Ao longo dos cinco volumes de “Irmãos Monje Cruz”, ouvimos muito falar sobre a mulher incrível que era Anátema Slovena, testemunhando alguns eventos que reforçavam essa impressão, mas nada se compara a vê-la ganhando seu próprio livro, que eu já adianto: amei demais, tanto quanto “Vladimir” e “Gustav”, os meus romances favoritos da saga dessa família intensa e apaixonante. Flávia Padula acertou em cheio ao trazê-lo para nós, escolhendo-o para fechar a série com chave de ouro, ao menos por enquanto, uma vez que o epílogo de “Heron” deixa implícito que essa não foi a última vez que os Monje Cruz deram o ar da graça em nossas vidas.
Anátema é uma mulher forte, arrogante e dona de um temperamento indomável e terrível, que, com sua imensa beleza e o magnetismo único que parece carregar, desperta paixões por onde passa, dentre as quais o próprio rei da Espanha e certo barão que conhecemos muito bem (infelizmente), os quais farão de tudo para reivindicá-la como sua. Talvez esse furor todo se deva ao sangue cigano que, sem saber, Anátema carrega nas veias, já que nasceu da união do duque de Villar com uma mulher do povo Rom, a quem sempre amou, mas com a qual nunca pôde se casar. A duquesa aceitou a relação por também ter se casado amando outra pessoa, de modo que o duque e ela se comportavam mais como amigos do que efetivamente como marido e mulher. Quando a mãe de Anátema morreu no parto, em comum acordo o casal decidiu criá-la como uma filha legítima.
Todo o amor que o duque sentia pela mãe foi transferido à menina, que cresceu mimada e com uma liberdade que poucas mulheres podiam desfrutar naquele tempo. E Anátema se aproveita muito disso, fazendo o que dá na telha, sem pesar muito suas ações. Nós percebemos o quão perigosa Anátema é logo que ela aparece, pela maneira como se livra da atenção indesejada de José Monje Cruz, um homem ambicioso e cruel que se revela como o irmão do nosso mocinho e que causa inúmeras dores de cabeça ao casal ao longo da história. Anátema passa ilesa pelo incidente, mas o fato de ter sido atacada não pode ficar impune, por isso o duque convoca o líder cigano e exige que justiça seja feita em nome da filha.
Juan Pablo Monje Cruz é um líder justo e respeitado, não apenas pelo povo Rom, mas pelo próprio rei da Espanha e por todos que o conhecem. Ele não hesita em entregar o próprio irmão para receber a punição pelo ato abominável que cometeu ― ou tentou cometer, no caso (já sabemos a quem Danior puxou) ―, afinal não pode permitir que todo seu povo, que já sofre forte preconceito por causa de seu estilo de vida, pague por um erro cometido por José.
Juan Pablo carrega um anseio inexplicável no peito, um desejo por algo que não faz a menor ideia do que seja, mas que está ali, vívido, esperando para ser descoberto. Quando seu caminho se cruza com o de Anátema, numa noite intensa e cheia de emoções, ele finalmente tem o vazio de sua alma preenchido. No entanto, ao descobrir a identidade da lady, percebe que não será fácil poderem viver o sentimento forte que os une. Só que, como diria Uhtred de Bebbanburg, “o destino é inexorável”, e por maiores que sejam as provações, nenhuma delas será capaz de separar dois corações determinados a ficar juntos. Nós já sabemos o final dessa história, mas ainda assim vale super a pena acompanhar de camarote os acontecimentos que norteiam o futuro dos personagens queridos que começamos a conhecer em “O Plebeu”. Recomendo muito esta leitura!