoestima por se gorda e é constantemente ignorada por sua mãe. Somando tudo isso, resulta em uma garota maltratada com pensamentos obscuros.
Durante a leitura, fiquei tentando analisar se a vida da nossa protagonista seria a mesma se a mãe demonstrasse carinho e as circunstâncias fossem outras, talvez sim, talvez não.
Por conta da construção da Margô ter sido tão intricada, ainda não consigo chegar a uma resposta sobre gostar ou não dela.
Na história, há uma progressão constante dos fatos narrados, principalmente na primeira parte. A escrita da Tarryn é bem peculiar, se não houver atenção, talvez o leitor se perca. As fortes críticas que a autora faz a respeito da desigualdade social, aceitação, relacionamento entre pais e filhos, entre outros temas são pertinentes e tornam a história com mais veracidade.
Por ser um thriller psicológico, é importante ressaltar que o leitor ficará preso na mente da personagem, e por algumas vezes esses pensamentos se tornam confusos e sem razão.
Com reviravoltas bem trabalhadas, porém com o final que deixa a desejar, "Invisível" nos põe num dilema que causa bastante desconforto, ao mesmo tempo, traz reflexões oportunas para que possamos analisar se o que define uma pessoa é o que ela passou no passado, ou não. E o quanto tentamos convencer a nós mesmos que o que fazemos é o certo.
"O que acontece com uma pessoa quando seu próprio cérebro se torna o inimigo? Eu não sei. Tenho medo de descobrir."