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    Imitação de Cristo

    Tomás de Kempis

    Principis
    2019
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788594318824
    Português Brasileiro
    4.3
    227 avaliações
    Leram329Lendo169Querem432Relendo4Abandonos33Resenhas51
    Favoritos22Desejados432Avaliaram227
    Resenhas (51)Ver mais
    Joranny Gomes picture
    Joranny Gomes01/03/2026Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    "Para todos, têm os livros a mesma linguagem, não a todos, porém, instruem do mesmo modo; [...]"

    Esta frase que usei como título da resenha foi retirada do próprio livro. Esse livro tem um formato meio diferente, uma espécie de diário íntimo e ao mesmo tempo destinado a leitores. Foi escrito como um guia moral para monges em clausura e é um texto com alto teor religioso, cheio de exortações ao retiro e à obediência dentro do mosteiro. Senti curiosidade de ler (mesmo não sendo uma pessoa religiosa) porque sou uma grande admiradora de alguns ensinamentos práticos da moral cristã e achei a escrita das primeiras páginas esteticamente bela (bastante poética). É possível tirar ótimos ensinamentos desse livro quanto a valores como humildade, altruísmo e paciência no trato com outros seres humanos. Contudo, o texto também contém passagens que a mim, pessoalmente, foram extremamente incômodas por expressarem: 1 - Um desprezo extremado pelo mundo material e as relações afetivas que são construídas nele (dizendo que nossas relações de amizade e parentesco não têm valor, apenas as relações entre o indivíduo e seu Deus, tendo em vista que tudo o mais é passageiro e descartável). 2- Incentivo a uma postura de resignação muito intensa (se referindo a obedecer autoridades seculares, focar apenas na própria salvação espiritual e desviar os olhos dos erros sociais), o que pode culminar em aceitar a estagnação na ordem social injusta à qual se nasceu e parco desejo de agir sobre o mundo real (já que só se tem os olhos voltados para o mundo espiritual). O texto acaba indiretamente incentivando a passividade diante das injustiças do mundo material. Sem contar as passagens onde o autor diz claramente que as pessoas devem se afastar de questionamentos e aceitar cegamente tudo como desígnios de Deus (inclusive a presença dos males no mundo). Isso me incomodou demais, acho que por isso que o cristianismo ativo contra injustiças políticas (o que acaba englobando certas vezes desobediência civil) me puxa muito mais pelo pulso, o cristianismo que é mostrado por exemplo no romance O Cristo recrucificado de Nikos Kazantzakis. Como eu disse dá pra retirar alguns ótimos ensinamentos desse livro, apesar de alguns leitores (como eu) não concordarem com algumas ideias que foram expostas. Se esse livro fosse uma letra de música seria uma mistura de "Jesus" da banda The velvet underground com "Bestrafe Mich" da banda Rammstein. Tenho quase certeza que ninguém vai ler essa resenha, mas tudo bem. kkkk

    35 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 227
    • 5 estrelas52%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Tomás de Kempis profile picture

    Tomás de Kempis

    Monge e escritor alemão, Tomás de Kempis nasceu em 1380, em Kempen, na Renânia do Norte (perto de Colónia), faleceu a 24 de julho de 1471, no Mosteiro de Santa Inês. Aos 12 anos, foi estudar para a escola de Deventer, na Holanda. Durante os seus estudos em Humanidades, Tomás de Kempis revelou muito talento na transcrição de manuscritos. Concluída a sua formação, em 1399, o jovem foi admitido no grupo Irmãos Regulares da vida em Comum que, ainda sem instalações definitivas, viviam no Monte de Santa Inês (ou St. Agnès), perto de Zwolle, na Holanda, onde o seu irmão era prior. Sob a direção do prior Florêncio Radewijn, Tomás de Kempis iniciou uma vida de pobreza, castidade, devoção e obediência, em comunidade, tendo feito votos de noviço apenas em 1406 e, sido ordenado padre em 1413, um ano depois de ter sido edificada a igreja daquela comunidade religiosa. Mais tarde, foi eleito subprior, mas devido a um exílio da comunidade, entre 1429 e 1432, Tomás de Kempis exerceu durante pouco tempo essa função. Durante esse período, esteve com o irmão num convento perto da cidade holandesa de Arnhem, o qual falecera em novembro de 1432. De regresso ao Monte de Santa Inês, Tomás de Kempis foi reeleito subprior, em 1448, permanecendo nessas funções até ao final da sua vida. Tomás de Kempis produziu cerca de quarenta obras representantes da literatura devocional moderna. Destaca-se o seu livro mais célebre, Imitação de Cristo, composto por quatro volumes, no qual apela a uma vida seguida no exemplo de Cristo, valorizando a comunhão como forma de reforçar a fé.

    46 Livros
    26 Seguidores
    Renânia, Alemanha

    Tomás de Kempis